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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

HIV NOS CINEMAS?

“HOAXBUSTER” (“Caçador de hoaxes”)
HIV em agulhas infectadas nas poltronas dos cinemas?

Circula na Internet mais um ‘hoax’ maldoso, que na verdade teve início em 1999 nos EUA. Uma agulha de seringa estrategicamente colocada em uma poltrona de cinema estaria infectada com o vírus HIV. Quando o cidadão se senta, é ‘espetado’ e... vê um bilhetinho dizendo “você está contaminado com HIV”. (Lembrando: ‘hoax’ viria de ‘hocus pocus’, expressão supostamente extraída de rituais de bruxaria da Idade Média. A tradução literal é ‘enganação’, ‘embuste’. E geralmente vem com ‘trojans’, ‘worms’, essa ‘fauna’ cibernética – essa sim, praga virótica incontrolável).

Já naquela época (1999) se sabia há algum tempo que o vírus HIV, se não injetado, claro, e se estiver apenas na agulha, morre em poucos segundos ou minutos. (Mas todo cuidado é sempre pouco: há outras doenças). As agulhas que foram supostamente encontradas em cinemas da Virginia, no Texas e em Colorado, em sua maioria simplesmente nunca existiram. Quando encontradas, não possuíam o vírus. Há muitos sites comentando esses ‘atentados’, que nada mais são do que terrorismo cruel de desocupados. Dê uma busca, e vai encontrar em sites de Universidades como a da Califórnia coisas assim:

A more recent story in the Washington Times stated that none of the needles found in Virginia were contaminated with HIV or any other disease. Pulaski police Sgt. David Moye called the copycat pranks "a ploy to make people afraid to live every day"  (trad. livre: “uma manobra para criar em pessoas medo de viver o dia a dia”).
Por fim, o site “Hoaxslayer” (“Matador de ‘hoaxes’), cita emails com aparência oficial e falsas informações policiais com nomes de autoridades ‘omitidos’, e recomenda não repassá-los, e sim apagá-los (no caso ao lado, a do HIV nos cinemas: http://www.hoax-slayer.com/hiv-cinema-hoax.html
Não repasse o e-mail. Se tem alguma dúvida, pergunte a um infectologista ou vá a um centro de controle endêmico, eles são os profissionais gabaritados aptos a lhe dizerem se existe a hipótese e quais as chances. Já temos razões demais para viver com medo de violência e outras coisas, agora só falta acabarem com os cinemas. Diante de ‘hoaxes’ como esse, sempre me pergunto: quem lucra com isso? Porque só pode haver interesse por trás do boato. Mas qual? Guarde o endereço do “matador de hoaxes”: http://www.hoax-slayer.com/. Mostra como confirmar os últimos ataques.

A CAIXA ECONÔMICA E MACHADO DE ASSIS

CAIXA ECONÔMICA TIRA PROPAGANDA DO AR
Anúncio gera polêmica com Machado de Assis “branco”

Depois de repercussões negativas e pressões, a “Caixa” retira anúncio em que o maior escritor brasileiro aparece caracterizado como branco. Ora, já vi – literalmente - esse filme antes. Lembra-se da polêmica sobre o Mário de Andrade ‘branquelo’? Coisa de mau gosto, que despertou a ira do Emanuel Araújo, Diretor do Museu Afro-brasileiro  e gerou polêmicas na imprensa. Mas não é preciso TV ou ‘photoshop’ para ‘embranquecer’ grandes nomes que deveriam ser honrados nas suas origens. Padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), filho de escrava - na ilustração com uma medalha no peito - foi devidamente ‘maquiado’ pelos pintores oficiais do Império.

O pior, no caso do ‘falso branco’ Machado, é que não apenas tentaram mostrar que ser branco é ser ‘bonito’, honesto e bom cliente; junto, veio um desastrado golpe na possibilidade de um ator negro ou mestiço ocupar espaço e obter trabalho na TV, dominada pelos brancos robustos e branquelas lindas.

O chamado ‘politicamente correto’ (que muitas vezes é muito mais reacionário do que o ‘normal’ do dia a dia) viola às vezes alguns direitos. Ser afro-descendente não evita que o sujeito seja catalogado como ‘pardo’, o que é muito pior. “Black is beautiful  foi um movimento negro surgido nos EUA, na esteira do “Black Power”, e que, no Brasil, teve inúmeras repercussões, como a música de Marcos Valle eternizada por Elis Regina, que leva o mesmo título (“Black is beautiful”). Wilson Simonal, apesar de combatido pela ‘esquerda’ da época, cantava “Tributo a Luther King”, homenagem ao líder norte-americano brutalmente assassinado em um comício: “Sim sou um negro de cor / meu irmão da minha cor / o que te peço é luta sim / luta mais! / que a luta está no fim”. E Caetano Veloso faz o elogio do sangue que batizou sua própria mistura racial: “É negra, negra, negra, a tua presença”.

