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sábado, 26 de maio de 2012

1 - BLOG COMPLETA 20 MIL ACESSOS EM MENOS DE 1 ANO


O contador do blog estourou, nesta segunda-feira, dia 21 de maio de 2012, 20 mil acessos. O número é interessante, porque equivale a uma média de 1.740 leituras por mês, ou 58 por dia. Foram centenas de postagens, e os acessos vieram dos seguinte países, por ordem decrescente de acessos: Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Portugal, Reino Unido, Rússia, Itália, Argentina, Canadá, Suíça, Espanha, Egito, Angola, Bolívia, Colômbia e  Cuba. Certamente, lido pelos nossos brasileiros residentes no país ou espalhados pelo mundo.

Para comemorar, vamos reproduzir os 5 mais lidos, pela ordem, entre as centenas de postagens. Divirtam-se!

2 - BLOG: 20 MIL: GEOGRAFIA DO BRASIL: RIO DE JANEIRO. PARTE 2/5

Mas é descendo que desenrolo o fio da nossa história: no Rio de Janeiro em que se aporta pela baía de Guanabara, onde o índio Araribóia, de nome “cobra feroz”, cacique e valoroso arqueiro de taba e caiçara, defendeu-nos desde a praia contra a invasão do estrangeiro (com garrucha e espadim), em lutas de muito sangue como foi em Uçurumim. Prosseguindo pelas praias, chegamos a Copacabana (que é “oceano no olhar”), a que Dick Farney deu fama tocando sua obra-prima, a “Princesinha do mar”. Logo na ponta do Forte, à direita se vê Ipanema, lugar onde se encontram as formosas garotas de lá: as jovens, cariocas da gema, saudáveis, de pele morena (vem daí “Kari oká”).

Na outra ponta da praia, subindo o morro onde o pobre, caniço com samburá, de cima da rocha arrisca um peixe pra ele jantar, do meio do morro que abre a enorme saia de espuma na Barra, e indo até o Recreio como fosse renda branca se espalhando pelo mar. Dali mais para frente, e ralando um bocado de chão (no asfalto ou na areia pelando), avista-se a imensidão da Restinga da Marambaia, que também é dividida com Itaguaí e Mangaratiba (as três quase a mesma praia).

Obs: a ideia desta série foi fazer um percurso pelo Brasil, totalizando mais de 60 palavras indígenas em uma lauda e meia, mostrando a importância da nação que deu nome até a este país.

Postado por Henrique Autran Dourado às 09:46 http://img2.blogblog.com/img/icon18_edit_allbkg.gif

321 acessos, 27 jan 2012

3 - BLOG: 20 MIL: A ‘APPLE’ E A MAÇÃ-SÍMBOLO DO 'PECADO' JOBS CRIOU A MAÇÃ?

Agora, a “Apple”, segundo o autor “o maior exemplo de condicionamento de massas que conseguimos criar até o momento”. E, pasme, “Steve Jobs está vivo!!!” Provavelmente, eu deduzo, junto com Elvis Presley, o verdadeiro Paul Mc Cartney, Hitler e outros. Jobs utiliza o símbolo do proibido como sua logomarca.

Ora... Nova York é a “Big Apple” desde os tempos do avô de Jobs, existiu (existe ainda?) uma companhia aérea cujo símbolo era... a maçã. Não a do pecado, mas da maçã do amor símbolo da metrópole norte-americana.

NY é uma cidade repleta de macieiras, daí a “Big Apple”. Era assim que os músicos de jazz dos anos 1920 chamavam a cidade, quando se reuniam em ‘jam-sessions’ (sessões de ‘jazz after midnight’: ‘Jam’) após os trabalhos regulares em casas noturnas. O livro “Tales of the jazz age” (“Contos da era do jazz”), de Scott Fitzgerald (1922), bem retratam a explosão musical da época da “Big Apple”. Nem o pai de Jobs, com certeza, havia nascido. O símbolo é mais velho do que o jazz nova-iorquino.

