LIVROS

LIVROS
CLIQUE SOBRE UMA DAS IMAGENS ACIMA PARA ADQUIRIR O DICIONÁRIO DIRETAMENTE DA EDITORA. AVALIAÇÃO GOOGLE BOOKS: *****
Mostrando postagens com marcador New England Conservatory. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador New England Conservatory. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de abril de 2018

MÚSICA POPULAR OU DE CONCERTO?

MÚSICA!

Cena de ensaio de West Side Story
Alguns músicos transitam com versatilidade entre as áreas de concerto e popular. Foi o caso do Geshwin, de Porgy and Bess, do regente e compositor Leonard Bernstein, de West side story, do pianista Glenn Gould e do trompetista Winton Marsalis, dos contrabaixistas tchecos Jiri (George) Mraz, ex-Oscar Peterson Trio, e Miroslav Vitous, do grupo de jazz fusion Weather Report, ambos egressos do Conservatório de Praga.
Jaques Morelenbaum
No Brasil, o clarinetista e saxofonista Paulo Moura, o arranjador Rogério Duprat, parceiro da Tropicália, e, mais para cá, o violoncelista Jaques Morelenbaum, que trabalhou com Milton Nascimento e Tom Jobim. Isso, sem esquecer aquela turma de arranjadores de sólida formação teórica, formada por gente como Gaia, Arruda Paes, Cipó, Guerra Peixe, Simonetti, o amigo Villani-Côrtes, Peracchi, Panicalli e os mais novos, como Roberto Gnatalli, Roberto Farias, André Mehmari, João Victor Bota e outros.
O jovem Antonio Meneses
Jaques Morelenbaum foi para os EUA, e ingressou no New England Conservatory, onde eu estudava. Logo que chegou, pudemos conviver em algumas festinhas saudosistas típicas de casas de brasileiros. Jacques veio de experiências em música popular, desde antes de ingressar no Municipal do Rio; já tentava dividir assim sua participação na Orquestra Jovem, onde foi colega de naipe de um jovem chamado Antonio Meneses, ali descoberto pelo italiano Antonio Janigro, que o levou para a Europa. De lá, Meneses tornou-se um dos melhores cellistas da atualidade e, segundo consta, resolveu ser solista após ver Morelenbaum tocar um Vivaldi com a Sinfônica Municipal.
Poster: Allston
Voltando a Boston, Jaques passou a conviver com aquela ‘máfia brasileira’ de Allston-Brighton, na região da New England, onde passei um dos anos em que vivi em Massachussets. O gueto brazuca tinha o grande sax e amigo Leo Gandelman, Zé Nogueira, o baterista Pascoal Meireles, os guitarristas Ricardo Chaves, Ricardo Silveira e Victor Biglione, além do pianista Rique Pantoja. Clássicos ou populares, não fazia diferença (a maioria deles hoje no Rio, alguns nos EUA e outros na ponte-aérea).

The New England Conservatory 
Jaques, ao chegar, levou o mesmo choque musical que todos os brasileiros, ao ver o nível dos bambas de uma grande escola. Mas isso não lhe foi problema: com seu talento, filho de grande maestro brasileiro, estudou com Madeleine Foley, que foi assistente de Pau (Pablo, em catalão) Casals. Mas o destino de Jaques estava mesmo na música popular. Suas excelentes participações em discos do Milton e do Jobim denotam uma ótima formação e extremo bom gosto, e seus arranjos trazem a chancela dos bons.
Ernesto Nazareth
Um dos primeiros nomes de importância da nossa música mais eclética, cortejado tanto por populares quanto clássicos, foi o carioca Ernesto Nazareth (1863-1933), compositor de peças de uma graça e um gingado muito especiais: Odeon e Apanhei-te, Cavaquinho, por exemplo. Nazareth nasceu pobre, na Favela do Pinto, perto da Lagoa Rodrigo de Freitas, depois reduzida a um conjunto vertical espremido entre a Lagoa e o Leblon, a Cruzada São Sebastião, fundada por D. Helder Câmara (1955) e logo reduto do tráfico e da bandidagem. Voltando a Nazareth, o rapaz teve uma formação básica em composição e teoria, porém só o suficiente para ser ‘emancipado’ musicalmente por seus professores. Acharam que o pupilo, em pouco tempo, já sabia o bastante.
Uma pianista de cinema mudo
Tocou, ganha-pão comum na época, em cinemas-mudos e cafés. Em seu ofício, pôde conhecer e ser admirado por gente como Darius Milhaud, compositor e então adido cultural da França no Brasil, Francisco Mignone e, veja só, até outsiders como Ruy Barbosa. Assim, familiarizado com gente importante e conhecedora de arte, foi para São Paulo, em cujo conservador ‘Theatro Municipal’ logo se apresentou a convite de Mário de Andrade, o controverso Diretor de Cultura da Prefeitura. O Municipal fora o pináculo de uma glória musical que logo cederia lugar à decadência, para só depois reassumir sua plena importância. Andrade dizia que o Municipal era lugar frequentado por aquelas donas ‘que ficavam chacoalhando as joias’ para exibi-las, enquanto os maridos ‘fumavam charutos e falavam frivolidades nos corredores’.
O Hospício D Pedro II
Nervoso, temperamental e boêmio, Nazareth contraiu sífilis, doença que passou a atormentá-lo. Arrumava brigas e confusões, entrando em crises cada vez mais profundas. Não demorou, e trataram de leva-lo para o Rio, onde foi internado no Hospício Pedro II, na Urca, e de lá transferido para o de Jacarepaguá, mas fugiu após um ano. A escapada, porém, durou pouco: foi encontrado boiando em uma represa nas proximidades, dias depois da fuga.
Chiquinha Gonzaga (1847-1935) virou tema ‘global’, mas merece ser lembrada pelo enorme (quase 800!) e belo volume de obras . Marcou história com sua vida insólita, condenável para a época. Tanto que seu pai, José Basileu Gonzaga, chegou a considerá-la “morta” para a família. As três filhas da compositora passaram a ignorar a identidade da mãe. Forçada a se casar com um oficial escolhido pelo pai aos treze anos de idade, a autora de Lua Branca e da marchinha Ô Abre Alas largou três de seus quatro filhos aos dezoito anos para viver com um engenheiro ferroviário. Depois, nova união com um flautista. Foi seu passaporte para a boemia: conheceu os chorões, influência maior de sua música, emprestando-lhe sabor todo especial à mistura de ritmos europeus. Nasceram assim seus tangos, maxixes, lundus, mazurcas e valsas. Malvista pela fina sociedade, chegou a reger a Banda da Polícia Militar, proeza para uma mulher na época!   

domingo, 2 de outubro de 2016

NOMES, SOBRENOMES E LIVRE ASSOCIAÇÃO

Sigmund Freud
A livre associação foi um dos grandes achados de Freud em seu método psicanalítico. Não sou da área, apenas aficionado pela leitura do assunto, mas posso falar informalmente para abrir este texto. Freud passou a se utilizar dos sonhos e da livre associação (via regia, em latim, ou seja, via real) em suas sessões de psicanálise. Trata-se de um meio natural e menos agressivo e intromissor do que a hipnose de seu colega Breuer. Ela consiste em fazer o paciente ouvir uma palavra e dizer imediatamente outra, sem deixar seu consciente inibir o jogo que leva a revelações do inconsciente.

Na livre associação, a cada palavra dada o paciente tem de dizer outra diferente, no popular “o que der na telha”. Por exemplo, na sequência imaginária de palavras a seguir, a primeira é dita pelo psicanalista, enquanto a segunda pelo paciente, sem pensar: carro/pai, água/praia, beijo/mãe, flor/ freio. Tudo anotado em sua prancheta, o psicanalista já teria, nessa curta série fictícia de palavras, algumas ligações possíveis, como “carro/pai” associando o primeiro à virilidade de seu pai. Já “carinho/mãe” revela a imagem da mãe que conforta, como na frase bíblica “junto àquele que me conforta” (do latim omni possum in eo qui me confortat), em Filipenses 4:13, com frequência erroneamente traduzida para “naquele que me fortalece”). Já “flor/freio” foi um diferencial que imaginei, em que a associação do suposto paciente vem pela consoante “f” (labiodental, em gramática, pois ela é produzida pelos dentes superiores contra o lábio inferior). Mas é possível supor que “freio” é algo que pode conter a “flor”, associada ao amor. Essa seria minha interpretação pessoal.

Dia desses chamei a atenção de um colega para um e-mail que recebi do The New England Conservatory, de Boston (EUA), onde tive a oportunidade de me formar. Era um simples e criativo anúncio da abertura da temporada de 2016-2017 (no exterior, ano letivo e temporadas musicais sempre começam no outono local) da fabulosa orquestra sinfônica do NEC: “Wolfgang, Gustav, Johann Sebastian, Sergei e Franz encontram Cindy, Ellen, Augusta, Anna, Caroline, Jennifer e Kati”. Simplesmente usaram os prenomes de alguns dos mais famosos compositores para juntá-los aos de mulheres compositoras, nessa temporada junto aos grande mestres.

Gustav Mahler e Gustav Holst
Mostrei o anúncio ao colega Antonio Ribeiro, e imediatamente começamos uma associação: Wolfgang é o prenome de Mozart; Gustav, de Mahler. Poderia até ser Gustav Holst, por exemplo, autor de “Os Planetas”, mas a primeira associação foi a mais óbvia para nós. Se eu tivesse acabado de ouvir “Os Planetas”, talvez me viesse à mente Gustav Holst. Johann Sebastian é Bach, claro, e de imediato o associei  ao nome de um barzinho em Belo Horizonte que se chamava João Sebastião Bar, lembrança de adolescente.

Sergei Koussevitzy, regente e professor de Eleazar
Já Sergei me lembrou Sergei Koussevitzky, contrabaixista e regente da Sinfônica de Boston, professor do nosso grande maestro Eleazar de Carvalho, falecido há vinte anos. (Também tive aulas com um ex-discípulo dele, Bill Curtis). Porém, veio meu consciente e organizou tudo: Sergei Koussevitzky nunca foi um compositor como os outros dois xarás, e concluí que deveria ser Sergei Prokofiev, sinfonista e autor de Tenente Kije, peça que tem um belo solo de contrabaixo, meu instrumento. Já meu colega pensou em Sergei Rachmaninoff – não por acaso, autor de quatro dificílimos concertos e uma rapsódia para piano e orquestra. Claro, hoje compositor, meu colega começou na música ao piano, fazendo-o seu instrumento, daí sua associação pessoal. Já Franz é prenome de compositores como Franz Schubert (minha escolha), grande sinfonista, mas meu colega optou por Franz Liszt, autor de obras virtuosísticas para piano e um dos maiores pianistas da história.

Da Vinci
Passamos a falar de nomes e sobrenomes, seus significados em seus idiomas de origem e quem ou o que nos lembram. Alemães levam frequentemente sobrenomes de profissões, que no passado ajudavam a identificar as pessoas: O sobrenome Gustav Mahler significa pintor; Schumacher, o piloto, é o artesão fabricante de sapatos; Zimmermann, da família de músicos, carpinteiro. Em italiano, durante muito tempo, criava-se um sobrenome a partir da origem do cidadão: Giovanni da Palestrina, compositor, Gasparo da Salò, artesão fabricante de violinos antecessor de Stradivarius, o gênio Leonardo da Vinci, cujos sobrenomes identificam suas origens.

Alfred Hitchcock e Albert ("Alfred") Speer
Daí passamos a uma rápida brincadeira com outros nomes, como Alfred, que a meu colega lembrou Hitchcock, o grande cineasta do suspense. Concordei, mas depois pensei, em Albert (troquei-o por Alfred) Speer, o arquiteto nazista que fazia dos comícios de Hitler grandiosos espetáculos cênicos (curioso: li recentemente sobre Alfred Albert White, tripulante sobrevivente do Titanic, que depois do naufrágio voltou a trabalhar em navios, até sua morte. Não foi por acaso meu lapso Alfred-Albert, então). Prossegui:

Heitor Coutinho, falecido em 2005
Heitor, claro, é o nosso Villa-Lobos, mas para mim também Heitor Coutinho, que pintou um retrato de meu pai, que ficava na sala de jantar, ou o assassino de Dana de Teffé, Heitor Coutinho Leopoldo Heitor, matéria recente de jornal pelos 55 anos do crime. A memória de cada um é íntima, exclusiva, e só dele. Por isso temos gostos diferentes para música, por associação e memória, para lugares, o que lembra sua família, criação ou onde se sentiu bem, algo que tenha marcado sua vida. O nosso dia a dia é um mundo de associações que escapa à nossa consciência, mas que merecem ser pensadas quando em conflito, ansiedade ou dúvida, com o valioso auxílio de nossa razão.


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

“FIGURAS MUSICAIS...” AÍRTON PINTO

Se tivesse de apontar um dos melhores músicos que o Brasil já teve, que aliasse capacidade técnica e um jeito inimitável de comandar, ele seria certamente Aírton Pinto. Como spalla (violino solista) da Osesp, era um músico seguro, um líder sem estripulias na condução de seu naipe ou da orquestra inteira. Como colega era bem-humorado, sem nunca deixar de ser exigente no trabalho. Não se fazia “professor” das cordas, raramente dizia alguma coisa, mas quando o fazia era com precisão e sem estender-se em tediosas e desnecessárias exibições didáticas.
Toda essa segurança e cordialidade Aírton ganhou na mais britânica das cidades dos EUA, onde foi estudar e terminou ficando. No New England Conservatory, de Boston, uma das mais reputadas escolas americanas, logo se destacou, sendo admirado por seus mestres. Entre eles o que moldou seu refinado e encorpado som ao violino, o lendário Louis Krasner, que estreou os concertos de Alban Berg e Schönberg. 
Alban Berg
(Uma das minhas maiores emoções musicais foi tocar o solo de contrabaixo no concerto para violino de Alban Berg, chamado “À memória de um anjo”, tendo Aírton como solista – e justo o de Berg, mestre de um de meus professores de composição, Joe Maneri. De uma forma ou de outra, entre Aírton, Krasner, Maneri e Berg, formara-se ali um elo quase místico para mim, quando o músico se transporta imaterialmente para um lado da obra que não se lê na partitura, apenas se sente).

