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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

SAI DE CAMPO ORLANDO, ENTRA REBELO

ORLANDO SILVA: LITERALMENTE, A BOLA DA VEZ
Crise teve a duração de um pavio. Aceso

a data de ontem, 26 de outubro, o Planalto anuncia de vez a saída do Ministro que não queria sair, entregando ao PC do B de Orlando a tarefa de indicar a substituição. Na bolsa de apostas, um bom quadro: Aldo Rebelo. A favor dele, a inteligência e a integridade, ao menos pelo que sei. No passado comum com outros membros e ex-membros do Governo, a UNE e a militância na AP (Ação Popular).


nteligente, mas muito antiquado, Rebelo insiste de forma radical em nacionalizar completamente a língua brasileira, com o que em parte devemos concordar: apagar, ao invés de deletar, ligação, e não interface, e outras besteiras que a informática leva os jovens a uma linguagem quase hermética e permissiva com os erros mais crassos. Contudo, o exagero pode ser tão pernicioso quanto a censura e a obrigatoriedade de se aplicar e se cobrar somente a chamada ‘língua culta’ em português ‘castiço’.

Dá para fazer ilações e mesmo brincadeiras, pois é com bom humor que devemos enfrentar os desafios e crises e é com esperança que confiamos que o próximo Ministro seja honesto e eficiente. Já são seis nesse ‘dominó ministerial’! Ontem, papeando com amigos, imaginei como seria o esporte do paulistano (!!) Charles Müller, o “football” (de onde ‘futebol’), que ele trouxe para o Brasil junto com o ‘rugby’. O Congresso Nacional decreta e a Presidente da República, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Constituição Federal, sanciona a seguinte Lei: fica proibido dizer 'futebol' (de 'football'), que passa a se chamar 'chutebola'; ‘gol’ (de ‘goal’), que passa a ‘tento’, apenas; ‘pênalti’ (de ‘penalty’) vira ‘penalidade’, ‘corner’, canto. Na natação, não se nada mais em estilo ‘crowl’, e sim peito, e só. No tênis, nada de dizer ‘sets’, e sim ‘partidas’, nem ‘games’ e sim jogos. No ‘Golf’, bem no Golfe, ai, ai...

IVAN CAMARGO E A UBE

IVAN CAMARGO LEVA PRÊMIO INTERNACIONAL
Vencedor na categoria peça de teatro da UBE é tatuiano

O autor do divertido “Assombrações caipiras” e jornalista tatuiano Ivan Camargo venceu o prêmio da UBE (União Brasileira de Escritores) com a peça teatral “Até que a morte nos enlace”. A obra chamou a atenção por colocar em exposição um tema tabu, nos dias de hoje, e que é um assunto frequente também nos editoriais do jornalista: os exageros do chamado ‘politicamente correto’. A premiação acontecerá em  cerimônia na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro. A entidade já foi presidida por brasileiros ilustres como Sergio Milliet, Antonio Cândido, Sérgio Buarque de Holanda e Lygia Fagundes Telles.

Trocando em miúdos, Ivan trabalha sobre essa coisa de ter de dizer ‘homoafetivo’ e não ‘homossexual’, ‘afro-descendente’ ao invés de ‘negro’, e ‘portador de necessidades especiais’, e não ‘deficiente físico’ ou ‘cego’, só para citar alguns exemplos. O texto pede apenas quatro personagens, e, além da verve cômica, a peça coloca em discussão um assunto sério, a crítica dessa chatice conhecida por ‘politicamente correto’.

Bem antes mesmo de Ivan cogitar concorrer ao prêmio, no ano passado, recebi uma cópia do texto, que li e repassei ao Carlos Ribeiro, Coordenador da área de Artes Cênicas do Conservatório de Tatuí. Se antes já havia a disposição de montar a peça, agora, mais ainda, a apresentação na cidade natal do escritor, jornalista e dramaturgo passou a ser uma missão a ser cumprida. Vamos aguardar 2012 com menos citações politicamente corretas e a encenação da peça!

PRÉ-ESTREIA NA TV

PRÉ-ESTREIA NO CONSERVATÓRIO DE TATUÍ
Semifinal do programa da TV Cultura acontece na cidade

Gravação ao vivo será no sábado, 5 de novembro, às 17h30, no Teatro Procópio Ferreira. Confira:


JUSTIÇA FEDERAL E MAIS DOAÇÕES

MAIS DOAÇÕES DE INSTRUMENTOS PELA JUSTIÇA FEDERAL
Substituto do Dr. Fausto de Sanctis na 6ª Vara Federal liberou mais R$ 18 mil. O critério de escolha será o mesmo de antes: talento e carência

Desta vez, haverá a escolha dos instrumentos para áreas que mais necessitam: um trompa e um teclado de percussão (uma marimba ou um xilofone, por exemplo). Depois, a triagem dos que estão aptos a receber por necessidade financeira, e, por último – mas não necessariamente nesta ordem -, pelo talento.

Quando da visita do Dr. Fausto ao Conservatório de Tatuí, em agosto, houve várias demonstrações de que as escolhas estava acertadas: o nível foi bastante alto. Como antes, será lavrado um termo de acordo, e o instrumento ficará sob a posse precária dos alunos contemplados, que não poderão ser reprovados e deverão devolver os objetos recebidos caso desistam do Conservatório antes de se formarem. 

