LIVROS

LIVROS
CLIQUE SOBRE UMA DAS IMAGENS ACIMA PARA ADQUIRIR O DICIONÁRIO DIRETAMENTE DA EDITORA. AVALIAÇÃO GOOGLE BOOKS: *****

sexta-feira, 27 de abril de 2012

I - PAU-BRASIL, PAU PRA TODA OBRA!

I – A CHEGADA DAS NAUS PORTUGUESAS.

Madeira nobre de nosso litoral (principalmente o nordeste), a espécie foi explorada à exaustão pelos colonizadores portugueses, com suas ‘armas e barões assinalados’, que naquela nebulosa viagem às Índias Ocidentais iriam buscar especiarias; contudo, devido a supostas ‘calmarias’, tiveram suas naus, “Santa Maria, Pinta e Nina” -como nos ensinaram nos colégios-, aportando na Bahia, a terra da promissão lusitana: Vera Cruz, Santa Cruz, e finalmente, Brasil.
O pau-brasil (caesalpinia echinata, da família das leguminosas) possui diversas variedades, como  o pernambuco, o pau-rosado, o pau de tinta e o sapão. Entre os indígenas, chamava-se arabutã, ibirapitanga ou orabutã. Da madeira era extraída tintura para tecidos, pois um simples verter de água sobre ela fazia escorrer uma tintura vermelha, que os portugueses utilizavam para colorir suas vestes, panos, cortinas e o que mais lhes conviesse. O pau-brasil era também muito empregado na fabricação de móveis, madeira extremamente resistente (não apodrece) que é inimiga de pragas como o cupim, pois além de dura é extremamente amarga. Muitos desses móveis coloniais permanecem intactos até os dias de hoje. Alguns postes de luz em Niterói (RJ) e cidades do interior são cobiçados, assim como no campus Butantã da USP e em inúmeros outros lugares. Na frente do Teatro do Conservatório de Tatuí há um belo e frondoso exemplar, plantado há 25 anos por Durvalino Longanezzi, motorista da instituição (foto acima). 

II - PAU-BRASIL, PAU PRA TODA OBRA!

O CONFISCO DA MADEIRA E A FABRICAÇÃO DO ARCO.

O pau-brasil quase desapareceu da costa brasileira, dada a ambição insaciável dos colonizadores. Em tempos mais recentes, o Governo Federal (Lei 6607/78) declarou o pau-brasil patrimônio nacional, em vista da eminente extinção da espécie, proibindo o corte. O Ibama confisca quantidades enormes de pau-brasil ilegal, e chegou a oferecer ao Conservatório de Tatuí lotes apreendidos no Porto de Santos, para serem usados na oficina de luteria. Hoje, só se corta se houver a contrapartida do replantio.
O preço da vareta crua – ou ‘virgem’ -, chega a mais de 300 dólares no mercado norte-americano. A madeira é trabalhada, curvada sob o calor de uma simples lamparina e tem esculpida sua ponta superior, onde se ata uma das duas pontas da crina; na outra extremidade, é encaixado o talão, geralmente feito com o lindo ébano negro de Madagascar, peça onde é atada a outra extremidade da crina. Um fino parafuso de ajuste do talão é inserido no centro da vareta, e serve para retesar para mais ou para menos a crina que irá friccionar as cordas do instrumento, produzindo o som. 

III - PAU-BRASIL, PAU PRA TODA OBRA!

OS ARCHETAIOS, ARTESÃOS DO ARCO.

Assim como entre os próprios instrumentos, cada arco é inteiramente diferente do outro em suas qualidades. A ponta é talvez a peça mais importante para a identificação do autor, pois seu desenho é uma espécie de ‘grife’ do artesão (na foto, uma ponta de arco "tourte"). O fabricante de arcos é conhecido como archétier (em francês) ou archetaio (do italiano), palavras ainda não incorporadas ao vocabulário nacional. (Já lutier - de luthier, em francês, que é o fabricante de instrumentos, é palavra devidamente dicionarizada).
Pela ponta do arco, podemos reconhecer a assinatura de alguns grandes famosos, a partir de Tourte –que foi quem consolidou o uso do pau-brasil, o parafuso do talão e a curvatura moderna, convexa: Peccatte, Voirin, Lamy, Lafleur, Lupot e Savart. Repare que os grandes archetaios são franceses, assim como os mestres maiores da construção dos instrumentos de cordas foram quase todos italianos (Stradivarius, Del Gesù, Montagnana, Rogeri, Ruggeri, Storioni, Da Salò...).

IV - PAU-BRASIL, PAU PRA TODA OBRA!

A TÉCNICA DO ARCO

Há alguns expoentes do violino que dizem preferir um excelente arco e um violino mediano a um excelente violino e um arco medíocre. Pois é essa vareta – mágica, por sinal – quem ‘ordena’ o som, sua duração, seu timbre, seus ataques, sua coloração e volume. Há toda uma gama de gestos e movimentos da mão com a vareta chamados ‘golpes de arco’: jeté, martelé, spiccato, gettato, col legno... Em meu livro “O arco dos instrumentos de cordas”, cataloguei esses golpes em verbetes, explicando-os, e foram nada menos do que 327 deles! É pau pra toda obra de arte!
(capa do livro acima, óleo sobre madeira de Henrique Boliani)
É o domínio desses golpes que fornece ao instrumentista as ferramentas para modelar sua interpretação, seja nos momentos agitados ou mais lentos aos agressivos ou femininamente suaves. E para não dizer que não postei música, vejam o Ministro da Cultura da Ucrânia exibindo seus dotes com o arco. Se não vale tanto pela qualidade musical, serve para demonstrar que tudo é possível com o arco, assim como fazia Paganini, com suas estripulias. E, a título de comparação, como andam países como a Ucrânia em relação aos seus Ministros de Cultura e nosso... pobre Brasil...

V - PAU-BRASIL, PAU PRA TODA OBRA!

SOM DOCE, PREÇO SALGADO.

Em 2007, um pregão do leiloeiro Tarisio, de NY, vendeu dois arcos de violoncelo da melhor linhagem de Tourte, peças que pertenceram no passado a Romberg e Piatti, que fazem parte da história do instrumento. Cada peça custou a bagatela de US$ 200 mil, ou seja, R$ 360 mil. Um bom peccate custa hoje na faixa dos $ 150, $ 300 mil dólares. O recorde ficou com um tourte, vendido em 2011 pelo leiloeiro Bonhan’s, de Londres, por meras 150 mil libras – R$ 434 mil. O grande violinista Jasha Heifetz (1901-1987), um dos maiores de todos os tempos, possuía um estojo especial para seus 8, 10 arcos. Para cada obra escolhia o ideal para a execução, a depender do estilo. Pau-brasil pra toda obra!

Conseguir comprar instrumentos e arcos dos grandes gênios artesãos (luthiers e archétiers) está cada vez mais longe do alcance dos músicos: um conjunto de violino e arco pode esbarrar em alguns milhões de dólares. Cada vez mais, são as grandes Fundações internacionais que presenteiam jovens virtuoses com instrumentos em regime de comodato: eles os ‘terão’ enquanto viverem. Mas tudo isso não deve ser motivo para sua preocupação, jovem músico: nem só de Rolls-Royces e Bentleys vive o homem, e menos ainda o glorificam.

BOA NOTÍCIA: BLOG COMPLETA 18.155 VISITAS EM 9 MESES E MEIO

Pela ordem decrescente, as visitas foram, além do Brasil, claro, de países como Brasil, EUA, Alemanha, Reino Unido, Portugal, Rússia, Suíça, Argentina, Canadá, Itália, Emirados Árabes e Espanha.
Abaixo, a situação quando da migração do blog antigo para o atual, blogspot:

Logo adiante, com reformulação gráfica, de conteúdo e outras, segue a captura da tela na sexta-feira, dia 27 de abril de 2012.

Se você quer ser ‘seguidor’ do blog, na faixa azul escura bem no topo da tela de seu monitor, ao lado do espaço de busca em branco, há a opção ‘seguir’. Clique lá e confirme.


Foram 385 postagens (artigos) até hoje, no blogspot, mais 68 pelo blog anterior, totalizando 453, e versando sobre os mais diversos assuntos, mas sempre com um pé na música. Foram 453 postagens entre os dois dois blogs, mas as cinco mais lidas das 291 do atual blogspot que você lê foram, pela ordem, “A Apple e a maçã-símbolo do ‘pecado’”, de 2 de dez de 2011 (278 visitas), “Geografia do Brasil: Rio de Janeiro, parte 2/5”, de 27 jan de 2011 (246 visitas), “Nelson Rodrigues, o ‘Anjo Pornográfico’”, de 10 fev 2012 (245 acessos), “Filme novo?”, de 12 set 2011 (222) e “Leis que pegam e leis que não pegam”, de 8 nov 2011 (157 visitas).


