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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

SAI DE CAMPO ORLANDO, ENTRA REBELO

ORLANDO SILVA: LITERALMENTE, A BOLA DA VEZ
Crise teve a duração de um pavio. Aceso

a data de ontem, 26 de outubro, o Planalto anuncia de vez a saída do Ministro que não queria sair, entregando ao PC do B de Orlando a tarefa de indicar a substituição. Na bolsa de apostas, um bom quadro: Aldo Rebelo. A favor dele, a inteligência e a integridade, ao menos pelo que sei. No passado comum com outros membros e ex-membros do Governo, a UNE e a militância na AP (Ação Popular).


nteligente, mas muito antiquado, Rebelo insiste de forma radical em nacionalizar completamente a língua brasileira, com o que em parte devemos concordar: apagar, ao invés de deletar, ligação, e não interface, e outras besteiras que a informática leva os jovens a uma linguagem quase hermética e permissiva com os erros mais crassos. Contudo, o exagero pode ser tão pernicioso quanto a censura e a obrigatoriedade de se aplicar e se cobrar somente a chamada ‘língua culta’ em português ‘castiço’.

Dá para fazer ilações e mesmo brincadeiras, pois é com bom humor que devemos enfrentar os desafios e crises e é com esperança que confiamos que o próximo Ministro seja honesto e eficiente. Já são seis nesse ‘dominó ministerial’! Ontem, papeando com amigos, imaginei como seria o esporte do paulistano (!!) Charles Müller, o “football” (de onde ‘futebol’), que ele trouxe para o Brasil junto com o ‘rugby’. O Congresso Nacional decreta e a Presidente da República, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Constituição Federal, sanciona a seguinte Lei: fica proibido dizer 'futebol' (de 'football'), que passa a se chamar 'chutebola'; ‘gol’ (de ‘goal’), que passa a ‘tento’, apenas; ‘pênalti’ (de ‘penalty’) vira ‘penalidade’, ‘corner’, canto. Na natação, não se nada mais em estilo ‘crowl’, e sim peito, e só. No tênis, nada de dizer ‘sets’, e sim ‘partidas’, nem ‘games’ e sim jogos. No ‘Golf’, bem no Golfe, ai, ai...

IVAN CAMARGO E A UBE

IVAN CAMARGO LEVA PRÊMIO INTERNACIONAL
Vencedor na categoria peça de teatro da UBE é tatuiano

O autor do divertido “Assombrações caipiras” e jornalista tatuiano Ivan Camargo venceu o prêmio da UBE (União Brasileira de Escritores) com a peça teatral “Até que a morte nos enlace”. A obra chamou a atenção por colocar em exposição um tema tabu, nos dias de hoje, e que é um assunto frequente também nos editoriais do jornalista: os exageros do chamado ‘politicamente correto’. A premiação acontecerá em  cerimônia na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro. A entidade já foi presidida por brasileiros ilustres como Sergio Milliet, Antonio Cândido, Sérgio Buarque de Holanda e Lygia Fagundes Telles.

Trocando em miúdos, Ivan trabalha sobre essa coisa de ter de dizer ‘homoafetivo’ e não ‘homossexual’, ‘afro-descendente’ ao invés de ‘negro’, e ‘portador de necessidades especiais’, e não ‘deficiente físico’ ou ‘cego’, só para citar alguns exemplos. O texto pede apenas quatro personagens, e, além da verve cômica, a peça coloca em discussão um assunto sério, a crítica dessa chatice conhecida por ‘politicamente correto’.

Bem antes mesmo de Ivan cogitar concorrer ao prêmio, no ano passado, recebi uma cópia do texto, que li e repassei ao Carlos Ribeiro, Coordenador da área de Artes Cênicas do Conservatório de Tatuí. Se antes já havia a disposição de montar a peça, agora, mais ainda, a apresentação na cidade natal do escritor, jornalista e dramaturgo passou a ser uma missão a ser cumprida. Vamos aguardar 2012 com menos citações politicamente corretas e a encenação da peça!

PRÉ-ESTREIA NA TV

PRÉ-ESTREIA NO CONSERVATÓRIO DE TATUÍ
Semifinal do programa da TV Cultura acontece na cidade

Gravação ao vivo será no sábado, 5 de novembro, às 17h30, no Teatro Procópio Ferreira. Confira:


JUSTIÇA FEDERAL E MAIS DOAÇÕES

MAIS DOAÇÕES DE INSTRUMENTOS PELA JUSTIÇA FEDERAL
Substituto do Dr. Fausto de Sanctis na 6ª Vara Federal liberou mais R$ 18 mil. O critério de escolha será o mesmo de antes: talento e carência

Desta vez, haverá a escolha dos instrumentos para áreas que mais necessitam: um trompa e um teclado de percussão (uma marimba ou um xilofone, por exemplo). Depois, a triagem dos que estão aptos a receber por necessidade financeira, e, por último – mas não necessariamente nesta ordem -, pelo talento.

