Enquanto os eternizados poemas de Vinicius recitados por Paulo Autran acusam poucas centenas de acessos na Internet, algumas inutilidades como o funk “Surra de bunda” (dança que me recuso a descrever) alcançam centenas de milhares de visitas rapidamente. “Que país é esse”, Renato Russo?
Legião urbana mostra o clipe de lançamento da música que leva esse título (1987)
Matéria de Marília Scriboni (com o título acima) para o site Conjur (www.conjur.com.br), reproduz voto do ministro Celso de Mello:
“A liberdade de expressão artística não se sujeita a controles estatais, pois o espírito humano, que há de ser permanentemente livre, não pode expor-se, no processo de criação, a mecanismos burocráticos que imprimam restrições”. Amen.
Encerram-se, assim, 51 anos de OMB e mais de 40 anos passados de uma antiga gestão de absurdos de toda ordem (a antiga diretoria, entronizada pelo Golpe de 64, foi despejada por ordem judicial somente há poucos anos). Parece que acabou a ‘Ordem’, não?
Não!
Explico: a OMB é uma autarquia federal – ou seja, todos seus diretores e funcionários são remunerados. Com o desaparecimento das funções dos titulares, e continuando a existir, de direito, a entidade, eles devem continuar recebendo salários, al dolce far niente, como dizem os italianos. A Lei e os Conselhos Federal e Regionais continuam existindo. E agora?
Qualquer semelhança com a situação da Lei que criou o Conservatório não é mera coincidência: se a Lei permanece, o Conservatório de Tatuí permanece existindo, independentemente de qualquer forma de geri-lo. Sem a Lei, rompida a gestão, resta o nada, o fim. Para refletir.
Instrumento foi doado para o Conservatório de Tatuí por Alfredo Egydio Setúbal
Cristina Ortiz: uma das maiores pianistas do mundo Teatro Procópio Ferreira (R. São Bento, 415, Tatuí. 9 de setembro, 20h30).
Foto: Artematriz, divulgação
Após vencer o disputadíssimo Concurso Internacional Van Cliburn, sua carreira internacional teve grande impulso. Desde então, foi solista com as mais famosas orquestras: Filarmônica de Berlim, Viena, Londres e Nova Iorque, e Sinfônicas como as de Cleveland e Praga. Cristina Ortiz já se apresentou sob a batuta de Ashkenazy, Chailly, Foster, Jansons, Järvi, Kondrashin, Leinsdorf, Kurt Masur, Zubin Mehta, André Previn e Zinman, e se apresenta ao lado de artistas como Antônio Meneses, Uto Ughi, Emanuel Pahud, Lynn Harrell e o Quinteto de Sopros de Praga.
Fez a estreia do “Choro” de Camargo Guarnieri no Carnegie Hall de New York e gravou os 5 Concertos de Villa-Lobos para a Decca, entre inúmeros discos, Cristina tem atuado também como solista/regente: no Musikverein de Viena, com a Orquestra de Câmara de Praga e com o Consort of London, em gravação para Collins Classics. Sua discografia inclui mais de 35 álbuns para os selos EMI, DECCA, BIS, Classical Record etc.
Ao me mudar para os EUA, fui inicialmente morar em Brighton, uma daquelas pacatas vilazinhas do entorno de Boston. Como precisava economizar, e queria me ver longe do ‘gueto’ brasileiro – pretendia dominar a língua inglesa -, parti para a região central da cidade, mais precisamente para a Rua Gainsborough, a mesma da universidade (New England) na qual estudava. Essa rua dá para os fundos do afamado Boston Symphony Hall (palco de uma das mais importantes orquestras do mundo) e faz esquina com a Huntington Avenue (foto acima, do Blog), lateral da mesma sala de concertos.
Desde o início, ouvia de colegas piadas que eu não entendia, como “cuidado com o estrangulador”, “mataram mais uma hoje?” Quando pedi explicação para aquele ‘bullying’, contaram-me algo em que não podia acreditar: no prédio 77, geminado ao meu (no 79), 17 anos antes, residira e cometera o primeiro assassinato o famoso ‘estrangulador de Boston’.