Uma média de 1.911 acessos por mês, 65 por dia. Obrigado pela leitura!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

I - O ENLACE INCESTUOSO ENTRE A MÚSICA CLÁSSICA E O PODER PÚBLICO

I – Nuremberg, os Mestres Cantores e os vapores do Danúbio

No século XVII, a prefeitura de Nuremberg, Alemanha, resolveu disciplinar seus músicos, afeitos à costumeira baderna nos ensaios. Proibiu ensaios fora da prefeitura (foto ao lado), e passaram a ter a estrita vigilância de um subprefeito que conhecia música, para não ser ludibriado. Além disso, mais burocracia: passaram a classificar os músicos em categorias. O iniciante era um Schüller; quando promovido, tornava-se um Schüllfreund; depois, Sönger, assim que aprendia a ler música (Tablatur). Com o tempo, chegava ao posto de  Dichter e finalmente Meister. Quem não conhece a ópera “Os mestres cantores – Die Meistersinger - de Nuremberg”, de Wagner, e sua famosa abertura? (veja e ouça no vídeo abaixo). Os cantores eram classificados em Singermeister, Singermeistermeister, e finalmente em Singermeistermeistermeister. Não é piada, é sério.  Coisas da língua alemã. 

O ‘Guinness’ registra como palavra mais longa um certo... Donaudampschiffartselektrizitaetenauptbetriebswerkbauunterbeamtengesellschaft: ‘Clube dos Oficiais de Vapor do Rio Danúbio’. Haja fôlego.

[Abaixo, veja e ouça a Filarmônica de Viena, regida por Christian Thielemann, na abertura da ópera “Die Meistersinger von Nürnberg]


II - O ENLACE INCESTUOSO ENTRE A MÚSICA CLÁSSICA E O PODER PÚBLICO

II – Mozart, Haydn e o poder
Mozart (1756-1791) foi compositor oficial da Câmara Imperial de Viena, recebeu encomendas de Leopoldo II e encantou Francisco I e Guilherme II. Haydn (1732-1089, ilustração ao lado) foi protegé do Príncipe Esterhàzy. Este, ao ouvir falarem sobre o popular compositor vienense, convidou-o para um encontro no palácio. Deu-lhe um cargo, mas pediu que lhe dessem um ‘banho de loja’: botas de salto alto (Haydn era baixinho), certo pó de arroz e rouge no rosto, já que era tísico, e uma bela peruca, os dedos cheios de anéis. Haydn também compôs para o Conde Von Morzin e Frederik William, rei da Prússia. (Divertido: Beethoven apelidou Haydn, que fora seu professor, de “Velha Peruca”. Pois a “Peruca” do professor transitava com desenvoltura nos círculos do poder e da nobreza).

III - O ENLACE INCESTUOSO ENTRE A MÚSICA CLÁSSICA E O PODER PÚBLICO

III – Burity, a Sinfônica da Paraíba e o Espaço Cultural
Saltando no espaço e no tempo, Tarcísio Burity, Governador da Paraíba (1979/87 e 1982/91), foi um político famoso, falado e cantado em cordel como coroné ao estilo da velha oligarquia nordestina. Como a esposa do governador queria porque queria trazer o Chico Anysio para um show em João Pessoa, e a produção disse que não havia uma sala compatível com o espetáculo, a primeira-dama, com todo o poder que mulheres de governantes têm ‘intramuros’, exigiu que fosse construído um teatro magnífico. Pois em pouco tempo foi levantado o ‘Espaço Cultural’ (foto acima). Burity, orgulhoso por essa súbita visibilidade no meio cultural, teve o insigne maestro Eleazar de Carvalho como Regente Titular da Orquestra Sinfônica. Eleazar levou para lá alguns dos melhores músicos do país, assim como diversos do exterior, e criou um festival com grandes nomes, como Parisot e Gingold, expoentes do violoncelo e do violino.

IV - O ENLACE INCESTUOSO ENTRE A MÚSICA CLÁSSICA E O PODER PÚBLICO

IV – O atentado à vida de Burity e o renascimento da música na Paraíba sob a batuta de Alex Klein
Cunha Lima, sucessor de Burity no governo paraibano, não escondia que era um bronco e nem ligava para esse tipo de “biscoito fino”. Perguntado pela imprensa se manteria a Orquestra Sinfônica, o governador novato soltou uma de suas bravatas: “meu negócio é orquestra sanfônica”. E disse mais: “num dô dois conto pra tocador de bumbo”. 
Anos depois, em 1993, desafetos os dois na música e na política, Lima entra no restaurante Gulliver e dispara 3 tiros em Burity (na foto, capa da Veja sobre o assunto). 
Coisa de sertão paraibano, terra de macho. E a cabeça da orquestra passou a viver sob a ‘espada de Dâmocles’ (ilustração ao lado) da desativação, descaso. 
Por obra e graça da usual ‘cornetada’ política, recentemente espalhou-se maldosamente que o Secretário Chico César tinha intenção de pulverizá-la em pequenas bandas pelo interior. O mal entendido foi desfeito com a nomeação de nosso amigo e grande músico Alex Klein, de altos coturnos internacionais.