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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Parte 1: “SÃO AS ÁGUAS DE MARÇO FECHANDO O VERÃO”

A linda música de Tom Jobim, que nos abençoa com uma gravação em dueto com Elis, foi considerada pela crítica internacional como sendo uma das 10 melhores do gênero popular desde sempre, e desvenda o calendário e aponta o caminho da história. Março vem do latim ‘Martius’, deus romano da guerra (foto). Após os calendários  juliano e gregoriano, o mês de março deixou de ser o mês inicial, cedendo o lugar para 1º de janeiro (apesar de que em algumas raras culturas o ano ainda insista em começar em março). No Brasil, como se sabe, o ano começa “depois do Carnaval”, ou seja, empurra-se preguiçosamente para depois o entulho preguiçosamente não resolvido desde o ano anterior.

(Publicado na íntegra em O Progresso de 25/02)


Parte 2: 1961, 1964 E O HISTÓRICO COMÍCIO DA CENTRAL DO BRASIL

 Em março de 1964, os quartéis estavam aparelhados e preparados, já havia anos, para derrubar aquilo a que chamavam, à época, a ameaça da “república sindicalista” de Jango (ver vídeo histórico do Comício da Central do Brasil no final desta postagem). Talvez o mesmo mal que, na esteira da tresloucada renúncia de Jânio (foto à esqu., três anos antes, em 1961), travestiam-se nas chamadas “forças ocultas” em cada esquina, cada noite mal dormida (como se “forças ocultas” não existissem desde sempre na história). Em nome da Pátria, foi detonado um golpe de estado que trouxe com as águas de março uma tempestade e um longo, obscuro e tenebroso inverno. No dia 31 de março de 1964, afinal, veio o golpe, que cedo mostrou seu perfil inquisitório. Curiosamente, também em um 31 de março (1821) foi declarada extinta a Santa Inquisição em Portugal. E em 25 de março, também – data que deu nome à rua das bugigangas e contrabando do Centro de São Paulo -, Pedro I promulgou a primeira Constituição do país (1824).

Parte 3: AULAS, CAMPANHAS E A TEMPESTADE DE DESPESAS

Março traz às aulas os que ainda não haviam recomeçado na escola. E dá início às preocupações com o Imposto de Renda, IPTU, IPVA, seguro de automóvel, matrículas escolares e outras despesas, batendo sem dó na classe média. Mas se “são as águas de março fechando o verão”, seja também “a promessa de vida no teu coração”.

Em março próximo, as forças políticas têm de começar a se aglutinar em torno das candidaturas aos cargos de prefeitos e vereadores em todo o país- e que seja logo, “quae sera tamen”, para não perderem os bondes que já circulam com a partida dos trios elétricos e carros alegóricos. (Os registros no TRE acontecem apenas em junho, mas as campanhas, veladas ou escancaradas, estão aí). Em março, o arco das alianças é o dos arco-íris, aglutinando ora as cores dos grupos que querem um lugar na nas câmaras municipais, ora as dos que vão além, ambicionando também o cargo de Prefeito, trampolim para projetos de maior envergadura. É o tempo em que os cidadãos começarão a enxergar opções, desde já, para se definirem pelos seus preferidos, até o derradeiro instante de apertarem o botão nas urnas.

Parte 4: VOTO E FICHA LIMPA

É hora também de pensar no que acontece em Brasília, que em tudo reflete nos estados e no interior. E, com a “Lei Ficha Limpa” aprovada, há novo alento para ajudar a decantar, logo de princípio, aqueles que devemos evitar não por condenação transitada, mas por precaução bastante clara com quem está querendo mas não pode nos dirigir e representar. Voto é palavra de origem latina (“votum”), e tem na raiz o sentido de promessa, devoção (que é emprestado profanamente pela política à semelhança dos votos religiosos, como os de castidade ou promissão). Mas voto é coisa séria!

No vácuo da nova Lei, prefeituras como a de São Paulo, assim como o Governo do Estado, já promovem estudos para leis que proíbam a nomeação de pessoal em cargos de confiança segundo os mesmos critérios que a legislação federal estabeleceu para os candidatos já a partir de 2012.