BEETHOVEN E A REPÚBLICA

NAPOLEÃO BONAPARTE E BEETHOVEN:
DOIS GÊNIOS E DUAS MEDIDAS
(A ser publicado em ‘O Progresso’)

A imagem que restou do grande conquistador francês é romantizada e deturpada, fixando-se muito no período imperial. O grande líder, nascido na Córsega e apreciador de bons vinhos e boa música, aos 16 já era oficial da artilharia. Aos 24, chegou a General de Brigada e, aderindo à Revolução, aos 27 alcançou o posto de Comandante em chefe do Exército francês, como Generalíssimo. Napoleão acabou com a corrupção na França, cessando a indignação do povo contra os políticos; elevou o padrão de vida dos cidadãos e restaurou-lhes a autoconfiança; dotou o país de Códigos Civil e Penal. Chegou ao apogeu depois do chamado 18 Brumário, golpe militar analisado muitos anos depois por Karl Marx, em uma de suas inteligentes investidas no ramo da história (“O 18 Brumário de Luís Bonaparte” aborda o golpe que abriu caminho para Napoleão tornar-se ditador). Bonaparte também cultivava as letras, lançando-se a aventuras históricas em que mais distorcia os fatos a seu favor do que contribuía para o futuro, como é o caso de seus comentários sobre “O Príncipe”, de Machiavel, obra dedicada à arte do poder e da guerra. Napoleão baseava-se nos seus feitos e erros para comentar ou justificar-se aos escritos de Machiavel, e lançava suas reflexões à parte, mais do que à análise da obra do italiano.
No início, por suas ideias e atos, Napoleão foi idolatrado. Cativava a Europa com fama tal que dobrou Beethoven,  conhecido por não se curvar sequer perante príncipes e monarcas. O compositor dedicou-lhe sua 3ª Sinfonia (“Eroica”), concluída em 1804. Pairavam no ar os ideais da República, da ‘liberdade, igualdade e fraternidade’, mas a ambição napoleônica começou a invadir não apenas terras distantes do domínio francês quanto a perturbar sua própria mente - que, alçada em vôo por uma inteligência privilegiada, levou-o a atos insanos: em 1803, conseguiu que o Senado o sagrasse Imperador, destruindo assim as aspirações republicanas do povo. Por causa disso, Beethoven, irado, riscou a dedicatória que antes havia escrito em homenagem ao militar francês no frontispício da partitura de sua “Eroica”, no que fez um dos grandes protestos individuais da história. Pena: o brioso Imperador perdia assim uma homenagem monumental - seu próprio nome eternizado em plena incursão de Beethoven no romantismo, talvez a primeira em vulto. Beethoven estava encantado pelos ideais da Revolução Francesa, tendo sido tomado pelas ideias republicanas durante sua estada em Viena, onde também viviam Schiller e Goethe, dois literatos envolvidos com os novos ideais. 

Logo ele, Napoleão, que disse que “amava o poder como um músico ama seu violino, para dele poder extrair sons, acordes e harmonias!” O protesto de Beethoven deve ter sido um golpe bastante forte na egolatria que assaltara a cabeça do Imperador francês. Goethe classificou o gênio alemão como “uma criatura absolutamente indomável” – aliás, como o garboso Napoleão, o compositor se dizia tão perfeito em sua arte que se considerava acima de qualquer crítica. Igualava-se, em grandeza, ao Imperador que havia renegado. Mas quem saiu perdendo foi Napoleão. Que dedicatória memorável deixou de ter! Para a música de sua suntuosa coroação como Imperador, o francês teve de contratar o italiano Giovanni Païsiello (bom músico, mas pequeno, diante da sombra de Beethoven) para obras de grande envergadura: uma ‘Missa’ e um ‘Te Deum’ para nada menos que duas orquestras e dois coros, em festa coberta com ouro e pompa à altura das melhores coroações do longo Império inglês.
Vendo naufragar a economia e, com ela, seu poder na França, Napoleão foi forçado a se exilar na costa Toscana, na Ilha de Elba, em 1814, onde, em 1815, soube-se definitivamente destronado, após o desastre da histórica batalha de Waterloo. Foi para o desterro na ilha inglesa de Santa Helena, onde morreu 6 anos depois. Deixou o mundo admirando a arte dos sons, dizendo que “a música é a voz que nos diz que o ser humano é muito superior ao que ele se imagina”. Perdeu a chance de entrar para a história como um ícone de República, da libertação dos povos e dos ideais mais profundos da Civilização. Tivesse sido assim, talvez Beethoven não apenas teria mantido a dedicatória da “Eroica”.

Napoleão, se tivesse entrado para a história como libertador, e não como um ditador louco, poderia ter recebido a glória maior que um ser humano poderia obter na Terra como homenagem póstuma: a 9ª Sinfonia de Beethoven, com o belo poema de Schiller magistralmente musicado pelo gênio alemão: “Todos os seres bebem alegria / no seio da Natureza / Todos, os bons e os maus / seguem uma trilha de rosas / ela (N.A.: a natureza) nos deu beijos e vinho / e uma amizade leal até a morte / levou força aos humildes / e ao querubim que se levanta diante de Deus”.

6 MESES DE BLOG!

BLOG SUPERA 9.200 ACESSOS EM 6 MESES
Veja alguns detalhes

No dia 26 de outubro, quarta-feira, este blog completou mais de 9.200 visitas (em seis meses de existência), sendo a grande maioria, claro, do Brasil, e dentre esses certamente a grande parte de Tatuí. A seguir, Estados Unidos, quase empatada a Alemanha, Reino Unido, Portugal, Rússia, Suécia, Itália, Emirados Árabes e Holanda. Há brasileiros ‘plugados’ em nossas coisas em todos os cantos do mundo. (Graças à informática, que veio para resolver problemas que nunca antes existiram).