(Leia o texto completo em ‘O Progresso’ deste fim de semana, ou no Blog na próxima semana).
No dia 21 de agosto, foram celebrados com cantoria os 30 anos em que o Cururu foi recebido pelo Teatro Procópio Ferreira. Pois foi exatamente no dia 30 de agosto de 1981 que o Prof. Coelho, então diretor da instituição, trouxe violeiros e cantadores ao palco. (Veja este vídeo de 2010, abaixo). O ‘Esquenta Cururu’ do dia 21 trouxe de volta, três décadas depois, cururueiros, aficcionados e ‘novos cururueiros’ ao Teatro, com a presença do Prefeito Gonzaga.
Para quem não sabe, o Cururu é uma das mais fortes tradições do Médio Tietê, no Estado de São Paulo, e é encontrado em Tatuí, Tietê, Pardinho, Piracicaba, Cesário Lange e outras cidades da região. Diferentemente do desafio nordestino, meio falado e improvisado sobre apenas um acorde, a disputa musical do Cururu suporta melodias e harmonia mais complexas, além de requerer do cantador grande habilidade no uso das rimas, denominadas ‘carreiras’. As principais carreiras são a do ‘A’ (casá, namorá, cajá), a de São João (satisfação, oração), indo até as mais intricadas, como a de Santa Inês (vocês, fez, vez). Em outubro tem novo “Esquenta Cururu” no Teatro, e em novembro as duas semifinais e final. Venha! Você vai ajudar a manter viva a tradição, para que o temor de Abel Bueno não se concretize:
“O Cururu está em extinção, por falta de incentivo do Poder Público e até da nova geração, não por culpa deles, mas de falta de divulgação. Como eles vão valorizar o que não conhecem? Acontece que aqueles que sabiam da tradição do Cururu morreram todos e não deixaram herdeiros”
Resultado é o somatório do endereço anterior (UOL) e do atual (Blogspot). Desde 4 de junho no atual endereço, foram 95 postagens, sem contar as de hoje. O texto mais procurado é “Conduzindo miss Deise”, sobre o casamento de Deise Juliana, ex-Gerente de Comunicação do Conservatório de Tatuí, hoje residindo na Alemanha. A mais lida das últimas postagens, semana passada, foi “O Conformista e o perigo de nos acostumarmos”, sobre a corrupção endêmica do país. Bom sinal.
Projeto de Lei no 654/2011, do Deputado Estadual Samuel Moreira, tramita na Assembleia Legislativa de São Paulo. Passadas as 5 sessões regimentais, Projeto se encontra na CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação), para análise. Encerrada a tramitação, segue para o Plenário.
A Lei de Fundação, do Deputado Narciso Pieroni, foi aprovada em 1951 e é o símbolo maior da legalidade da instituição. Citada em todos os documentos, sites, projetos e históricos do Conservatório, de Tatuí, da Secretaria de Cultura e do Governo, a Lei 997/51 foi revogada por iniciativa do então Deputado Cândido Vaccarezza (PT) em 2006. Descoberta a revogação em 2010, foi feito um trabalho de bastidores que culminou com a apresentação, com a devida sustentação formal e legal, à Assembleia Legislativa de São Paulo, de Projeto por parte do Deputado Samuel Moreira (PSDB) fazendo voltar a valer a Lei de criação da entidade. Os próximos desdobramentos serão sempre divulgados, para que esse caminho histórico seja compartilhado pelos que amam e trabalham pelo Conservatório de Tatuí.
“La Serva Padrona” de Pergolesi, será apresentada no dia 1º de setembro, às 20h30, e “Orfeu no Inferno”, de Offenbach, no dia 4, no mesmo horário, abrindo e fechando o ‘II Encontro Nacional de Canto’. Para quem mora em Tatuí, os eventos do mês estão no ‘outdoor’ externo (foto). Para quem reside fora, o link está em ‘Programação’, no site: