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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

VENCEU O CURURU!
Votorantim leva o 1º Prêmio no III Torneio Estadual

Realizado pela primeira vez no palco do Teatro Procópio Ferreira, com um cenário perfeito do artista Jaime Pinheiro (uma perfeita ‘vendinha’ da roça), Andinho e Arlindo, de Votorantim, foram os vencedores, deixando Zé Pinto e Zacarias (Josué na viola), de Tatuí, com a terceira colocação. [Foto: Kazuo Watanabe]

Casa cheia, a grande maioria jamais havia colocado os pés no Teatro, mesmo vivendo há décadas em Tatuí; o cururu foi o apelo para que conhecessem a casa, que para eles sempre foi vista como ‘de elite’. Mas veja: uma doméstica que esteve presente – sentiu o apelo popular e tomou coragem – gostou tanto de estar ali que disse que virá ao próximo concerto da Banda Sinfônica! É o que queremos, todos assistindo.

Formar público, claro, sempre. Mas desta vez buscando nos peões, domésticas, comerciários, lojistas e periferia: mais público para o cururu e todo tipo de música de qualidade. É assim que se faz inclusão, não é apenas mote de discurso.

Parabéns aos nossos bravos Zé Pinto, Zacarias e o violeiro Josué. Vamos afinando para a versão do ano que vem, que contará simultaneamente com um concurso nacional de luteria (fabricação artesanal) de viola caipira, uma arte que tem inúmeros mestres Brasil afora.

Viva o Cururu vivo!

INDISPENSÁVEL: FABRICAÇÃO DE ARCOS

OFICINA DE FABRICAÇÃO DE ARCOS
Uma maratona inédita no Conservatório

Aconteceu de 21 a 25 de novembro a primeira oficina de fabricação de arcos de instrumentos de cordas do Conservatório de Tatuí. Os especialistas Renato Casara e José Carlos Rossoni Ramos, da tradicional cidade de João Neiva, no Espírito Santo, com larga experiência na fabricação dos artefatos, fizeram os 13 alunos do curso de luteria travarem contato intenso com a arte da ‘archeteria’ (fabricação artesanal de arcos), bastante diversa da fabricação de instrumentos. [Foto: Oficina de arcos em Tatuí. Kazuo Watanabe]

Muitos músicos consagrados dizem que preferem um ótimo arco e um violino medíocre do que um ótimo violino e um arco medíocre. Daí a importância do arco. Os mestres de João Neiva e os alunos do Conservatório estão reunidos diuturnamente no Setor da Luteria (para os que quiserem conhecer, as novas instalações ficam na  Av. Firmo Vieira de Camargo, 392, fone 15 3259-3835, com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.

Por coincidência, minha tese de doutorado, que reverteu no livro do mesmo título, foi sobre ‘O arco dos instrumentos de cordas’ (Ed. Vitale, 2a. ed.), de forma que é especialmente gratificante ver introduzido, mesmo que por ora experimentalmente, o ensino da archetaria no Conservatório, o que pode vir a ser um projeto para o futuro.

O Brasil é especialmente rico no que existe de mais importante para a fabricação de um arco: a madeira da vareta. É universalmente aceito como o melhor material, desde o século 19, o ‘pau-brasil’ e algumas de suas variedades, como o ‘pernambuco’. Há uma dessas árvores (cuidado: elas são proibidas de serem cortadas sem replantio!) em frente ao Teatro Procópio Ferreira, plantada há 30 anos pelo motorista Durvalino Longanezzi.

A madeira contrabandeada para o Japão, Europa e EUA (e frequentemente apreendida pelo Ibama) chega no mercado externo a custar 100 dólares (R$ 180,00) a vareta crua, dependendo da qualidade. Um arco pronto, de boa qualidade, não sai por menos do que 2.000 dólares.