As dez postagens mais lidas foram, nessa ordem: “Filme novo?” (12/09/11), uma comparação das dificuldades políticas de Dilma com aquelas por que passou Luiza Erundina na Prefeitura de São Paulo (1989/1992); “O lado obscuro da soja” (22/06/11), baseada em pesquisas que apontam malefícios diversos provocados pela ingestão de soja e comparações com o leite de vaca; “Conduzindo Miss Deise” (08/08/11), sobre o casamento da jornalista Deise Juliana; “Elvis Presley e Lisa Marie: a tecnologia do impossível” (14/10/11), comentando um ‘quase hoax’, gravação póstuma de Lisa com o pai; “A mais importante matéria” (22/07/11), sobre a Lei de Cândido Vaccarezza, em 2006, quando ainda era Deputado Estadual, projeto que, aprovado, extinguiu, por deslize, a lei 997/1951, do então Deputado Narciso Pieroni, que criou o Conservatório de Tatuí (ora aguardando parecer na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa, após pauta de cinco sessões regimentais); “Fossa e alegria” (30/09/11), sobre música de fossa e de alegria; “Blog muda de endereço” (29/06/11), sobre a mudança deste blog do UOL para o Google (“Blogspot”); “Jonathan, menino prodígio, maestro” (15/07/11), sobre uma criança regendo uma orquestra; “Jonathan, menino prodígio, rege Strauss” (18/07/11), sobre outro vídeo do menino, e, finalmente, “O conformista e o perigo de nos acostumarmos”, que aborda o filme de Bertolucci (1970), “O conformista”, e o perigo que enfrentamos se começarmos a achar a corrupção uma normalidade.

2012: CENTENÁRIO DO 'VELHO'

ELEAZAR DE CARVALHO 2012: OS 100 ANOS
DO VELHO MARINHEIRO

Em 2012, vamos celebrar os 100 anos de nascimento daquele que foi o maior regente da história de nosso país. Respeitado não só aqui, mas em todo o mundo marcou história. (Eu mesmo, nos EUA, volta e meia encontrava músicos que haviam tocado com ele e regentes que haviam estudado com o “Velho”).

Não havia conversa fiada, aquilo de “comer rapadura e arrotar caviar”. Eleazar era admirado como um grande nome no mundo sinfônico. Com seu jeito sisudo e brincalhão (se é que alguém mais consegue ser os dois ao mesmo tempo), piadista e exageradamente pomposo, levava as orquestras ‘no braço’, com domínio absoluto. O mundo sinfônico do Brasil se divide em dois: antes de depois de Eleazar, e está para nascer quem consiga fazer-lhe sombra como regente e ser humano.

Por trás de sua estudada figura carrancuda, parte de seu ‘show’, Eleazar tinha o coração mole como o de uma criança. Conheci-o de perto e privei de uma amizade que só terminou quando o perdemos, anos após minha saída da OSESP. Seu lado humorístico era impagável, e seus defeitos desapareciam por trás de seu carisma. Faz falta. Mas éramos felizes e sabíamos!!!

MÚSICA ORQUESTRAL ALEMÃ

CONSERVATÓRIO DE TATUÍ FECHA PROJETO
Música orquestral alemã tem apoio de empresas sediadas no Brasil

Agora já pode ser divulgado: a Daimler (Mercedes-Benz), a Hamburger Süd e a Allianz fecharam apoio em incentivos fiscais que somam R$ 195 mil para projeto do maestro berlinense Felix Krieger e com o Conservatório. A verba pagará despesas com o regente (que foi assistente de Claudio Abbado e aluno de Giulini), solistas, transportes, etc., e levará o nome da Sinfônica do Conservatório a São Paulo em duas ocasiões, fora os concertos em Tatuí: uma, em espaço da periferia, e outra, de gala, na Sala São Paulo. Contando o concerto beneficente do TUCCA e a final do programa ‘Pré-estreia’, da TV Cultura, a orquestra terá se apresentado no melhor auditório do país 3 vezes em 2011.

Agora que o depósito caiu (os melhores negócios são fechados em silêncio) dá para divulgar: o projeto da Orquestra Sinfônica começa a ‘decolar’ em dezembro!

No vídeo (acima) disponibilizado no Youtube, Krieger rege a Sinfônica do Conservatório em Tatuí.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

ORLANDO SILVA E A ÚLTIMA CANÇÃO

ORLANDO SILVA, ‘CANTOR DAS MULTIDÕES’
Falecido em 1978, era considerado dono da mais bela voz

Orlando Silva canta "A última canção"

Foi o locutor de rádio Oduvaldo Cozzi quem colocou o apelido ‘cantor das multidões’ no carioca Orlando Garcia Silva, que fez enorme sucesso com “A jardineira”, “Carinhoso” e “Sertaneja”. Fazia as mulheres chorarem e os homens se embevecerem.

No entanto, os olhos dos últimos dias estão voltados para o Ministro dos Esportes, também Orlando Silva (PC do B), que ‘não canta’, como diria a piada de músicos, ‘mas rege’. Na sequência dos Ministérios  da Agricultura, Turismo, Transportes, Defesa (este por decisão própria) e Casa Civil, Orlando é a ‘bola da vez’. Contratos com ONGs cujos serviços eram parcialmente prestados, compra de enorme terreno em Campinas que passa sobre um gasoduto da Petrobrás – que está seriamente cotado para desapropriação pela estatal -, denúncias de um Policial Militar... tudo isso povoa jornais, revistas e mesmo o ‘Fantástico’. Não depende de decisão de Congresso: Silva é cargo de confiança e a decisão de um Presidente é monocrática. A fritura castiga mais do que o abate, diria a lei judaica sobre o ‘kosher’.