Quando da visita do Dr. Fausto ao Conservatório de Tatuí, em agosto, houve várias demonstrações de que as escolhas estava acertadas: o nível foi bastante alto. Como antes, será lavrado um termo de acordo, e o instrumento ficará sob a posse precária dos alunos contemplados, que não poderão ser reprovados e deverão devolver os objetos recebidos caso desistam do Conservatório antes de se formarem. 

BEETHOVEN E A REPÚBLICA

NAPOLEÃO BONAPARTE E BEETHOVEN:
DOIS GÊNIOS E DUAS MEDIDAS
(A ser publicado em ‘O Progresso’)

A imagem que restou do grande conquistador francês é romantizada e deturpada, fixando-se muito no período imperial. O grande líder, nascido na Córsega e apreciador de bons vinhos e boa música, aos 16 já era oficial da artilharia. Aos 24, chegou a General de Brigada e, aderindo à Revolução, aos 27 alcançou o posto de Comandante em chefe do Exército francês, como Generalíssimo. Napoleão acabou com a corrupção na França, cessando a indignação do povo contra os políticos; elevou o padrão de vida dos cidadãos e restaurou-lhes a autoconfiança; dotou o país de Códigos Civil e Penal. Chegou ao apogeu depois do chamado 18 Brumário, golpe militar analisado muitos anos depois por Karl Marx, em uma de suas inteligentes investidas no ramo da história (“O 18 Brumário de Luís Bonaparte” aborda o golpe que abriu caminho para Napoleão tornar-se ditador). Bonaparte também cultivava as letras, lançando-se a aventuras históricas em que mais distorcia os fatos a seu favor do que contribuía para o futuro, como é o caso de seus comentários sobre “O Príncipe”, de Machiavel, obra dedicada à arte do poder e da guerra. Napoleão baseava-se nos seus feitos e erros para comentar ou justificar-se aos escritos de Machiavel, e lançava suas reflexões à parte, mais do que à análise da obra do italiano.
No início, por suas ideias e atos, Napoleão foi idolatrado. Cativava a Europa com fama tal que dobrou Beethoven,  conhecido por não se curvar sequer perante príncipes e monarcas. O compositor dedicou-lhe sua 3ª Sinfonia (“Eroica”), concluída em 1804. Pairavam no ar os ideais da República, da ‘liberdade, igualdade e fraternidade’, mas a ambição napoleônica começou a invadir não apenas terras distantes do domínio francês quanto a perturbar sua própria mente - que, alçada em vôo por uma inteligência privilegiada, levou-o a atos insanos: em 1803, conseguiu que o Senado o sagrasse Imperador, destruindo assim as aspirações republicanas do povo. Por causa disso, Beethoven, irado, riscou a dedicatória que antes havia escrito em homenagem ao militar francês no frontispício da partitura de sua “Eroica”, no que fez um dos grandes protestos individuais da história. Pena: o brioso Imperador perdia assim uma homenagem monumental - seu próprio nome eternizado em plena incursão de Beethoven no romantismo, talvez a primeira em vulto. Beethoven estava encantado pelos ideais da Revolução Francesa, tendo sido tomado pelas ideias republicanas durante sua estada em Viena, onde também viviam Schiller e Goethe, dois literatos envolvidos com os novos ideais. 

Logo ele, Napoleão, que disse que “amava o poder como um músico ama seu violino, para dele poder extrair sons, acordes e harmonias!” O protesto de Beethoven deve ter sido um golpe bastante forte na egolatria que assaltara a cabeça do Imperador francês. Goethe classificou o gênio alemão como “uma criatura absolutamente indomável” – aliás, como o garboso Napoleão, o compositor se dizia tão perfeito em sua arte que se considerava acima de qualquer crítica. Igualava-se, em grandeza, ao Imperador que havia renegado. Mas quem saiu perdendo foi Napoleão. Que dedicatória memorável deixou de ter! Para a música de sua suntuosa coroação como Imperador, o francês teve de contratar o italiano Giovanni Païsiello (bom músico, mas pequeno, diante da sombra de Beethoven) para obras de grande envergadura: uma ‘Missa’ e um ‘Te Deum’ para nada menos que duas orquestras e dois coros, em festa coberta com ouro e pompa à altura das melhores coroações do longo Império inglês.
Vendo naufragar a economia e, com ela, seu poder na França, Napoleão foi forçado a se exilar na costa Toscana, na Ilha de Elba, em 1814, onde, em 1815, soube-se definitivamente destronado, após o desastre da histórica batalha de Waterloo. Foi para o desterro na ilha inglesa de Santa Helena, onde morreu 6 anos depois. Deixou o mundo admirando a arte dos sons, dizendo que “a música é a voz que nos diz que o ser humano é muito superior ao que ele se imagina”. Perdeu a chance de entrar para a história como um ícone de República, da libertação dos povos e dos ideais mais profundos da Civilização. Tivesse sido assim, talvez Beethoven não apenas teria mantido a dedicatória da “Eroica”.