Postado por Henrique Autran Dourado às 12:49 http://img2.blogblog.com/img/icon18_edit_allbkg.gif
2     dez 2011 – 296 acessos

4 -BLOG: 20 MIL: NELSON RODRIGUES, O “ANJO PORNOGRÁFICO” - Parte 2/4

3.   
2012 é também o ano do centenário do grande teatrólogo, cronista de futebol e jornalista Nelson Rodrigues, autodeclarado “de direitíssima”, sobre quem meu pai, com quem se dava no Rio, conta que a cada um que elogiava uma obra sua ele pedia, com a voz mole de sempre: “escreva, escreva”. (Para registro próprio, já que não era lá de confiar muito nos outros). Nelson, muito ligado aos militares durante os anos de regime de exceção, deixava a “burguesia chocada”, como diria seu filho também Nelson Rodrigues, militante político (então preso): peças como “Bonitinha, mas ordinária”, “O beijo no Asfalto”, “Perdoa-me por me traíres”, “Vestido de noiva” e “Engraçadinha” eram na época de fazer corar os profetas do “Aleijadinho”. O teatrólogo se autodefinia, também, como “um menino que tudo vê pelo buraco da fechadura, um anjo pornográfico”.







Postado por Henrique Autran Dourado às 12:28 http://img2.blogblog.com/img/icon18_edit_allbkg.gif
242essos – 10 jan 2012

5 - BLOG: 20 MIL: FILME NOVO? OU FILME JÁ VISTO?


‘Dilma se opõe a petistas sobre mídia’.

Com o título acima, o ‘Estado’ (6 de setembro, pág. A6) chama a atenção para o chamado ‘controle da mídia’, proposto no 4º congresso do PT. Segundo o jornal, a Presidente teme perder apoio da classe média e setores mais bem informados da população.

Qualquer tentativa de ‘regulamentação’ dos órgãos de comunicação tende a ser vista como perigosa: a sombra do caudilho Chávez parece estar sempre presente. E há quem saia defendendo que uma coisa é partido, e outra governo, esquecendo-se de que nas eleições tudo é ‘a mesma coisa’.
A posição de Dilma é salutar e cautelosa. Porém, essas leves ‘peitadas’ lembram o início do governo Erundina em São Paulo, que provocaram uma cisão em sua base que levou à perda do controle da máquina. 
Lembro-me de que, para ‘passar’ leis na Câmara de São Paulo - a exemplo de uma por nós gestada, para o Teatro Municipal -, a Prefeita chegou a ‘entregar’ projetos nas mãos de alguns vereadores pouco expressivos (e em busca de holofotes) da oposição, para que vingassem.
Terminou assim aquela que foi considerada pelas áreas de Educação e Cultura a melhor gestão da capital paulista por décadas.

Karl Marx ainda é querido por tantos ainda afeitos com rigor às suas idéias - apesar de ser da lavra do pensador alemão a frase ‘a única coisa que não mudará na minha filosofia é que ela mudará sempre’, o que nos faz supor que a esquerda mais conservadora não leu este pensamento. Marx dizia que ‘A história se repete, mas da segunda vez como farsa’. Ora, não há fatos inéditos na história, e sim personagens. Portanto tudo é história ou tudo é farsa. 

Deixemos de lado os devaneios e fiquemos observando o que as decisões pessoais de Dilma podem trazer de positivo, e como ela enfrentará o chamado ‘fogo amigo’. O apoio deve ser sempre para quando ela estiver certa, como nesse caso da ‘regulamentação’.
Postado por Henrique Autran Dourado às 16:23 http://img2.blogblog.com/img/icon18_edit_allbkg.gif
2     set 2011  214 acessos

6 - BLOG: 20 MIL: A FANTASIA DE WALT DISNEY

3.   
É impossível falar de fantasia sem falar de um filme produzido nos estúdios de Walt Disney em 1940 – aliás, uma das primeiras fitas estereofônicas da história. Com o maestro Leopold Stokovsky à frente da imponente Orquestra de Filadélfia, 8 trechos de obras da música de concerto universal travam um diálogo mágico entre sons e imagens: Bach (“Toccata e fuga em ré menor”), Tchaikovsky (“Quebra-nozes”), Dukas (“O aprendiz de feiticeiro” - com Mickey Mouse no ‘papel’ de aprendiz: ver o vídeo ao final da postagem), Stravinsky (“Sagração da Primavera”), Beethoven (Sinfonia “Pastoral”), Ponchielli (“A dança das horas” - tendo animais como personagens), Mussorgsky (“Noite em Monte Calvo”, em um halloween) e Schubert (“Ave Maria”).

