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sexta-feira, 20 de abril de 2012

BOA LEITURA: CONSERVATÓRIO DE TATUÍ NO CÉU AZUL

MATÉRIA DA REVISTA CÉU AZUL, DISTRIBUÍDA POR COMPANHIAS AÉREAS, FALA SOBRE O CONSERVATÓRIO DE TATUÍ:
“A CIDADE QUE RESPIRA MÚSICA” – 250 MIL EXEMPLARES, 1 MILHÃO DE PASSAGEIROS:




sexta-feira, 13 de abril de 2012

O SOM DO SILÊNCIO - Parte 1

“Ninguém ousou perturbar o som do silêncio” – Parte 1

“Olá escuridão, minha velha amiga/ vim conversar com você novamente/ (...) e a visão que foi plantada em minha mente/ ainda permanece dentro do som do silêncio” (...) “meus olhos foram atacados/pelo brilho de uma luz de neon/ que cortou a noite/ e tocou o som do silêncio” (...). E prossegue: “pessoas conversando sem falar/ pessoas ouvindo sem escutar/ ninguém ousou perturbar o som do silêncio”.


O SOM DO SILÊNCIO - Parte 2

Os silêncios de Beethoven e Leboyer

Essa linda letra da música de Paul Simon e Art Garfunkel (The sound of silence) bem demonstra a força, o poder do silêncio. Não foi à toa que Beethoven um dia disse que “o som é prata, mas o silêncio é ouro”. É no silêncio que se encerra o mistério maior, o universo, o vácuo, o antes e o depois da vida. Silêncio tem a ver com reflexão, contemplação. Porém, contraditoriamente, o silêncio não existe de fato para nós. 


Neste exato momento em que escrevo, com o ar condicionado silencioso de minha sala em casa ligado (e nada mais), um aplicativo instalado em meu celular mede absurdos 60 dB – sessenta decibéis (medida de volume sonoro), apenas 30 abaixo do limite para o início de uma perda neurossensorial (nome elegante para surdez parcial), se exposto diariamente por mais de 8 horas.
Então não existe o silêncio? Ora, conceitualmente sim, claro, mas na realidade não. Explico: experiências feitas com voluntários confinados em uma câmara virtualmente à prova de som demonstraram que, ainda assim, o ser humano ouve basicamente dois ruídos: um bem agudo, que é produzido pelo sistema nervoso, e outro grave, o da circulação sanguínea. Leboyer, pesquisador com experiências pioneiras em partos, colocou recém-nascidos em espécies de banheiras com água morna, em quartos quase escuros. O ambiente possuía caixas acústicas com um som grave, suave e oscilante, como que reproduzindo, nessa ‘transição’ gradual do saco amniótico para a vida exterior, o que os bebês deviam sentir quando ainda nas barrigas de suas mães (foto acima). Mais ainda: um homem lançado ao espaço ouve seus próprios sons internos, embora um desses aparelhinhos (decibelímetros) possam acusar nível zero dB, uma vez que no vácuo não existe material por onde o som possa se propagar. O silêncio, pasme, a rigor não existe para os seres vivos, e nem mesmo para os surdos. “No princípio era o verbo, e o verbo era Deus, e o verbo estava com Deus” (Jo 1:1-3): o verbo, a palavra (lat.: verbis), o som do silêncio, portanto, sempre existiu, e muito antes de nós - e continuará a existir para sempre.   

O SOM DO SILÊNCIO - Parte 3

O silêncio de John Cage 

O norte-americano John Cage, que completaria seu centenário de nascimento neste ano de 2012, curiosamente, teve em uma obra inusitada sobre o silêncio a celebridade fora do mundo contemporâneo e acadêmico: 4’33” (leia-se: 4 minutos e 33 segundos). Nesta obra para piano (que tem sido executada por outros instrumentistas também), o intérprete senta-se ao banquinho, em frente ao instrumento, observa um cronômetro ou  um relógio e, durante o tempo que dá título à peça, não toca absolutamente nada. Sobre esta obra, o próprio compositor lança um sofisma (‘sofisma’ é um raciocínio de aparência lógica, mas na verdade um ‘jogo’ que não leva a conclusão alguma): “A música é feita de sons e silêncios. Não tenho nada para falar. Portanto vou dizer”. Absurdo? Não. Lembre-se da letra de “Som do silêncio”, de Simon e Garfunkel: “pessoas conversando sem falar/ pessoas ouvindo sem escutar/ (...) ninguém ousou perturbar o som do silêncio”. 

O SOM DO SILÊNCIO - Parte 4

O silêncio dos grandes mestres


O silêncio – que nós materializamos, na música, em forma de pausa -, é um elo precioso na  arte musical. Preciosas são as pausas que nos fazem prender a respiração logo após as quatro primeiras notas na introdução do primeiro movimento na 5ª Sinfonia de Beethoven (o ”tchã-tchã-tchã-tchã”). Esta sinfonia é toda permeada de pausas: suspenses, surpresas. As pausas são tão importantes na música que têm sua duração calculada e interpretada, exatamente como as notas. A Sinfonia nº 2 (1872) de Bruckner ficou conhecida como “Sinfonia das pausas” exatamente pelas diversas e enormes delas para toda a orquestra, dotando o texto musical de grande dramaticidade. 
Em “Assim falou Zaratustra” (1891), um dos temas utilizados na “Odisseia no espaço”, de Stanley Kubrick, Richard Strauss (1864-1949) deixou uma longa pausa após as sucessivas e fortes batidas dos tímpanos, preparando para o glorioso solo de trompete. No dramático Prelúdio do 1º ato da ópera “Tristão e Isolda”, de Wagner (vídeo abaixo), o lamentoso solo introdutório do violoncelo é sucedido por uma das mais belas pausas. Em vista disso, o leitor leigo já pode compreender, agora, que o breve intervalo -sem aplausos!- entre os movimentos de um concerto ou sinfonia é fundamental para a compreensão dessas obras, pois faz parte delas.


O SOM DO SILÊNCIO - Parte 5

Os silêncios de Eleazar de Carvalho e de Hamlet


A melhor definição por mim ouvida para essa ‘materialização’ do silêncio, consubstanciado em pausa musical, veio de Eleazar de Carvalho, maestro de todos nós (que este ano também estaria completando seus 100 anos). Com sua sabedoria, em um ensaio, o maestro proferiu esta pérola - ou melhor, este puro diamante, com a voz potente e dramática de grande ator, pausada e com os olhos esbugalhados, como na peça “Hamlet” de Shakespeare: “O rei...está...morto!!!”.
Foi assim que o maestro resumiu sua definição de silêncio enquanto pausa, esbravejando as frases com largos intervalos entre si, ressaltando em ‘fortissimo’ os acentos tônicos de cada palavra: “o silêncio... é uma faca!... sem lâmina... e sem cabo!!!”. Pausa na orquestra. Depois, silêncio. "Intervalo!"

quinta-feira, 5 de abril de 2012

POR QUE SOU CONTRA A “MÚSICA ERUDITA” – Parte 1 de 4

Música clássica e música erudita

Calma lá. Não tire conclusões precipitadas. Erudito e erudição (do latim: eruditio+onis), termos existentes nos mais diversos idiomas, encontram um uso meio atravessado na língua portuguesa do Brasil, totalmente desvirtuado de seu conceito e sua etimologia (origens e evolução da palavra).


Curiosamente, em Portugal não existe a tal ‘música erudita’, como se usa por aqui. Em alemão, temos Gelehrsamkeit; em espanhol, erudición; em francês, érudition; em inglês, erudition; em italiano, erudizione, e por aí vai. Em nenhuma dessas línguas existe a expressão ‘música erudita’; entre todos os povos, emprega-se Klassischemusik (al.), música clásica (esp.), musique classique (frn.), classical music (ing.), musica classica (it.), respectivamente, quando a referência é a música de Bach, Mozart, Beethoven e tantos outros.

Recentemente, falando sobre esse malfadado costume brasileiro com um amigo, o maestro Felix Krieger (foto à direita, crédito ao site http://www.xpress.com.br/), de Berlim, este mostrou-se estupefato quando lhe falei sobre esse nosso vício, nossa ‘música erudita’ – e disse mais, que achava que não fazia o menor sentido, não tinha o menor cabimento! E ficamos com a nossa Klassischemusik – aliás, couvert saboroso de nosso almoço, no restaurante convenientemente chamado ‘Opera Mix’, em Tatuí.

POR QUE SOU CONTRA A “MÚSICA ERUDITA” – Parte 2 de 4

JK e as sutilezas da burocracia estatal

Ora, o Brasil tem lá suas peculiaridades e seu ‘jeitinho’ para tudo. Para cada problema, quando não há solução, existe um remendo. Em 1959, após um sarau que comoveu JK (ver foto ao lado), o presidente ‘pé de valsa’ mandou regulamentar a profissão do músico, o que viria a acontecer em 1960 (Lei 3.857, de 22 de dezembro). Em 1961, foi criada a Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio MEC/RJ. Mas os vencimentos dos funcionários federais de carreira, de formação mais básica, não poderiam pagar o músico da orquestra (às vezes sem formação de segundo grau) com salários condizentes com a nobre profissão. Simples: com a denominação de ‘professor de orquestra’, no quadro de cargos e salários federal, os músicos da OSN puderam ser enquadrados em parâmetros salariais bem acima da média dos demais servidores públicos. Possivelmente, foram equiparados aos professores universitários federais.