O Orlando Silva ministro é como um canário que não canta... mas manda, como diz uma piada de músicos sobre maestros. Como diziam os panfletos jogados pelos aliados na Segunda Guerra (para quem for ao Rio, há alguns expostos no Monumento aos Mortos da II Grande Guerra, na orla do Aterro do Flamengo): “sag warum?” (“diga por quê?”). Por que tanto se lesa e se assalta os cofres públicos neste país?

'FACEBOOKSON': UMA PIADA, NÃO UMA FRAUDE

'FACEBOOKSON': UM ‘HOAX’ GENUINAMENTE NACIONAL
Blog sensacionalista posta ‘hoax’ que virou notícia

O “Sensacionalista”, que se auto-intitula um blog “isento de verdade”, lançou um ‘hoax’ (notícia fraudulenta) que virou verdade. Ao menos por uns poucos dias.

Anderson Cerqueira, motoboy, teria ido ao cartório tentar registrar seu filho como Facebook (ele e sua esposa Janete teriam se encontrado na página de relacionamentos da Internet), mas houve recusa, pois, segundo ele contou, o oficial do primeiro cartório teria se negado a registrar um nome estrangeiro (como se não existissem Wellingtons, Washingtons, Jeans, Elvis...). Daí ele ter registrado o filho como ‘Facebookson’, alegando que ele próprio era Anderson.

O fato teria repercutido no “Daily Bulletin” (ver imagem), tablóide de Inland Valley, na Califórnia, e alcançado o mundo, transformando-se talvez no ‘hoax’ brasileiro mais bem sucedido, se é que dá para dizer assim.

O site “Sensacionalista”, como o título sugere, é mantido por pessoas que querem apenas divertir os leitores, mas dessa vez a brincadeira do órgão que se auto-qualifica como ‘isento de verdade’ passou por verdadeira. Por fim, devem ter se esbaldado de rir com a repercussão inesperada.

A OUTRA LISA MARIE E ELVIS


ELVIS PRESLEY E LISA MARIE,
ENFIM CANTANDO JUNTOS?
Pai e filha se juntam em vídeo montado, desta vez disponível na Internet? Não, a cantora não é Lisa Marie Presley...

Dá para enganar, mas o vídeo postado na semana passada, com Elvis e a filha Lisa Marie não é real. Ou melhor, a cantora não é ela, embora lembre (muito pouco na voz, porém muito mais na beleza) Lisa, chama-se Martina McBride, e a gravação ocorreu  com um lapso de 40 (!!!) anos: Elvis, em 1968, e Martina, em 2008. Acima, o vídeo supostamente com Lisa, depois, ao final, o vídeo do  making of’’ da gravação de MacBride.


Vale a pena assistir. Já o vídeo “Ghetto!”, com Elvis e a Lisa de verdade, além de ruim, mostrando a voz fraca da filha de Presley, é de péssimo gosto: um bebê negro no berço com uma arma, supostamente em um Ghetto como o Harlem nova-iorquino. Não vi nem a metade para conferir, pois mal engoli o filme desde o princípio.

Tudo isso foi seguindo a trilha da informação enviada ao Blog por Carol Beltrão, a quem agradeço. Carol, vale lembrar que “Blue Christmas” também é um “Christmas Carol” (Canção de Natal)... Com a desculpa pelo trocadilho.

O vídeo não era um ‘hoax’, mas podia se alastrar, se é que já não o foi.

Ressalta na gravação de Martina a voz de Elvis: limpa, simples, natural, viril e serena – e com aquele topete e o ‘olhar 45’ que derrubava as mocinhas de laquê no cabelo e vestidinhos e laçarotes cor de rosa da época.

Martina McBride no estúdio "com" Elvis

OS 'ANTHEM' E OS HINOS DA COMARCA DE TATUÍ

OS HINOS DA COMARCA DE TATUÍ
Entrega oficial acontece no dia 26/10 às 20h30, no
Teatro Procópio Ferreira

‘Hino’ é palavra que vem do inglês ‘Anthem’, por sua vez advinda do grego ‘antiphona’, que por sua vez designa a música composta para esta parte do rito litúrgico. Na Inglaterra, originariamente, o ‘Anthem’ era cantado segundo a tradição da igreja anglicana, de onde surgiu o primeiro Hino Nacional (‘National Anthem’) de que se tem notícia, o famoso ‘Deus salve a Rainha’, verdadeira exaltação à figura máxima da nobreza britânica.

O Hino norte-americano, o ‘Star spangled banner’ (“Bandeira salpicada de estrelas”, clipe acima), ainda segue a bela tradição dos ‘Anthem’ anglicanos, com uma melodia simples, que pode ser entoada ‘a cappella’ (como na igreja, sem acompanhamento) sem perder sua essência patriótica e a grandeza musical. A letra é belíssima: “Oh, diga, a bandeira salpicada de estrelas ainda tremula / sobre a nação dos livres / e o lar dos bravos”. A gravação acima foi feita com toda a pompa militar, coro impecável, de forma oficial.

A famosa “Marselhesa” é o Hino Nacional francês. Porém, tendo sido composta para a tomada da Bastilha, durante a Revolução, tem espírito de marcha militar – e letra idem: “A bandeira sangrando se ergue / o dia da glória chegou...”. O Hino Nacional brasileiro foi escrito por Francisco Manuel da Silva, grande compositor, em estilo de marcha de influência claramente vienense, em 1831, somente passando à República em 1889, tendo a letra de Osório Duque Estrada sido incorporada apenas em 1922!

Os Hinos têm o espírito cívico de exaltação às entidades que representam – seja os nacionais, municipais, de escolas ou mesmo de clubes de futebol. Revelam as riquezas de cada, país, região, cidade ou organização. Pois assim não haveria de ser com os que ora entregamos, com orgulho, aos municípios da Comarca de Tatuí? Em 2008, quando da cerimônia de diplomação dos prefeitos, vices e vereadores eleitos, optamos por não executar o hino de Tatuí até que organizássemos os de toda a Comarca.