Todos os 24 quadros por segundo da “Fantasia” de Disney foram feitos à mão um a um, em estúdio; cada movimento do desenho acompanha com assombrosa perfeição cada tempo, cada compasso, cada frase das músicas executadas pela orquestra. O resultado artesanal de Disney – há mais de 70 anos! - serve para colocar certo pé no freio sobre a badalada genialidade tecnológica de Spielberg e seus seguidores. Disney fez tudo isso manualmente, várias décadas antes! O filme não é difícil de ser encontrado nas locadoras – quem já viu, sempre verá de novo; quem não viu, saiba que está perdendo uma obra-prima. (Abaixo, trecho de “O Aprendiz de Feiticeiro”, com Mickey Mouse no papel de aprendiz)


Postado por Henrique Autran Dourado às 09:18 http://img2.blogblog.com/img/icon18_edit_allbkg.gif
2 mar 2012 194 acessos

sexta-feira, 18 de maio de 2012

I - VIVA A MÚSICA POLITICAMENTE INCORRETA!

O POLITICAMENTE CORRETO, OS NEGROS E CIGANOS

Hoje há patrulhas para tudo. Como as que criaram as cotas raciais nas universidades públicas, abrindo espaço para injustiças e até fraudes ao invés de buscar soluções sociais. Gritam contra qualquer coisa onde vêm algum indício de ‘homofobia’ – mesmo que não haja algum. Seria  a cota negra uma espécie de ‘remorso branco’, lembrando o flagelo que a corte portuguesa e nossos antecedentes brancos impuseram à raça negra que escravizou? (Imagem: escravos, por Debret). Remorso tardio, portanto, pois acabou a escravidão, há uma miscigenação incomum em nosso povo, tudo caminha para um futuro mais igual para todos – o foco deve ser a justiça social. Porém, a igualdade racial não funciona por decreto. Ela é cultural. (E existe a “Lei Afonso Arinos”, de 1951, que pune todos os tipos de preconceito de raça, qualquer que seja ela).
O Ministério Público Federal de Uberlândia quer censurar a palavra ‘cigano’ em uma publicação. O termo tem diversas acepções, e vem de muito longe. No caso, seria ‘malaco’. Ora, ‘ganjão ou gajão’ é o termo com que os ciganos se referem aos não-ciganos. E por que não censurar também ‘baiano’ (preguiçoso), ‘turco’ (comerciante duro na queda), ‘mineiro’ (desconfiado), ‘carioca’ (malandro), ‘judeu’ (mão de vaca), ‘paulista’ (metido) que são usados popularmente e na literatura? Quando se entra em locais onde predominam negros, e eles se referem a alguma pessoa como sendo um ‘branquinho igual você’. Quem se incomoda? Acho que ninguém, eles o fazem carinhosamente... E muitos ainda dizem “uma moça (ou rapaz), de cabelo bom”... 

II - VIVA A MÚSICA POLITICAMENTE INCORRETA!

PORTUGUESES E AFRODESCENDENTES

E que dizer da pecha ‘português’, quando alguém quer dizer de outro que não entendeu alguma coisa? Tenho amigos portugueses e judeus que são os primeiros a desfilar piadas sobre suas origens! A ofensa está no contexto, na intenção, não na palavra, e é claro que elas existem aqui e ali. Uma coisa é o uso e costume em tom de brincadeira. Outra é a injúria e a ofensa. (Na foto, Estátua ao navegador português Gaspar Corte-Real, em Terra Nova).


