Quando um feito na área de música ganha a primeira página (capa) inteira do Diário Oficial do Estado, é porque a notícia é da maior importância. Publicada no sábado, dia 7 de janeiro, a matéria circulou por todos os gabinetes do executivo, legislativo e judiciário. Talvez, em jpg (na foto), não esteja bem legível, mas é possível localizar a íntegra em formato pdf, com ótima qualidade – o Blogspot não carrega páginas em pdf - , clicando em (ver link abaixo): http://diariooficial.imprensaoficial.com.br/doflash/prototipo/2012/Janeiro/07/exec1/pdf/pg_0001.pdf
EMPRESA CHINESA LEVANTA PRÉDIO-TORRE DE 30 ANDARES EM 15 DIAS
Empresa quebrou seu próprio recorde, levantando uma torre de 30 andares em 15 dias – ou seja, 2 andares por dia. Um levantamento fotográfico disponível no youtube (link abaixo) levantou mais de 1 milhão de acessos em 5 dias.
Destinado ao um hotel, perto do grande lago Donting, um dos maiores do país, a construção emprega materiais que preservam o meio-ambiente, e já é considerada uma revolução na engenharia mundial.
Quanto à expectativa de segurança, os técnicos responsáveis garantem que o prédio resiste a terremotos da mais alta magnitude (9 na escala Richter). Se for assim, é mesmo um marco. Veja:
A música como exercício físico, mental e espiritual
Idade, em música, não é limitação, quando não se deixa levar pelo tempo. Livia Rev, pianista com diversos álbuns gravados e extensa carreira, dá o exemplo. Enquanto os dedos se moverem, parece que a chance de continuarem em forma é muito maior. Vi o mesmo exemplo em Louis Kraesner, a quem Alban Berg entregou para estreia seu concerto para violino “À memória de um anjo”, partitura dedicada à jovem Manon Gropius, falecida precocemente. Kraesner lecionava e tocava aos 90, assim como David Walter, da Juilliard School, e, o mais impressionante: fui ver Nathan Milstein, um dos maiores violinistas do século XX, impecável na execução da integral das sonatas e partitas para violino solo de Bach – isso, por volta de 1980, aos 76 anos de idade – a integral gravada por Milstein, que comprei depois da apresentação, tem uns 4 discos. Haja resistência.
Manter a memória em exercício constante, e os dedos e braços em exercícios diários, permite superar as perdas naturais do envelhecimento e proporcionam uma vida muito mais recompensadora para o músico na chamada melhor idade.
No filme abaixo, Livia mostra sua arte e técnica ao completar... 90 aninhos! Impromptu 4, de Chopin, na Sinagoga de Szeged
Como uma mega-empresa encontra uma solução de marketing sem precedentes
A Coca-cola fez uma grande jogada de marketing em Portugal, com absoluto sucesso. Antes do jogo Sporting x Benfica, no Estádio da Luz, em Portugal, a empresa deixou cair propositalmente perto dos guichês da bilheteria várias carteiras de sócios do Sporting Club com um ingresso para o jogo do fim de semana.
Várias câmeras ocultas filmaram as cenas e, pasme, 95% das carteiras foram devolvidas. (Detalhe: para completar, as carteiras foram jogadas no chão com uma carteirinha do clube rival, da outra entrada!) Todo o processo foi filmado desde o ‘achado’ das carteiras à recompensa: ingressos para o jogo no sábado seguinte. Neste sábado, antes do início da partida, o vídeo foi exibido nos telões do Estádio, levantando aplausos de mais de 60 mil pessoas. E a Coca-Cola, em uma jogada fenomenal de marketing, divulgou que “há razões para acreditar em um mundo melhor”. Assista ao vídeo abaixo para ver que o marketing pode não ser tão pernicioso assim como se pensa. E que o povo pode não ser genericamente bandido como muitos falam. Não sou exatamente fã da Coca-Cola, muito pelo contrário, mas a ideia das carteiras ‘perdidas’ e da comprovação de que “pode haver um mundo melhor” com honestidade, essa foi um achado.
Há alguns anos, em São Paulo, a Rádio Eldorado FM promoveu uma brincadeira semelhante – só que os alvos foram soldados da PM em serviço nas ruas. Repórteres paravam seus carros e entregavam a cada PM uma carteira com R$ 50,00 e um cartão de visitas dentro, com nome e telefone. Pediam que fossem entregues a quem de direito e encaminhadas para os proprietários. Pois de 10 carteiras, 9 foram devolvidas intactas após telefonemas recebidos pelos repórteres! Há os nichos, sim, mas não são todos. Os que achacam agem em grupo e sabem onde procurar desvios e propinas.