Assim, temos o grande orgulho de entregar, dia 26, os hinos prontos e gravados de Capela do Alto, Cesário Lange, Guareí, Porangaba, Quadra, Tatuí e Torre de Pedra. Que o símbolos dessas cidades sirvam para erguer suas bandeiras e envolver o brasões da história gloriosa dos rincões dessa histórica região paulista!



UM DIA NA LÍBIA E UMA NOITE NA TUNÍSIA

TUNISIANOS ESTÃO RETORNANDO
AO PAÍS PARA VOTAR
Com a prisão de Gadaffi, na Líbia, mais um país árabe, a Tunísia, caminha para a democracia

Queria comentar musicalmente a queda de Gaddafi e o princípio do retorno de mais um país árabe à democracia: tunisianos vão votar no fim de semana. Na dúvida, acabei ficando com os dois: “A night in Tunisia”, do Dizzie Gillespie, e “Cartomante”, do Ivan Lins, cantada lindamente pela Elis Regina: “Cai o rei de espadas / cai o rei de ouros / cai o rei de paus / cai, não fica nada”

(Não dá para não comentar: tenho elogiado diversas atitudes de Dilma, apenas lembrando que ela é morosa nas decisões mais graves, como as demissões. Porém, cabe lembrar o comentário dela sobre a morte de Gaddafi na Folha de 21/10, pág. A12: "não se pode comemorar a morte de qualquer grande líder". Vamos em coro dar um 'Salve Stalin, Mussolini, Tito, Salazar, Pinochet, Hitler, Idi Amin, etc. etc.")



Jazz Classics: Dizzy Gillespie - A Night In Tunisia

Cartomante (Ivan Lins): Elis Regina

LINDSAY LOHAN PRESA

LINDSAY LOHAN SAI ALGEMADA DE TRIBUNAL NOS EUA
Atriz foi flagrada furtando um colar. Enquanto isso, no Brasil...

Após pagar 100 mil dólares de fiança, Lindsay sai algemada, como um bandido comum, da corte de Los Angeles. No Brasil, só pobre é algemado, não sem antes tomar uns tapas nas orelhas, como se vê todos os dias na TV. Rico é humilhado e evoca sua imagem perante a família e sociedade, paga excelentes advogados, etc. etc. Como diria o jornalista Ancelmo Góis, “deve ser difícil viver em um país daqueles...”



Foto: AP

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

ELVIS PRESLEY E LISA MARIE: A TECNOLOGIA DO IMPOSSÍVEL

ELVIS E LISA MARIA: PAI E FILHA CANTANDO JUNTOS
Montagem faz o impossível: o cantor grava com Lisa antes de ela ter nascido.

Foto: Elvis Alive
Lisa Marie Presley aparece cantando ao lado do pai, Elvis Presley, em reedição recente. Tudo bem, se Lisa não tivesse apenas 9 anos de idade quando da morte do cantor, acontecida em 1977. A música é “Blue Christmas”, e Lisa aparece a caráter, com cabelo e vestido da época da gravação original. Elvis ainda era novo, o que dá para presumir que a gravação original, sem Lisa, foi feita no início dos anos 1960, ainda antes dela nascer.


Por alguma razão de compatibilidade ou copyright, não foi possível postar  vídeo a que me refiro. Se quiser, pode pedir por e-mail, ou veja outro, na mesma linha, mas sem a tecnologia a que me referi:







Não que uma coisa tenha a ver com a outra, mas imagine Stalin, Secretário-Geral do Partido Comunista e homem forte da União Soviética de 1922 a 1953, faria com essa tecnologia, que sofreu impacto ainda maior com Steve Jobs, que também revolucionou o cinema! Stalin mandava ‘apagar’ seus desafetos das fotografias oficiais, reescrevendo, assim, a história segundo seus interesses imperiais.

O RETORNO

JÁ VI ESSE FILME, ‘O RETORNO?’
Dilma ‘peita’ avanço dos sindicalistas.

Ao contrário de Lula, que era condescendente com suas origens sindicais, Dilma resolveu não arriscar a pele, temendo a inflação, a queda no PIB e tendo que avançar no ajuste fiscal para o equilíbrio das contas. Como a força dos sindicalistas recrudesce nos Correios, bancários, e agora toma vulto na Petrobras e Judiciário, entre outros, ela quer forçar classes privilegiadas a se tornarem ‘cidadãos normais’, com – acredite! – o corte de ponto dos faltosos.

Quando ainda em atividade na USP, enfrentei de cara uma greve em 1988, se não me engano, com direito a tropas da PM e cavalariças. Depois, elas se tornaram mais ‘caseiras’, diplomáticas, com alguns arroubos de juventude por parte de docentes e funcionários – e, pasme, o apoio dos alunos, que ficavam sem aulas.

Um músico e pensador da USP (marxista convicto, por sinal) Willy Corrêa de Oliveira, uma das maiores cabeças pensantes do país, exigia que a greve fosse forte, mas que não perder o ponto do dia seria ilegítimo, assiná-lo seria contraditório, e que ambas as partes – a administração uspiana e docentes – deveriam sofrer os danos provocados pelas paralisações – os últimos, aceitando cortes nos salários. Defendia a greve com o consequente corte de ponto, a ser negociado em caso de acordo com a Reitoria. (Na foto, os famosos Sacco e Vanzetti lideram histórica greve nos EUA).