Já os feitos pelos grandes mestres do passado, principalmente os franceses, chegam a ser leiloados por 20, 40 mil dólares ou mais: Tourte, Voirin, Lupot, Vuillaume. Sem falar nos não-franceses de ponta, como Nürnberger, Pfretchner e Hill’s. Uma cópia de Pecatte feita por Vuillaume foi vendida pela casa Bonhan’s, de Londres, por 50 mil libras – ou seja, quase 150 mil reais. O recorde ficou em 150 mil libras: R$ 434.000,00. (Na foto, um 'Tourte')

O Conservatório mantém a arte da luteria tradicional, das ferramentas artesanais do passado, sem máquinas, das formas modelo italiano, pois os grandes instrumentos assim foram feitos. E, se é assim, com os arcos não poderia ser diferente. Ao final desta semana, cada aluno terá construído seu primeiro arco, abrindo-lhe caminho para aperfeiçoar-se e render-se ao enorme mercado de instrumentistas do Brasil (e quem sabe do exterior?).

VIAOESTE, IRMÃ DO CONSERVATÓRIO DE TATUÍ!

CONSERVATÓRIO RECEBE MAIS 150 MIL REAIS EM INSTRUMENTOS VIA LEI ROUANET.
Contrato foi celebrado com a Viaoeste, que forneceu o suporte financeiro para as compras.

Por meio da Lei de Incentivo Fiscal, o Conservatório vai adquirir ainda em dezembro um trombone alto (completando, assim, o naipe desses instrumentos), um contrabaixo sinfônico e um contrabaixo acústico preparado especialmente para MPB/Jazz. Com a ‘sobra’, serão adquiridos pelo menos mais 7 pianos Steinway/Boston de armário.

O ideal seria fazer como nas escolas americanas: um piano em cada sala de aulas, pois todos os instrumentos necessitam de um piano, seja para aulas ou para trabalhar sonatas, peças acompanhadas, etc. Talvez já estejamos no início deste processo.

A MÚSICA AGRADECE À JUSTIÇA FEDERAL!

JUSTIÇA FEDERAL ENTREGA MAIS 15 MIL
EM INSTRUMENTOS A ALUNOS CARENTES
Juiz Federal confirma decisão do Desembargador De Sanctis

O Juiz da 6ª. Vara da Justiça Federal, Dr. Douglas, que sucedeu o Dr. Fausto de Sanctis (hoje Desembargador) no posto, confirmou e determinou o direito de compra no valor de R$ 18 mil, ‘resto’ da verba doada para a compra dos 11 instrumentos já entregues aos alunos.

A sobra foi obtida por negociação nos preços com os fornecedores, sendo que um deles ofereceu descontos de até 40% nos preços de tabela. Desta vez, os novos instrumentos - que já estão comprados – são um xilofone, uma trompa e uma flauta transversal.

O processo de escolha se dará pelo apontamento de um nome por cada professor da área contemplada, e dentre eles serão doados cada um dos instrumentos, tendo como critério o aproveitamento nos cursos e a carência financeira. Como sempre, o aluno terá a guarda provisória dos instrumentos, e deverá comprovar bom rendimento nos estudos até a conclusão do curso, quando terá a propriedade definitiva.

Dr. Fausto discursa em homenagem feita pela ALERJ


E por falar em De Sanctis, dia 5 de dezembro ele estará na Câmara Municipal de São Paulo, às 19h30, para receber a mais alta láurea paulistana: a Medalha Anchieta. Alguns alunos que receberam instrumentos irão homenageá-lo na cerimônia – tocando, é claro.

O STF E A MARCHA DA MACONHA: O RETORNO

SUPREMO AVANÇA NA QUESTÃO DA LIBERAÇÃO DAS MARCHAS PELA LEGALIZAÇÃO DA MACONHA
Ministro Celso de Mello endossa voto de Ayres Britto

Pela segunda vez este ano o tema é julgado pelo STF. Na primeira, o relator Ministro Celso de Mello votou (e foi acompanhado pelos colegas) pela liberação das marchas. Desta vez, em outra ação, o relator Ayres Britto reafirma a posição pró-marcha, inclusive a movimentação pela liberação de entorpecentes.

Celso de Mello afirmou que “nada impede que esses grupos expressem livremente suas ideias”. Gilmar Mendes questionou Mello sobre a possibilidade da organização também de marchas em favor da pedofilia, mas Celso de Mello saiu-se com essa: “Podem ser ideias inconviventes, conflitantes com o pensamento dominante. Mas a mera expressão de um pensamento não pode constituir objeto de restrição”.