E essa história dos afrodescendentes, tão nova mas já tão batida e desgastada? Pois ela ronda o que há de melhor na literatura e na música brasileira, e o primeiro exemplo pode ser o “Negrinho do pastoreio”, do nosso folclore, tanto na lenda quanto na música.
Talvez alguém lance seus olhos ‘corretos’ (sim, a espada da ‘patrulha’ há pouco passou rente à cabeça do Monteiro Lobato) sobre “O navio negreiro”, uma das mais importantes obras de nossa literatura,  junto com “Gonzaga”,  de Castro Alves, e “Iaiá Garcia” de Machado de Assis: ele mesmo conhecido como um 'mulato'. Há personagens negros libertados pela Abolição que continuaram fieis e subservientes aos seus amos. E que tal “O mau negro”, de José de Alencar, ou “O bom crioulo”, de Afonso Caminha, ele mesmo ex-escravo e gay, opção adotada quando passou a frequentar certos galpões da Marinha? 

III - VIVA A MÚSICA POLITICAMENTE INCORRETA!

‘PÉROLAS NEGRAS’ E A OPÇÃO SEXUAL
Mais de um século de músicas seriam postas de lado: “Vem cá, mulata” (1902), de Arquimedes de Oliveira e Bastos Tigre, “Urubu malandro” (autor desconhecido), “Esta nega qué me dá”, de Caninha e Lezute (1921), “Mulata Fuzarqueira”, de Noel Rosa, “O teu cabelo não nega”, dos Irmãos Valença e Lamartine Babo, “Por causa dessa cabocla”, de Ary Barroso (foto) e Luís Peixoto, “Nega do cabelo duro”, de David Nasser e Rubens Soares, e por aí vai. Sem falar em nosso ‘segundo hino’, a “Aquarela do Brasil”, com aquela ‘merencória’ introdução: “Brasil, meu Brasil brasileiro/ meu mulato inzoneiro...”. E o que seria de “Olha a cabeleira do Zezé” (“... será que ele é/será que ele é...”), do João R. Kelly e Roberto Faissal? E com o “Vira”, de J. Ricardo e Luli, gravado pelos Secos e Molhados (“Vira, vira, vira homem...”)? Em 1903 também já se cantava “O bonequinho”, de Bahiano, sobre um certo boiola da Lapa, e em 1931 “Mulato bamba”, de Noel, sobre o perigoso travesti carioca “Madame Satã” (veja e ouça abaixo).


IV - VIVA A MÚSICA POLITICAMENTE INCORRETA!

O NEGRO NA MÚSICA DA GERAÇÃO PÓS-GUERRA
Damos agora um salto no tempo para chegarmos ao “Upa, neguinho”, de Edu Lobo; ao “Sim, sou um negro de cor”, de Simonal (“Tributo a Martin Luther King”, foto),  e também a Caetano: “A tua presença mantém sempre teso/ o arco da promessa/ (...) É negra, é negra, é negra, é negra, a tua presença”.  E “Black is beautiful”, dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, e “Preta, preta, pretinha”, dos Novos Baianos, quem não se lembra, vai?
E as ‘mães pretas’, de nossos pais, os “Ladinos e crioulos” (1964), livro de Édison Carneiro? Quem não sabe que D. Pedro I assinava cartas de amor para sua paixão secreta –‘pero no mucho’-, a Marquesa de Santos (ilustração ao lado), com um carinhoso ‘seu neguinho’ (Câmara Cascudo: “Dicionário do Folclore Brasileiro”). E o verbo que o povo fala sem pensar: ‘judiar’. Será que o populacho quer dizer que o personagem bíblico que ‘vendeu’ Cristo (e o ‘judiou’?) opõe o povo judeu ao cristão, quando na verdade o Salvador era não apenas também judeu, mas chamado ‘o rei dos judeus’. E ‘coitado’, você conhece a origem? Pois é palavra antiga, de ‘coito’, vinda do latim coactus, de ‘forçado a fazer algo coagido, violentado’. E o fulano que ficou “enfezado” (a origem da palavra é óbvia)? A gente fala todo dia, não?...