New England: Jordan Hall
Fui para Boston em 1977, e em 1978 ingressei no mesmo New England Conservatory onde Aírton estudara e foi depois professor! Uma de minhas grandes curiosidades era conhecer o famoso professor Krasner. Pelo pequeno vidro na porta, pude ver o incansável mestre algumas vezes em sua sala – janelinha, aliás, bastante conhecida e alvo de curiosidade geral. Ora, ali trabalhava um mito!
Boston Symphony Orchestra
Talentosíssimo, Aírton logrou ser aprovado na Boston Symphony Orchestra, uma das melhores do mundo. Mas não foi apenas isso: como era exímio pianista, passou ao mesmo tempo na prova para piano de orquestra, e quando a partitura exigia, tornava-se pianista, o que também fazia com bom-gosto refinado. Estava ali um músico completo, que às vezes se sentava ao piano com os alunos, e, outras, regendo o ensaio, preparava a orquestra para algum concerto, fazendo de solista. Com naturalidade, tocava o concerto de Grieg, algum de Beethoven ou Mozart, tirando-os do bolso na hora.
A Truta: manuscrito
Era também um excelente camerista, e parte essencial de um bom grupo. Tive a grata honra de participar com ele de felizes momentos musicais junto a grandes músicos, como o violoncelista Antonio Del Claro, a pianista Daisy de Luca e o violista Marcelo Jaffé. Trabalhávamos na casa de Daisy o belo quinteto A Truta (Die Forelle), de Schubert, para uma apresentação. Ambiente mais descontraído não poderia haver.
Hoje, posso contar um episódio, com certeza Aírton não se importará de sabe-lo agora: tendo ele ido ao banheiro, Del Claro e Jaffé, este último mais um grande piadista, imitavam o sotaque carioquíssimo do violinista: “minhaix cordaix extão secaix”, disse Del Claro, “aix minhaix também”, emendou Jaffé. Aírton voltou do banheiro e, claro, percebeu alguma coisa estranha acontecendo. Fingiu que não se interessava e retomamos os ensaios sorrindo.
A também saudosa Martha Herr
Outro fato curioso na minha convivência com Aírton foi quando ele, na qualidade de especialista, veio com sua colega de Unesp, a saudosa Martha Herr, para juntar-se à banca de exame da minha defesa de tese de doutorado, na Usp. Soube que houve uma conversa entre os dois sobre o texto, na Unesp. O alvo seria a ausência de notas de rodapé – uma formalidade “must”, coisa mais recente no meio acadêmico. 
Os rodapés...
Eu, pessoalmente, preferia as notas de fim de texto aos “rodapés”, até brincava que eles eram uma espécie de coitus interruptus a cortar a fluidez da leitura para remeter a uma nota no fim da página, perturbando a atenção. Pois corri na biblioteca e fui atrás de dois nomes certos, o intocável Sábato Magaldi, professor emérito e depois acadêmico da ABL, falecido recentemente, e outro emérito e hoje também imortal da Academia, o grande Alfredo Bosi. Antes da defesa, tirei da minha maleta as teses – sem rodapés – dos dois grandes ícones e deixei-as sobre a mesa, como que distraidamente. E não é que funcionou? Nenhuma pergunta sobre pisos, batentes ou rodapés. A defesa foi longa, com questões de alto nível, um belo desafio.
Antigo IA-Unesp
Algum tempo depois, a Unesp mandou regularizar a situação de todos os professores, via concurso. Aí, coisas do destino, eu fui ser banca do Aírton. Simplesmente disse: Aírton, com seu conhecimento, vou aproveitar cada minuto de seu concurso. E pude perguntar tanta coisa sobre a técnica do arco, área de meu interesse principal, que tudo pareceu uma conversa amigável e proveitosa – mas como questionar Aírton? Era a minha vez!

No dia 17 de novembro de 2009, eu estava, depois de 27 anos sem lá voltar, em viagem a Boston, a convite. Estive no New England e na Boston Symphony, e ouvi o nome do Aírton Pinto ao menos 5 vezes em um dia. À noite, recebi uma ligação do amigo Renato Bandel, exímio violista, que, sabendo de minha amizade com o Aírton, foi cauteloso na notícia: meu amigo, aos 73 e pleno de vigor, havia falecido de aneurisma cerebral. Assim mesmo, de repente. Uma pancada eu estar logo ali, em Boston, e ouvir a má notícia, depois de tantos anos: mais uma das coincidências de nossas vidas. 
Aírton mudou-se daqui, mas a amizade e a admiração continuam. Abraço e saudações terrenas, Aírton. Bons solos!