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sábado, 3 de março de 2018

ERAM OS MÚSICOS ASTRONAUTAS? IV


Fraudes, drogas e rock’n’roll
Usa-se de quaisquer artifícios para se conquistar um lugar ao sol. Até mesmo fraudes. Há mais de uns 25 anos um obscuro violinista de São Paulo, cujo nome prefiro não mencionar, foi alvo de notícias em vários órgãos de imprensa quando se descobriu que ele recorrera a expedientes nada canônicos, como diria meu pai, para sua pré-classificação em concurso no exterior. Fez passar como gravação sua um disco antigo e raro de um velho mestre do instrumento. Em âmbito internacional, foi denunciado por algo como um ‘estelionato musical’. Mas o assunto morreu.
Infelizmente, para ele, existem pessoas tão expertas nesse tipo de gravações históricas que nem mesmo uma frase musical, que seja, lhes passa despercebida, quando se trata de um artista de primeira grandeza. Consta até que existia uma espécie de ‘clube’ em NY, em que alguém colocava um disco na vitrola e os contendores duelavam apostando qual regente conduzia a abertura de ópera ou sinfonia tocada. Sociedades de amantes inveterados da música. Falando de outro brasileiro, este para ingressar em uma grande universidade americana outro usou um instrumento um tom abaixo (tocando bem mais lento), mas com certa habilidade, “puxou” a velocidade da fita para a tonalidade correta, algo mais rápida, mostrando uma destreza que não tinha. A partir desse incidente, obviamente percebido, passaram a exigir que o candidato repetisse lá, ao vivo, o que havia gravado. E, com o advento da tecnologia, passaram a aceitar somente vídeos: imagens com sons não mentem, não há mímica a se fazer, nem dublagem que escape.
Existem inúmeros casos de expedientes escusos para conquistas e autopromoção. Um deles, certamente, é o de uma pianista brasileira que há muitos anos, anualmente, enviava seu currículo pedindo datas em concertos para solista com grandes orquestras. Os administradores usavam como polida desculpa, segundo suas normas, a temporada seguinte estava repleta, e que o candidato deveria aguardar outra oportunidade – 'quem sabe, dois anos depois’. De posse das cartas, o artista as incluía em seu currículo e portfolio, informando que havia sido convidado para ser solista com tal e tal orquestra no ano seguinte.
MET, o templo novaiorquino 
Houve também casos de recortes de críticas escritas para performances de grandes artistas no exterior, habilmente montadas como se fossem de uma caprichosa artista. Com rara virtuosidade em outros instrumentos – fotocópia, tesoura e cola -, juntava essas críticas às suas diminutas, como se os comentários tivessem realmente sido escritos para ela. E há o caso também de cantor lírico amador, um negociante, que em viagem comercial inscreveu-se em concurso de seleção para participar de grandes casas de óperas, como o famoso MET (Metropolitan Opera, de NY). Recebeu ofícios com as datas de suas provas – que, claro, nem chegava a realizar. Nos EUA, os testes de seleção para músicos são chamados auditions, mas em uma tradução ao pé da letra, no Brasil, a palavra significa 'audições', apresentações. Daí, não foi difícil para o esperto ‘artista’ incluir essas performances que nunca aconteceram em seu currículo, dizendo que havia sido convidado para apresentar-se nessas grandes casas de ópera.
Fora das fraudes, o exótico sempre foi uma vitoriosa estratégia, como faziam os ex-rebeldes, hoje arrumadinhos e para lá de setentões Paul e Ringo, que juntamente com George e Lennon formavam o maior conjunto de música pop de todos os tempos. Chegaram a ser malditos como os possíveis quatro cavaleiros do apocalipse, e souberam explorar todas as possibilidades que a ‘macaquice de auditório’ lhes poderia oferecer. Ficaram tão famosos que certo dia, talvez meio surtado, Lennon disse que eles eram mais populares do que Jesus Cristo, blasfêmia que causou o maior reboliço. Se, por um lado, contavam com essas habilidades e a inteligência de Lennon, por outro havia Ringo Starr. Saído da classe portuária de Liverpool, perguntado se gostava de Beethoven respondeu que... amava os poemas dele.
Após os Beatles receberem uma condecoração da rainha da Inglaterra, Lennon mais uma vez extrapolou, e disse que os quatro novos cavaleiros naquele dia fumaram maconha em um dos banheiros do palácio. Queimaram escondidos, claro, mas a revelação, anos depois, não abalaria o mundo e menos ainda a incólume rainha britânica – sua majestade já havia colhido os dividendos que o conjunto havia levado à Grã-Bretanha. Os fab four acenderam, com essa revelação, mais do que um mero baseado, um estopim para renovar seu conceito entre os jovens rebeldes de todo o mundo. É que os quatro rapazes já estavam sendo considerados um tanto quanto comportados para seus fãs, cujos olhos se dividiam com outros cabeludos da ilha, os Rolling Stones.
Dr. Timothy Leary, professor e guru
A quebra da imagem de ‘bonzinhos’ caiu muito bem aos Beatles naquela época. Mas, pecando pelo exagero, uma das tentativas de gravarem Getting Better, do álbum Sgt. Pepper’s, foi interrompida pelos ataques incontroláveis de riso e total impossibilidade de tocar de Lennon, que estaria ‘viajando’ de ácido lisérgico, o LSD, coisa em voga naquela época. Seduzidos pelas experiências do professor, psicanalista e guru californiano Thimothy Leary, que apelidou a droga com as iniciais de sua seita particular, League of Spiritual Discovery (Liga de Descoberta Espiritual), as mesmas iniciais, diga-se de passagem, do título Lucy in the Sky with Diamonds, de Lennon e McCartney, obra-prima que é uma apologia nada discreta sobre o alucinógeno. (Cont.)

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