O Brasil precisa parar com a mania de que ‘todo mundo é bandido’, ‘o brasileiro gosta de levar vantagem em tudo’... É preciso crer, especialmente neste início deste novo ano, que “há razões para acreditar em um mundo melhor”, como diz a bela peça de marketing montada com muito bom gosto pela Coca-Cola. Veja abaixo
Para melhor compreender o recente acordo Conservatório de Tatuí/Etec (foto à esquerda: Fábio Barros) é fundamental conhecer uma breve história das instituições de ensino das chamadas artes performáticas – teatro, dança, e principalmente música. O primeiro modelo de ensino musical completo remonta a Nápoles, Itália (1537), o mais antigo de todos. Dali, formou-se um paradigma para diversas outras escolas, consolidando-se no modelo do Conservatório de Paris (1795), a que se seguiram os de Bolonha (1804), Milão (1807), Praga (1808), Genebra (1835), São Petersburgo (1862), Moscou (1862),New England, de Boston (1867), onde estudei, e vários outros com a denominação ‘Conservatório’. (continua)
A ideia de uma escola de música com o currículo completo – instrumento, voz, teoria e percepção, harmonia, contraponto e história da música, além de outras, como orquestras – ganhou terreno e espalhou-se pelo mundo. Com esse intuito - formar músicos completos e bem preparados -, e modelado por essa herança universal, foi criado por lei em 1951 em Tatuí um Conservatório, com o intuito de preparar músicos bem forjados na mais sólida formação. Com certeza, não há como ‘reinventar a pólvora’, ou seja, criar algo muito diferente do resto das escolas do gênero mais bem sucedidas do mundo. A novidade ficou apenas por conta da inclusão mais recente da música popular e do jazz na maioria dessas escolas mundo afora.
Os conservatórios de Moscou, Paris e New England adquiriram status superior adequando seus currículos, mas mantendo os cursos preparatórios para o nível básico. O de Genebra somente foi guindado ao status universitário em 2009 – razão pela qual diversos excelentes músicos brasileiros não tiveram seus diplomas de lá reconhecidos no Brasil. (continua)
Em 2005 criei um curso superior em música (Faculdade Cantareira), com um time de campeões no corpo docente. Em dois anos, cansei de trabalhar com os grilhões do MEC pesando nos pés e mãos (foto do prédio do MEC no Rio). É difícil formar músicos em um curso superior, no país. Como professor da USP desde 1988 (hoje em afastamento), compreendi o porquê de alguns colegas, desde aquela época, já frustrados e desanimados, dizerem que música no Brasil era para conservatórios, e a universidade, amarrada e emperrada, era para musicólogos e pesquisadores. Um curso superior de música não é como os de medicina, engenharia ou direito, em que se pressupõe que o aluno ingressante nunca– ou raramente - temo mínimo conhecimento na área. Não se forma um músico em 4 anos -por isso, com maior flexibilidade curricular, os cursos de violino ou piano, nos conservatórios, podem chegar aos 12 anos de duração e as demais especialidades oscilam entre 6 e 8 anos. Na universidade, ao ingressar despreparado e defrontando-se com enormes dificuldades de organização didática e burocracia, é tarefa inglória formar o músico de que o país precisa - até o dia em que o Governo Federal modificar radicalmente as estruturas - e as universidades, por sua vez, suas normas. Mas não parece de longe ser essa a vontade política do MEC, nem parece que se pretenda mudar a inércia corporativa atual. (continua)
Já que tocamos no assunto ensino de música em nível superior no Brasil, cabe lembrar um artigo publicado há alguns anos na revista Veja por Claudio de Moura Castro (mestre em Economia pela Universidade de Yale, especialista em educação), intitulado “Harvard foi parar no Irajá”, brincando com uma peça de teatro - “Greta Garbo, quem diria...”, de Fernando Mello (1973). Em tom de anedota, Castro conta que Mr. Larry Summers, então presidente da renomadíssima Harvard University (ver foto do alojamento de alunos ao lado), teria ido ao Rio de Janeiro assistir ao desfile das escolas de samba, e... apaixonou-se. Logo quis criar uma ‘Harvard brasileira’, e para isso injetou uma fortuna em busca de excelentes espaços, bibliotecas e os melhores professores. O resultado, segundo Castro, foi (ou teria sido) que em 6 meses o MEC fechou a ‘Harvard brasileira’.E não é engraçado, é triste! (continua)
Abrir um curso técnico de música via MEC é tarefa estafante e de perspectivas nada interessantes, em termos de qualidade - haja vista a experiência vivida (e felizmente abortada) pela Escola Municipal de Música de São Paulo. Por essas diferenças, ao sair da esfera do MEC, os estudos feitos pelo Conservatório em parceria com o Centro Paula Souza, do Governo do Estado de São Paulo, levaram apenas dois anos para serem concluídos, aproveitando nosso currículo e possibilitando ao aluno selecionado um certificado do Conservatório e um diploma técnico Etec-CDMCC.O acordo não mexe uma vírgula na grade curricular do Conservatório, mas mediante a aprovação de apenas 4 disciplinas na Etec, no final do curso, o aluno que concluir a grade ajustada com o CEETPS receberá seu diploma técnico.A dimensão dessa conquista somente será compreendida em sua amplitude real daqui a alguns anos, após formadas as primeiras turmas.
Um possível curso superior de música por aqui, dadas as dificuldades burocráticas impostas pelo MEC, tem sido por ora uma ideia na gaveta. Porém, diante do sucesso da parceria com a Etec do Centro Paula Souza, há horizontes para sonharmos algo à parte do Conservatório - mas dentro dele - em nível superior de música.Só o tempo dirá, e, quem viver e quiser ver, verá.