A livre manifestação popular, cada vez mais, desde que ordeira, pacífica e sem ataques à honra e dignidade de pessoas ou autoridades, tem sido vista como inevitável. A sociedade, ainda ‘verde’ no assunto, geralmente tem reações radicais contra essas manifestações, especialmente a classe média mais conservadora. Cabe aos pais, igrejas, escolas e a saúde pública educar.

A discussão caminha no âmbito correto: legal, social, psicológico, e principalmente de saúde pública, muito embora no Brasil ela esteja em fase ainda muito embrionária. Somente o tempo vai levar a conclusões mais esclarecedoras e a soluções que minimizem o problema.

Os Ministros entenderam que os protestos pela legalização da maconha não constituem apologia ao crime (desde que não o façam, claro), e o considera constitucional. Já nos tempos de Woodstock, da guerra do Vietnã e outros (idos dos anos 1960), era comum ver nos EUA camisetas, bottoms, bandeiras com palavras de ordem de todos os tipos, como ‘burn pot, not people’ (‘queime fumo, não pessoas’). O Brasil, sempre foi pudico (mas só nas aparências: muitos pais, incluindo aí os que se dizem conservadores, sabem das ‘trangressões’ de seus filhos, das drogas, dos abortos, das ‘baladas’, etc.). Mas segue rumo à discussão do que é ‘um Direito’ e o que é direito, no sentido de correto. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como se diz por aí.

[Nas fotos acima, um jovem porta um cartaz: “Legalizem a cannabis, não somos criminosos”. No outro, um pôster popularmente vendido: “Legalizem a maconha. Esvaziem as prisões, terminem com o Estado Policial”. Não tenho notícia de que alguém tenha dado muita ‘bola’ para essas manifestações... nas últimas décadas (!!!), nos EUA]

ASFALTO EM PORTIMÃO

NÃO PRECISA SER IMPIEDOSO COM NOSSO POVO IRMÃO
Poderia ter acontecido em qualquer lugar. Mas foi em Portimão, Portugal, e é divertida a cena.
O Prefeito da cidade de Portimão, região do Algarve, muito empreendedor, mandou arrancarem os paralelepípedos do centro e asfaltar as ruas. Muito impacientes por causa do asfalto que trabalhadores da Prefeitura acabaram de pavimentar, os afoitos pedestres resolveram atravessar.
Os portimenses, blogando aqui e ali, dizem que Portimão já era asfaltada, e que aquele vídeo na verdade tinha sido gravado em Coimbra. En passant, Portimão é uma cidade linda, com uma praia maravilhosa.
As imagens falam por si. Não é hoax, é notícia mesmo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

ANA, DILMA E OS LOBOS
Filme de Carlos Saura (1973) parece uma alegoria sobre a crise com o Ministro Lupi

Estrelado por Geraldine Chaplin, no papel principal, “Ana y lo lobos” é uma obra-prima de Saura. Ana se transfere para o interior da Espanha, onde deverá ser babá de 3 crianças. No entanto, o que ela encontra é uma família desagregada, com uma idosa de pensamentos mórbidos e neurótica, cujo filho vestiu-se com lingerie e roupas femininas sob as roupas de sua primeira comunhão - e possui espírito militarista. O pai das meninas tem instinto pornográfico e pedófilo, enquanto a esposa tem instintos suicidas e o irmão dela, Fernando, sofreu flagelo na infância e passou a morar em uma caverna. Os três irmãos caem na mais pura degradação, recheada de tragédias a partir da chegada de Ana.

Lupi é sobrenome que vem da mesma raiz de lupus, ou lobo, em latim. Oportuno. Há várias impressões na crise instalada em Brasília e nos Ministérios (a de Lupi é o sétimo a tremer). Uma das impressões que se tem é que Dilma se encontra refém, que os Ministérios têm ‘donos’, etc. Essa a mais fácil. Outra, a de que Dilma quer tirar Lupi mas o PDT ‘segura o Ministro’ com força. Também equivocada. Por fim, o que parece claro na imprensa de hoje é que o único que quer ficar é o próprio Lobo. Dilma, aparentando ser dócil como a Ana dos lobos, aguarda mais provas, enquanto o partido já quer a troca, o que parece deverá acontecer depois do comparecimento de Lupi ao Senado, hoje (17 de novembro), para comprovar o que não pode ser comprovado e defender-se do que não há como se defender. O rei, ou melhor, o ‘lobo’, está nu.