O PT nasceu do movimento sindical unido aos intelectuais e pensadores, principalmente da USP, que lhe deram o fundamento ideológico. Nada mais natural que Lula tivesse uma postura mais paternal com sua origem, e que Dilma seja mais pragmática como administradora. Penso que ela vai na direção, mas ainda receio o filme ‘O retorno’ – menção ao título de blog de 12 de setembro, que postei como “Filme novo? Ou filme já visto?” -, sobre os difíceis momentos de Luiza Erundina em São Paulo, de 1989 a 1992.

Pior do que isso aconteceu em 1961, quando Jango, que tomou posse após a renúncia de Jânio, não apenas cedeu, mas praticamente rendeu-se ao sindicalismo da época, apoiado pelo PCB e PSB, o que desgostou a caserna e levou ao Golpe de 1964. Do resto você se lembra – ou já leu nos livros de história.

REGENTES E TIRANIA

PARA OS REGENTES, SERÁ A TIRANIA COISA DO PASSADO?
Rádio WQXR, de N. York, bloga matéria sobre o assunto
(Em tradução livre do texto, que cita o brasileiro Roberto Minczuk).

A noção do regente como autocrata, inclinado a adquirir perfeição por quaisquer meios necessários, pode parecer um pulo a uma outra era do passado. Foi Arturo Toscanini (foto) que adquiriu fama quebrando batutas, repreender com severidade os músicos e mesmo atirar a partitura sobre a orquestra durante ensaios -  tudo isso, dizia, a serviço da música. Nos anos 1960, acordos coletivos e regras do local de trabalho ajudaram a acabar com tal comportamento. Será?

Nesta postagem exploramos alguns incidentes recentes, além de uma importante pergunta sobre como a Internet e a media social desempenham um papel nas orquestras modernas.

Recentemente, Roberto Minczuk, o diretor da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), causou furor (...) quando demitiu 33 músicos. Minczuk foi subsequentemente demovido do posto de Diretor Artístico para o de Principal Regente.

DEDOS E BOCA

DOIS ‘CARAS’ E UMA FLAUTA
Ariel Zuckerman toca ‘dedos’, e Eyal Ein-Haban ‘boca’.

No dia do Músico, em um programa da Filarmônica de Israel, os dois músicos, em um programa didático para crianças, chama atenção e diverte tocando a famosa “Badinerie” da Suíte Orquestral No. 2 de Bach. Ariel no bocal da flauta, e Eyal nas chaves, com os dedos.


Se você já viu este vídeo, cabe uma reflexão. Já que falei sobre Toscanini no texto anterior, voltamos ao papel da mão esquerda e  da direita, na regência. Assim como Toscanini, grande parte dos regentes deixa à mão esquerda a interpretação, a dinâmica (alterações de volume), enquanto a direita se incumbe do ritmo, das entradas (ataques). Sendo Toscanini um violoncelista, nada mais natural que reservasse à mão direita o ritmo e, à esquerda, a interpretação, as qualidades ‘cantantes’ do instrumento -  e da orquestra. Isso vale para todos os instrumentos de cordas e, por que não dizer, de sopro, exceção feita talvez à trompa.

Na flauta, Eyal articula as notas com os dedos, enquanto Ariel Zuckermann, em sincronia, dá a dinâmica e imprime caráter à interpretação. Em um movimento lento, esses papéis ficariam mais evidentes.

Curiosamente, segundo os cientistas, o hemisfério esquerdo prioriza a razão, e domina, enquanto ao direito fica reservada a criação, a intuição, a emoção. Trata-se de jogo inverso do que tratamos acima. Como a lógica, segundo diversos pesadores, seria equilibrar o domínio do cérebro entre as duas partes, não apenas a inversão, no caso da música, parece fator de equilíbrio, e a busca desse equilíbrio pode ser a chave para um virtuosismo musical e não técnico – que, quando mecânico, chega a ser enfadonho como o som de uma máquina de costura.

Um bom artigo (em inglês) sobre o assunto ‘hemisférios cerebrais’ está em http://www.idrisjusoh.com.my/wp/?p=4