Parte 5: O PÓS-CARNAVAL, A DIVINA COMÉDIA, RÔMULO E REMO

É também nesse março pós-carnaval que muitas vezes começamos a encarar o que havíamos deixado para depois: mudar de vida, de estilo, não mudar, perder peso, casar, separar (ou não), mudar de emprego (ou não), de endereço, construir a casa própria (“é o projeto da casa / é o carro enguiçado/ é a lama, é a lama”). Pois se a palavra março vem de Marte, deus romano da guerra, também vem da Itália o Dante da “Divina comédia”: “o céu cinzento cobria os animais que se deitam na terra, e eu sou um a me preparar para enfrentar a guerra”. O ano gregoriano, criado pelo Papa Gregório XIII (séc. 16) e meio que “arredondado” entre anos regulares e um bissexto (como este 2012), ainda deixou margem para que o ano brasileiro (fora outras culturas que ainda mantêm oficialmente março como o mês inicial) continue a começar, de fato, mesmo que não oficialmente, “depois do Carnaval”. Parece surreal, mas é fato. O calendário de Rômulo, que fundou Roma junto com seu irmão gêmeo Remo – ambos  amamentados por uma loba, diz a lenda (ver ilustração ao lado) -, tinha apenas 10 meses e começava em março.

Parte 6: AS ÁGUAS DE MARÇO E O DIA DA CRIAÇÃO

“São as águas de março/ fechando o verão/ é a promessa de vida/ no teu coração/ É uma cobra, é um pau/ é João, é José, é um espinho na mão/ é um corte no pé”. Este sábado, 25 de fevereiro, é o último e derradeiro para quem conseguiu  aproveitar o descanso, antes da chegada das águas de março que vão nos carregar, o ano passando ligeiro. “Porque hoje é sábado”, disse Vinicius de Morais, melhor parceiro de Jobim, em “O dia da Criação”: “Impossível fugir a essa dura realidade / Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios/ todos os namorados estão de mãos entrelaçadas/ todos os maridos estão funcionando regularmente/ todas as mulheres estão atentas / porque hoje é sábado”. Hoje é sábado, e na quinta que vem chegam as águas de março, que também trazem em sua brisa refrescante e reparadora a promessa de vida / no teu coração”.

"LOTTE & ZWEIG", DE DEONÍSIO DA SILVA, CHEGA ÀS LIVRARIAS

Conforme anunciado neste blog, o livro que conta a história da descoberta dos corpos de Stefan Charlotte e Zweig na aprazível cidade serrana de Petrópolis, em 1942, chega às livrarias. Realismo jornalístico, onde os ingredientes de aparente ficção criminal foram colhidos na própria história do caso.

Outro livro, de Alberto Dines, também aborda o caso, em que o corpo do casal fora encontrado pela diplomata e escritora chilena Gabriela Mistral, Nobel de literatura (1945), com profusão de detalhes. É óbvia a associação do caso com a fuga dos nazistas, além de subterrâneos rumorosos que passavam pela simpatia velada de Getúlio Vargas ao ideário de Mussolini.

“Lotte & Zweig”, de Deonísio da Silva. SP: Ed. Leya, 2012. 128 págs., R$ 39,90. Disponível via Internet nas livrarias (entre outras):



SICILIANO -

BOA LEITURA: EFEITO PÓS-FICHA LIMPA 1

Empresa pode consultar SPC, Serasa e órgãos de polícia antes de contratar, decide TST (notícia disponibilizada pelo site ultimainstancia.uol.com.br):
http://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/noticias/55106/empresa+pode+consultar+spc+serasa+e+orgaos+de+policia+antes+de+contratar+decide+tst.shtml

BOA LEITURA: EFEITO PÓS-FICHA LIMPA 2

Ficha Limpa paulista será retroativa, diz Alckmin

Governador anuncia para fim de março decreto que impedirá nomeação de pessoas com condenação em segunda instância (N.R.: Lei semelhante será votada pela Câmara de São Paulo). Disponibilizado pelo site estadão.jusbrasil.com):

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CARNELEVARE! (Parte 1)

Carnaval, do latim carnelevare (lit.: carne+levare: suspensão da carne), festa profana que antecede a quarta-feira de cinzas, início da Quaresma cristã, assume feições próprias em cada local onde acontece. Na tradição gaulesa, havia o mardi-gras ("terça-feira gorda", foto à direita) de lá tendo sido levado para locais como Nova Orleans, no estado norte-americano de Louisianna, colonizado pelos franceses, e de lá ao Harlem nova-iorquino. No Brasil, a festa começou com o Entrudo (figura acima, à esquerda), mal-educado folguedo de rua trazido pelos portugueses (principalmente de Açores) no século 18: destelhavam casas e molhavam todo mundo, até transeuntes, padres, freiras, policiais e juiz. Deixavam a salvo apenas os doentes e crianças pequenas, os demais eram devidamente encharcados (há registro até de uso de urina) e cobertos com farinha do reino. No Recife, virou o mela-mela.
(Publicado em O Progresso em 18/02/2012)