Belo truque. O mais incrível é que o título ‘professor de orquestra’ permanece, por uso e costume, em parte das orquestras brasileiras e nas anotações das carteiras de trabalho assinadas. Os  solistas de ‘naipe’ ou seção (líderes das primeiras estantes), eram chamados ‘chefes de naipe’, pois os que ocupavam esses postos eram de confiança do maestro, e intermediários de seus subordinados, os músicos ‘de fila’ (ou seja, os demais). Essa denominação ainda resiste em Campinas e Belo Horizonte, mas deixou de ser usada na maioria das orquestras brasileiras.

POR QUE SOU CONTRA A “MÚSICA ERUDITA” – Parte 3 de 4

A música na universidade

Voltemos à erudição, e aos novos jeitinhos. O Conservatório de Música do Rio de Janeiro (1848) passou a Instituto Nacional de Música (1890), e depois, em 1931, foi incorporado à Universidade do Rio de Janeiro. Em 1937, passou a se chamar Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil, e, em 1965, por decreto, Escola de Música da UFRJ (Foto). Com os músicos e professores brasileiros sem diploma superior (já que não havia tal curso até então), como é que eles seriam admitidos na universidade sem o devido diploma? Ora, recorreu-se à figura do ‘notório saber’, para justificar essa intrusão dos poetas da arte dos sons nas cátedras eruditas – todas encasteladas e isoladas do mundo, imersas no mais profundo saber da pesquisa acadêmica.

Com essa terminologia mágica, foi estendido aos músicos o mesmo padrão dos sábios arautos catedráticos do direito, da economia e da medicina, todos de toga e capelo (capa e capuz dos titulares das grandes e antigas universidades).

Ora, o professor da música de Mozart (ilustração ao lado) e Beethoven não era um sambista que tocava ‘de ouvido’, pensaram, justificando o ingresso deles no seleto clube acadêmico. Daí, criou-se para eles o título de ‘músico erudito’!

Verdade seja dita: o Rio de Janeiro, onde o termo ‘música erudita’ surgiu, foi um dos primeiros estados que, há uns bons anos, o aposentou. E adotaram duas denominações para o gênero: ‘música clássica’ – como nas demais línguas, no mundo inteiro -, ou ‘música da concerto’, sendo a primeira quase consenso. Assim, a música do Rio afinou-se com a música do resto do mundo na denominação ‘clássica’. Se é assim no mundo inteiro, por que haveria de ser diferente no Brasil?

Um gozador norte-americano, chamado Peter Schickele, publicou um livro em que mostra sua descoberta de partituras originais de um certo PDQ Bach, certo filho - que nunca existiu - renegado de Johann Sebastian Bach. É um esculacho total à ‘erudição’ musical. Veja pela capa do livro, ao lado.

POR QUE SOU CONTRA A “MÚSICA ERUDITA” – Parte 4 de 4

Clássicos, classicismo e música clássica

O período do classicismo na música é aquele que vai aproximadamente de 1750 a 1830. Esse seria o período de Haydn, Mozart, e quase toda a obra de Beethoven. Mas clássicos, classicismo e música clássica são coisas diferentes. Para que não restem controvérsias, clássicos podem ser Tom Jobim, Duke Ellington, Piazzolla (veja e ouça o vídeo abaixo) e Gershwin, no sentido de serem modelos, gênios que cunharam com perfeição suas obras, elaboradas segundo suas próprias concepções, e destinadas à perenidade. Sem nos esquecermos do classicismo grego, muito distante do período clássico como estilo de época. E não é que se diz que Fla x Flu e Corinthians x Palmeiras são clássicos do futebol, bem como “E o vento levou” e “Ben-Hur” são clássicos do cinema?


Portanto, abandonemos, aproveitando este momento, o termo ‘erudito’, que tanto mistifica o trabalho do músico e o distancia do povo; deixemos essa erudição às cátedras universitárias, onde musicólogos pesquisam a música, seus fatos e sua história com pretendido rigor científico, assim como os cientistas sociais, pesquisadores de física e de química. Enquanto isso, fartemo-nos de ouvir a música de Mozart, Beethoven, Bach, Brahms, Wagner e Villa-Lobos. “Bebei o vinho, embriagai-vos!’’, disse o poeta Baudelaire. Embriagai-vos de música clássica! (Veja e ouça abaixo A Filarmônica de Berlim, sob a batuta de Trevor Pinnock, executando trecho do primeiro movimento da Sinfonia nº 40, de Mozart).