CADENZA, CADÊNCIA E CURURU

CADENZA DO VIOLINO, A CADÊNCIA DO SAMBA
E O CURURU: COMO ACABAR COM UMA TRADIÇÃO

Tanto ‘cadenza’ quanto ‘cadência’ são termos saídos do latim cadentia, do verbo cadere, que quer dizer ‘cair’. Na cadenza do violino, a orquestra para e o solista exibe sozinho sua arte, demonstrando virtuosismo musical e técnico; a cadenza é geralmente executada sobre o acorde que a disciplina harmonia chama ‘dominante’, ou seja, um acorde em suspenso, em tensão, para enfim resolver (ou ‘cair’) na tônica, acorde que por sua vez induz à sensação de repouso. Assim, concluída a cadenza do solista, a orquestra retorna em tutti (todos).
A ‘cadência’ do samba são outros quinhentos, diria o sambista. É a regularidade do ritmo, o balanço: “Quero morrer / numa batucada de bamba / na cadência bonita do samba”, melodia de Ataulfo Alves em parceria com Paulo Gesta. É, portanto, coisa inteiramente diferente de cadenza, e sabe-se lá como explicar de que jeito o termo foi parar no samba. Mas é por aí que começamos a conversar.
Após o surgimento da primeira escola de samba, a Estácio de Sá (1927), novas agremiações começaram a pipocar no Rio de Janeiro, à sombra dela. Noel Rosa criou esta jóia: “Eu sou diretor da Escola do Estácio de Sá / felicidade maior nesse mundo não há / já fui convidado para ser estrela do nosso cinema / ser estrela é bem fácil, sair do Estácio é que é  / o ‘xis’ do problema”. Com o tempo, os chamados sambas de enredo passaram a ficar mais complexos; as fantasias, antes simples, transformaram adornos e ornamentos em exibição de luxo; os carros alegóricos traduziam-se em shows à parte - a ponto de começarem a surgir, ainda no passado, críticas como a do especialista em música brasileira Vasco Mariz (1921) em seu livro “A canção popular brasileira”: segundo ele, as escolas de samba estavam começando a parecer festejos carnavalescos “de negros norte-americanos do Harlem” – reportando ao grande gueto nova-iorquino, com seus carnavais trazidos de New Orleans, cujos antepassados, ainda durante a escravidão, os criaram a partir da festança chamada “Mardi gras” (terça-feira gorda), tradição por sua vez introduzida na região pelos imigrantes franceses.
Sérgio Cabral e o rigoroso Ramos Tinhorão, especialistas em samba de raiz, em uma série de estudos publicados no ‘Jornal do Brasil’, registraram que o Departamento de Turismo do Rio, em 1960, proibiu a entrada de violinos nos desfiles; não seriam eles, no entanto, nem a orquestra, os únicos algozes futuros dos desfiles – quem sabe, os últimos -, e sim a televisão, com o surgimento da Tupi, fundada quase dez anos antes. A proibição em arte é perniciosa, tanto quanto o corte profundo nas raízes populares. A festa do povo começou a se transformar em espetáculo após o advento da TV Globo, em 1965, o espírito das escolas de samba corrompendo-se gradativamente. Se antes elas tinham riqueza na criação e simplicidade nos desfiles, logo se transformaram em espetáculos da Broadway, o máximo de luxo com enredos cada vez mais pobres e temas mais alheios à origem (e muitas vezes absurdos); cada vez menos roupa e cada vez mais lindas modelos e atrizes que nunca antes haviam pisado na ‘Avenida’ (a do Rio Branco, centro do Rio), depois levada ao Sambódromo.
As manifestações populares, quando dialogam com outros gêneros e formas de arte, não comprometem sua essência, e vice-versa; no entanto, se ao invés de ocasional esse diálogo passa a ser uma intromissão permanente, por puro interesse econômico, fere-se de morte tradição e raiz, o que vai eliminar aos poucos os vestígios das origens. Chico Buarque chega a ser cáustico , em “Vai passar”: “...ao lembrar que aqui passaram sambas imortais / que aqui sangraram pelos nossos pés / que aqui sambaram nossos ancestrais”.
O Cururu tem ressurgido no Médio Tietê paulista, o que é comentado pelos seus próprios artistas, e promete crescer, uma vez que, com visibilidade, desperta mais interesse, atrai, e daí por diante, em um círculo... ‘virtuoso’. Porém, é preciso o necessário apoio, pois a arte popular sobrevive apenas por paixão, não sustenta sequer o trabalho de seus criadores.
Por isso, para acabar com o Cururu, basta fazer o que fizeram com as Escolas de Samba: elitizaram-nas, vestiram-nas roupas caríssimas, cortaram na carne a tradição popular, internacionalizaram-nas e venderam-nas para serem consumidas como sabonetes, automóveis e cervejas. Para sufocá-lo, de vez, bastaria afastar a tradição oral (ou seria ‘aural’?), introduzindo a leitura de partituras e ensinando aos cantadores que é errado rimar com ‘gambá’ com ‘casá’, e que a afinação ‘cebolão’ deve dar lugar à do violão, que possibilita ‘novas técnicas, harmonias e maior versatilidade’. E para enterrá-lo de vez, levem-no à TV com aquelas dançarinas de programa de auditório.
Nada disso! Nos dias 17, 18 e 19 de novembro teremos o III Torneio Estadual de Cururu, no Teatro Procópio Ferreira, em Tatuí. Compareça! Abrir as portas para a cantoria, sim, aplaudi-la, ajudá-la e divulgá-la, sim, mas colocar um pingo sequer na criação, nunca. Cuidemos das sinfônicas e da modernidade, mas preservemos a tradição brasileira, ou o que ainda resta dela! “Cansei de ser moderno, agora quero ser eterno”, disse Carlos Drummond.

sábado, 8 de outubro de 2011

CARMINA BURANA

Orquestra Sinfônica, Coro Sinfônico e Coro Infantil do Conservatório de Tatuí,  Coral Paulistano do Teatro Municipal de São Paulo e Coral Vivace de Jundiaí:
Cantata Carmina Burana, de Carl Orff, na Sala São Paulo

Apresentação aconteceu dia 11 de outubro, como parte do programa ‘Música pela Cura’, da Associação Tucca, que cuida de crianças com câncer.

Conforme exige a partitura, a orquestra completa necessita, para o impacto da peça, não apenas dos coros Sinfônico e Infantil do Conservatório: a eles se juntam o Coral Paulistano do Teatro Municipal de São Paulo e o Coral Vivace, de Jundiaí.

foram 203 pessoas no palco, tendo à frente o maestro João Maurício Galindo, regente responsável pela Sinfônica do Conservatório de Tatuí. A apresentação teve como solistas nomes de primeira linha no cenário brasileiro, como a soprano Adélia Issa, o tenor Helder Savir e o barítono  Sebastião Teixeira. A casa lotou, com 1.400 pessoas.

Foi um grande momento, não apenas para a Sinfônica do Conservatório no ‘templo da música’ brasileira, a Sala São Paulo (é para irem se acostumando: a final do programa Pré-estreia, da TV Cultura dia 4 de dezembro, será com a mesma Sinfônica no mesmo auditório). É também uma importante contribuição para os que, ainda crianças, têm que lutar contra uma doença grave, embora, felizmente, a medicina venha apontando novos caminhos para a cura. Você já ouviu a música, mas, se não se lembra, vale assistir (o vídeo acima foi gravado em Munique, em 1975, com uma belíssima direção cênica de Jean-Pierre Ponelle).