Napoleão, se tivesse entrado para a história como libertador, e não como um ditador louco, poderia ter recebido a glória maior que um ser humano poderia obter na Terra como homenagem póstuma: a 9ª Sinfonia de Beethoven, com o belo poema de Schiller magistralmente musicado pelo gênio alemão: “Todos os seres bebem alegria / no seio da Natureza / Todos, os bons e os maus / seguem uma trilha de rosas / ela (N.A.: a natureza) nos deu beijos e vinho / e uma amizade leal até a morte / levou força aos humildes / e ao querubim que se levanta diante de Deus”.

6 MESES DE BLOG!

BLOG SUPERA 9.200 ACESSOS EM 6 MESES
Veja alguns detalhes

No dia 26 de outubro, quarta-feira, este blog completou mais de 9.200 visitas (em seis meses de existência), sendo a grande maioria, claro, do Brasil, e dentre esses certamente a grande parte de Tatuí. A seguir, Estados Unidos, quase empatada a Alemanha, Reino Unido, Portugal, Rússia, Suécia, Itália, Emirados Árabes e Holanda. Há brasileiros ‘plugados’ em nossas coisas em todos os cantos do mundo. (Graças à informática, que veio para resolver problemas que nunca antes existiram).

As dez postagens mais lidas foram, nessa ordem: “Filme novo?” (12/09/11), uma comparação das dificuldades políticas de Dilma com aquelas por que passou Luiza Erundina na Prefeitura de São Paulo (1989/1992); “O lado obscuro da soja” (22/06/11), baseada em pesquisas que apontam malefícios diversos provocados pela ingestão de soja e comparações com o leite de vaca; “Conduzindo Miss Deise” (08/08/11), sobre o casamento da jornalista Deise Juliana; “Elvis Presley e Lisa Marie: a tecnologia do impossível” (14/10/11), comentando um ‘quase hoax’, gravação póstuma de Lisa com o pai; “A mais importante matéria” (22/07/11), sobre a Lei de Cândido Vaccarezza, em 2006, quando ainda era Deputado Estadual, projeto que, aprovado, extinguiu, por deslize, a lei 997/1951, do então Deputado Narciso Pieroni, que criou o Conservatório de Tatuí (ora aguardando parecer na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa, após pauta de cinco sessões regimentais); “Fossa e alegria” (30/09/11), sobre música de fossa e de alegria; “Blog muda de endereço” (29/06/11), sobre a mudança deste blog do UOL para o Google (“Blogspot”); “Jonathan, menino prodígio, maestro” (15/07/11), sobre uma criança regendo uma orquestra; “Jonathan, menino prodígio, rege Strauss” (18/07/11), sobre outro vídeo do menino, e, finalmente, “O conformista e o perigo de nos acostumarmos”, que aborda o filme de Bertolucci (1970), “O conformista”, e o perigo que enfrentamos se começarmos a achar a corrupção uma normalidade.

2012: CENTENÁRIO DO 'VELHO'

ELEAZAR DE CARVALHO 2012: OS 100 ANOS
DO VELHO MARINHEIRO

Em 2012, vamos celebrar os 100 anos de nascimento daquele que foi o maior regente da história de nosso país. Respeitado não só aqui, mas em todo o mundo marcou história. (Eu mesmo, nos EUA, volta e meia encontrava músicos que haviam tocado com ele e regentes que haviam estudado com o “Velho”).

Não havia conversa fiada, aquilo de “comer rapadura e arrotar caviar”. Eleazar era admirado como um grande nome no mundo sinfônico. Com seu jeito sisudo e brincalhão (se é que alguém mais consegue ser os dois ao mesmo tempo), piadista e exageradamente pomposo, levava as orquestras ‘no braço’, com domínio absoluto. O mundo sinfônico do Brasil se divide em dois: antes de depois de Eleazar, e está para nascer quem consiga fazer-lhe sombra como regente e ser humano.

Por trás de sua estudada figura carrancuda, parte de seu ‘show’, Eleazar tinha o coração mole como o de uma criança. Conheci-o de perto e privei de uma amizade que só terminou quando o perdemos, anos após minha saída da OSESP. Seu lado humorístico era impagável, e seus defeitos desapareciam por trás de seu carisma. Faz falta. Mas éramos felizes e sabíamos!!!