Qualquer administrador, em qualquer nível, que ouve ‘daqui só saio a bala’ de um subordinado em cargo de confiança – chamado ‘de livre nomeação e exoneração’ – teria sido menos ‘Ana’ e mais ‘Lobo’. Não se esconderia em uma caverna e não se autoflagelaria em prolongado sofrimento. Só sai ‘a bala’? Qualquer um diria na hora: então vai com uma de prata, daquela de matar lobisomem, e que já está ‘na agulha’ (como diz o jargão): bum!

CRISTÃOS QUEIMADOS VIVOS: UMA FRAUDE

‘CRISTÃOS QUEIMADOS VIVOS NA NIGÉRIA’
Um ‘hoax’ perigoso ressurge em português exibindo foto um monte de corpos queimados “na Nigéria”

O texto traz uma foto aqui por mim adulterada de propósito, mas que serve para se ter uma ideia da dimensão dos corpos empilhados - mas é uma mentira: os corpos são de vítimas de um caminhão-tanque que explodiu em uma aldeia do Congo, e não da Nigéria, e nunca um assassinato em massa por muçulmanos. Não foram vítimas de sunitas, isso é invenção pura. E cuidado: os que espalharam este 'hoax' o fizeram isso em nome dos “cristãos” (sic).

Pergunta: quem ganha com isso? Incitar o ódio contra os muçulmanos por meios fraudulentos e criminosos serve a quem? A matéria original (acidente no Congo), de 4 de julho de 2010, pode ser lida em algumas versões nos sites:

Explosão de caminhão-tanque mata 230 e fere 100 no Congo (Estadão)

Explosão de caminhão-tanque mata mais de 230 no Congo (O Globo)

Cristãos queimados vivos por muçulmanos sunitas da Nigéria (Senza)

CHEGOU A HORA DO CURURU!

O CURURU NÃO MORREU, MORREU NÃO!
17, 18 e 19 de novembro, às 16h
Teatro Procópio Ferreira

Ele corre nas ruas, botecos e igrejas, nos caminhos do cidadão, nas trovas e nas carreiras nos versos em devoção, na voz e viola do jovem, do adulto ou do ancião. Verve sorto como assum preto, que é passarinho que avoa no céu como fosse avião, cantando até com voz rouca, sem carecer rouquidão. Noel, Chiquito, obrigado! E salve, Paulinho seresteiro, Nogueira raiz deste chão, e tantos que já se foram, e honraram esse cantochão (e aos os que aqui continuam e que depois de nós ficarão).

Tatuí, lar do Torneio, um dos berços da tradição, recebe hospitaleira esta terceira edição, depois de dois dias de ‘Esquenta’ (‘amistoso de seleção’), palco de louvar ou lutar, como leva o coração, guarzinho o rumo da água, que segue sem direção, nos versos escorrem palavras, seja rival ou irmão, no rio do cururu, no leito da prosação. A  ponta da língua é faca, é trova, poesia ou facão, pois canto é coisa de macho, como na rinha o esporão, e a rima do boiadeiro, ou mesmo roceiro ou peão, é ouro de prosador, verso de pura invenção.

Recebam de braços abertos esta terceira edição (do cururu deste Estado, que é festa de invenção!). Venham Cesário e Agudos (de dupla de campeão), Botucatu e Tatuí, que honra com este chão, Pardinho, linda e pequena, São Manuel da oração, sem contar Votorantim, indústria da construção, e Porto Feliz que é bem-vinda, na primeira participação.

E digam aos quatro cantos, pros ventos de todo rincão, que o cururu está vivo, tá forte como garanhão, e se espalha como o fogo (em cana seca no chão). E se perguntarem se viu, diga com muita emoção: o cururu está vivo, ele não morreu, morreu não!


Video de 2010 em Tatuí, com a saudações e saúde ao mestre João Mazzero

REESCREVENDO NAPOLEÃO E BEETHOVEN


Napoleão Bonaparte assumiu a liderança da Revolução Francesa, tendo em 1804 recusado vender-se à nobreza em troca do título de Imperador. Ao contrário, fiel aos seus princípios, proclamou a República, tendo sido eleito o primeiro Presidente francês por esmagadora maioria de votos. O fato repercutiu imediatamente pelo mundo inteiro, e seus ecos propagados em efeito dominó, a começar pela Itália.