DE ATLETA A MUSA

ALLISTON STOKKE: DE ATLETA A MUSA
Atleta da Califórnia vira musa e não gosta

A californiana Alliston Stokke, campeã de atletismo na modalidade salto com vara, por causa de uma única foto (ao lado) virou internacional. Jornais e blogs do mundo inteiro republicaram a foto, fazendo com que Alliston reclamasse, pois havia treinado anos para vencer no atletismo, e não queria que sua beleza interferisse no esporte. Em vão. Só no Youtube, os acessos aos filmes sobre a atleta e elogiando sua beleza superam os dois milhões.

Não precisa ser radical como Vinicius de Moraes (“As feias que me perdoem, mas a beleza é fundamental”), mas dá para conciliar as duas coisas. Em entrevista recente, Alliston reconhece que vai ser difícil driblar a fama da beleza, mas insiste na competência esportiva. Ora, dá para conciliar as duas coisas...

DE VOLTA AO FUTURO

Ideias de cientista nos levam de volta ao futuro
da era dos Jetsons

O cientista Michio Kaku explica em livro o que deverá acontecer na vida dos homens daqui a um século. Aponta que a emoção é fundamental para a inteligência humana, e que ela deverá estar presente até nos computadores e nos robôs, que deverão estar preparados para prever, detectar e combater catástrofes e incêndios. E que o homem, ao entrar em casa, poderá controlar mentalmente aparelhos, conduzir as tarefas domésticas apenas com o poder do pensamento, conectado a diversas engenhocas – segundo ele, com inteligência emocional.

Como diria meu pai: “a preguiça é a mãe da invenção”. Eu, pessoalmente, já acho as invenções de Steve Jobs o máximo e, como não estarei presente para ver tudo isso, acho que felizmente, acredito que a cura para diversos males acontecerá, mas também que a humanidade, no futuro – preservado o prazer de comer -, deverá ser extremamente obesa...

VERTIGEM

O MINOTAURO E O LABIRINTO
A mitologia e a doença do equilíbrio

O Minotauro, na mitologia grega, era uma criatura com corpo humano e cabeça de touro, e para abrigá-lo sem que fugisse, foi construída uma obra enorme, em Cnossos, com mais de 1300 espaços, erguida para o rei Minos, de Creta; daí o Minos+taurus  (touro). Coube a Teseu decifrar os caminhos do labirinto e matar o Minotauro.

A labirintite é o nome genérico que se dá a uma infinidade de doenças do equilíbrio, seja por parte do ouvido interno (o ‘labirinto’ propriamente dito), por razões emocionais, estresse ou ainda uma diversidade de outras afecções. A sensação é de que se perde o chão, o prumo, e pode chegar a sérias vertigens, náuseas e vômitos.

É impressionante o número de pessoas que sofrem ou sofreram de algum distúrbio do equilíbrio – se você não foi vítima, certamente tem na família quem é refém das recidivas. A labirintite pode durar horas, dias, meses ou anos. O tratamento é muito mais eficaz se envolve terapias, relaxamento, mudança de hábitos e outros. Torça para não ser mais uma vítima.

CADENZA, CADÊNCIA E CURURU

A CADENZA DO VIOLINO, A CADÊNCIA DO SAMBA
E O CURURU

Tanto ‘cadenza’ quanto ‘cadência’ são termos saídos do latim “cadentia”, do verbo “cadere”, que quer dizer ‘cair’. A cadenza do violino é o momento em que a orquestra para e o solista demonstra sua arte expondo seu virtuosismo, tanto musical quanto técnico; a cadenza é geralmente executada no que a disciplina harmonia chama ‘dominante’, ou seja, acorde em suspenso, em tensão, para enfim resolver (ou ‘cair’) na tônica, acorde que por sua vez traz a sensação de repouso. Assim, concluída a cadenza do solista, a orquestra retorna em ‘tutti’ (todos).

A ‘cadência’ do samba são outros quinhentos, diria o sambista. É a regularidade do ritmo, o balanço: “Quero morrer / numa batucada de bamba / na cadência bonita do samba”, melodia de Ataulfo Alves em parceria com Paulo Gesta. É, portanto, coisa inteiramente diferente de ‘cadenza’, e sabe-se lá quem vai explicar como o termo foi parar no samba. Mas é por aí que começamos a conversar.

(a ser publicado na íntegra em ‘O Progresso’ no sábado, dia 15 de outubro)

ESQUENTANDO O CURURU

‘ESQUENTA CURURU’ AQUECE OS CORAÇÕES
‘Amistoso’ de cantadores traz artistas de diversas cidades

Ocorrido no último dia 2 de outubro, em pleno Teatro Procópio Ferreira, o segundo ‘Esquenta’ trouxe duplas e apreciadores de diversas cidades da região. Os artistas puderam expor no palco do Teatro sua habilidade de formar rimas e improvisar sobre diversos temas, à medida que os assuntos surgiam e se sucediam nos confrontos amistosos. Vários cantadores comentaram sobre a oportunidade de, naquele dia, poderem se apresentar em um teatro como o ‘Procópio’, o que só havia acontecido há trinta anos, no dia 31 de agosto de 1981, antes deles.

O cenário foi, mais uma vez, obra do Jaime Pinheiro, professor, cenógrafo, artista plástico e apreciador do gênero, e constava de uma viola caipira formada apenas pela silhueta construída com diversos objetos e materiais. O espaço vazado delineava claramente o instrumento, e a obra foi muito elogiada por todos, inclusive com alusões bíblicas sobre ‘o que não se vê’ – mas se crê. Parabéns ao Jaime, ao apresentador Helinho e aos cururueiros.