MÚSICA ORQUESTRAL ALEMÃ

CONSERVATÓRIO DE TATUÍ FECHA PROJETO
Música orquestral alemã tem apoio de empresas sediadas no Brasil

Agora já pode ser divulgado: a Daimler (Mercedes-Benz), a Hamburger Süd e a Allianz fecharam apoio em incentivos fiscais que somam R$ 195 mil para projeto do maestro berlinense Felix Krieger e com o Conservatório. A verba pagará despesas com o regente (que foi assistente de Claudio Abbado e aluno de Giulini), solistas, transportes, etc., e levará o nome da Sinfônica do Conservatório a São Paulo em duas ocasiões, fora os concertos em Tatuí: uma, em espaço da periferia, e outra, de gala, na Sala São Paulo. Contando o concerto beneficente do TUCCA e a final do programa ‘Pré-estreia’, da TV Cultura, a orquestra terá se apresentado no melhor auditório do país 3 vezes em 2011.

Agora que o depósito caiu (os melhores negócios são fechados em silêncio) dá para divulgar: o projeto da Orquestra Sinfônica começa a ‘decolar’ em dezembro!

No vídeo (acima) disponibilizado no Youtube, Krieger rege a Sinfônica do Conservatório em Tatuí.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

ORLANDO SILVA E A ÚLTIMA CANÇÃO

ORLANDO SILVA, ‘CANTOR DAS MULTIDÕES’
Falecido em 1978, era considerado dono da mais bela voz

Orlando Silva canta "A última canção"

Foi o locutor de rádio Oduvaldo Cozzi quem colocou o apelido ‘cantor das multidões’ no carioca Orlando Garcia Silva, que fez enorme sucesso com “A jardineira”, “Carinhoso” e “Sertaneja”. Fazia as mulheres chorarem e os homens se embevecerem.

No entanto, os olhos dos últimos dias estão voltados para o Ministro dos Esportes, também Orlando Silva (PC do B), que ‘não canta’, como diria a piada de músicos, ‘mas rege’. Na sequência dos Ministérios  da Agricultura, Turismo, Transportes, Defesa (este por decisão própria) e Casa Civil, Orlando é a ‘bola da vez’. Contratos com ONGs cujos serviços eram parcialmente prestados, compra de enorme terreno em Campinas que passa sobre um gasoduto da Petrobrás – que está seriamente cotado para desapropriação pela estatal -, denúncias de um Policial Militar... tudo isso povoa jornais, revistas e mesmo o ‘Fantástico’. Não depende de decisão de Congresso: Silva é cargo de confiança e a decisão de um Presidente é monocrática. A fritura castiga mais do que o abate, diria a lei judaica sobre o ‘kosher’.

O Orlando Silva ministro é como um canário que não canta... mas manda, como diz uma piada de músicos sobre maestros. Como diziam os panfletos jogados pelos aliados na Segunda Guerra (para quem for ao Rio, há alguns expostos no Monumento aos Mortos da II Grande Guerra, na orla do Aterro do Flamengo): “sag warum?” (“diga por quê?”). Por que tanto se lesa e se assalta os cofres públicos neste país?

'FACEBOOKSON': UMA PIADA, NÃO UMA FRAUDE

'FACEBOOKSON': UM ‘HOAX’ GENUINAMENTE NACIONAL
Blog sensacionalista posta ‘hoax’ que virou notícia

O “Sensacionalista”, que se auto-intitula um blog “isento de verdade”, lançou um ‘hoax’ (notícia fraudulenta) que virou verdade. Ao menos por uns poucos dias.

Anderson Cerqueira, motoboy, teria ido ao cartório tentar registrar seu filho como Facebook (ele e sua esposa Janete teriam se encontrado na página de relacionamentos da Internet), mas houve recusa, pois, segundo ele contou, o oficial do primeiro cartório teria se negado a registrar um nome estrangeiro (como se não existissem Wellingtons, Washingtons, Jeans, Elvis...). Daí ele ter registrado o filho como ‘Facebookson’, alegando que ele próprio era Anderson.

O fato teria repercutido no “Daily Bulletin” (ver imagem), tablóide de Inland Valley, na Califórnia, e alcançado o mundo, transformando-se talvez no ‘hoax’ brasileiro mais bem sucedido, se é que dá para dizer assim.

O site “Sensacionalista”, como o título sugere, é mantido por pessoas que querem apenas divertir os leitores, mas dessa vez a brincadeira do órgão que se auto-qualifica como ‘isento de verdade’ passou por verdadeira. Por fim, devem ter se esbaldado de rir com a repercussão inesperada.