Em 1815, a República Francesa venceu a sangrenta batalha de Waterloo, e em seguida as forças prussianas. Ato contínuo, Napoleão invadiu o Reino Unido, ajudando os rebeldes ingleses a instalar um regime provisório, sob a liderança de Lord Byron, que queimou seu título de nobreza para juntar-se e aderir à causa. Farrista e mulherengo (seu último livro, “Don Juan”, é quase uma autobiografia), Byron foi eleito presidente da República Bretanha Unida. A Câmara dos Lordes foi convertida em Senado e a dos Comuns em Câmara dos Deputados. Acossada pelo povo, a família real inglesa foge para as Ilhas Virgens, deixando suas jóias, pertences e fortuna, o que exterminou a miséria do povo britânico, logo tornado o mais rico da Europa, sob uma justiça social sem precedentes.

Os revolucionários também derrubaram a monarquia na Áustria e na Hungria, para evitar que esses países líderes se aliassem no futuro em um busca de um novo e fortalecido Império, que abarcaria diversos outros países; essas nações vizinhas transformaram-se igualmente em repúblicas.

Encantado, Beethoven risca na partitura de sua sinfonia ‘Eroica’ o nome do Príncipe Lobkowitz, passando a dedicá-la a Napoleão, que foi visitar em agradecimento o gênio de Bonn em Viena, capital da República Austríaca, encontro que contou com outro admirador de Bonaparte, Wolfgang von Goethe.

Porém, antes de tudo isso, já estava consolidada a República dos Estados Unidos da América, sob a presidência de George Washington, tornada pátria independente. No Brasil, um grupo liderado pelo alferes Xavier, de alcunha ‘Tiradentes’, iniciou em Minas o estopim de uma rebelião nacional, e declarou a Independência, libertou os escravos e proclamou a República, que o elegeu Presidente. A Família Real, já sem medo de que um forte Império se instalasse na Europa e invadisse Portugal, aceitou o exílio em seu país, o que foi feito com a condição de colaborarem com a proclamação das repúblicas portuguesa e espanhola.
As Forças Republicanas Europeias Unidas (FREU) criaram uma nova e fortíssima moeda continental, e levaram os ideais republicanos aos países do Leste Europeu, notadamente a Rússia, cujo Czar, suas famílias e  nobreza foram perseguidos, fugiram ou simplesmente desapareceram: o povo libertado estava ensandecido.

O mundo chega em 1929 debelando uma crise econômica nos EUA com o auxílio do poderoso FRI, Fundo Republicano Internacional, que salvou a economia global de um desastre sem precedentes. Dissolvidos os impérios, evitara-se uma guerra de proporções mundiais cuja sombra parecia inevitável; um segundo conflito mundial mal chegou a ser cogitado. Com a riqueza dividida, o mundo conheceu a paz e a prosperidade.  

Napoleão morreu envenenado em 1824, e Beethoven a ele dedicou uma das maiores obras-primas já concebidas pelo homem, sua Nona Sinfonia, cujo último movimento inova com um coral, conhecido como “Ode à alegria”, música sobre um poema de outro admirador dos feitos napoleônicos, o grande poeta alemão Schiller. A “Ode”, no cortejo fúnebre de Napoleão, foi cantada por mais de 5 mil vozes, conclamando o mundo à alegria, ao amor à natureza e à paz entre os homens, à imagem e semelhança de Deus.

Este texto não é um “samba do crioulo doido” (música de Stanislaw Ponte Preta) internacional. É um sonho, é um sonho só. Se todos os líderes que fizeram mal para o mundo, especialmente depois de atacados pela ‘mosca azul’ do poder, tivessem mantido o prumo em direção ao bem comum, hoje seríamos um planeta próspero, justo, em diálogo, pacificado e feliz.
E se tudo isso tivesse acontecido, o chinês Mao-Tsé-Tung teria sido um presidente democraticamente eleito, fazendo vivo um de seus pensamentos: “sonho que se sonha só é somente um sonho, é um sonho só. Mas sonho que se sonha junto não é só um sonho: é realidade”.