Agora, uma pergunta: custava, além de respeito aos nossos irmãos brasileiros, ter sido fiel à história? O anúncio foi de péssimo gosto, 

Apenas um cuidado: enquanto aqui os chamados afro-descendentes defendem, em sua maior parte, o termo ‘negro’, nos EUA chamar alguém de ‘nigger’ é encrenca certa. Nem ouse. É ‘black’ mesmo, e eles o dizem com muito orgulho.

8 MIL ACESSOS

BLOG: MAIS DE 8 MIL ACESSOS
Em 5 meses, blog é acessado mais de 8.100 vezes

Considerando que não é exatamente um trabalho popular, as leituras superam as expectativas. Leio uns 2 ou 3 blogs semanalmente e, pela diversidade, todos me acrescem e me trazem boas informações. Fora isso, é uma terapia à parte, feita aos pedaços quando dá. Obrigado aos que têm lido!

FOSSA E ALEGRIA

O FINO DA FOSSA
Música para todas as dores

Não é só música sertaneja (dessas novas, jeito de Jovem Guarda e com roupa de caubói americano) que canta dor de cotovelo, solidão, traição. O tema vem de longe, e não fica só na MPB, está em toda parte. Passando pela campeã Maysa, por Dolores Duran e outros, chegamos a uma pérola, na minha opinião, com Edu Lobo, em “Pra dizer adeus”: “Adeus, vou pra não voltar / e onde quer que eu vá / sei que vou sozinho / (...) ah, pena eu não saber / como te contar / que o amor foi tanto / e no entanto eu queria dizer: vem / eu só sei dizer vem / nem que seja só / pra dizer adeus” (pra fazer chorar qualquer mocinha). Há muito anos, havia um programa na televisão, dirigido por Walter Lacet, em que ele treinava as mocinhas da plateia (lembro-me bem do Ivan Lins, na época do GUM, Grupo Universitário de Música) para encostarem seus rostinhos apoiados no queixo, bem perto do piano, se possível chorando. (O virtuose húngaro Franz Liszt, uns 100 anos antes, já havia inventado o truque, e chegava a pagar alguns trocados para moçoilas chorarem copiosamente ao vê-lo tocar).
“A gente briga / diz tanta coisa que não quer dizer / briga pensando que não vai sofrer / que não faz mal se tudo terminar”... Cantava versos assim a Adiléia da Rocha, aliás, Dolores Duran, que, quando criança, teve febre reumática e sopro cardíaco, ainda moça um infarto e, depois, gravidez tubária com risco de vida; a seguir, veio a depressão, até morrer de ataque cardíaco aos 29 anos, após overdose de barbitúricos e álcool. Ela teve o nome artístico tirado do espanhol ‘dolores’ (‘dores’), que tão bem vestiu sua vida. Maysa, a musa das boates, mulher de muitos causos e casos, também fez sucesso nos anos 1960/70, com peças lindas como “Felicidade infeliz”: “Felicidade, deves ser bem infeliz / andas sempre tão sozinha / nunca perto de ninguém”. A diva da ‘fossa’ foi vítima de um acidente fatal na ponte Rio-Niterói.
Mick Jagger, dos Stones, em uma declaração de amor a Angela (mulher de seu amigo e ex-caso David Bowie), canta: “Angie, Angie / quando essas nuvens vão desaparecer? / Angie, Angie / para onde vão nos levar daqui? / sem amor em nossas almas / sem dinheiro em nossos bolsos / não diga que estamos satisfeitos”. Aliás, a insatisfação é mote de Jagger: “Não posso me satisfazer / porque eu tento / e eu tento / e eu tento...”. Simon e Garfunkel, como dupla é imbatível, haja vista a obra-prima “The boxer”: “pedindo apenas salário de trabalhador / eu buscava um emprego, mas não tive oportunidade / apenas um mero “vem cá” das prostitutas da Sétima Avenida / Eu confesso que estava tão sozinho / que tive ali algum conforto”.
Chico Buarque é um expoente do gênero: “Quando você me deixou, meu bem / me disse pra ser feliz e passar bem / quis morrer de ciúme / quase enlouqueci / mas depois, como era de costume / obedeci” – claro, para ser cantada por voz de mulher, ou por homem, como se fosse uma. Também dessa dor de cotovelo compartilhou Janis Joplin, dama do ‘blues’ morta por overdose aos 27 anos, idade com que também faleceu a ‘blueseira’ Amy Winehouse: “Amor, bem-vindo de volta / eu sei que ela disse / amor, eu sei que ela disse que te amava / muito mais do que eu te amei / (...) venha e chore, chore, amor...”.
O som de lamento, de melancolia, é o da voz cantada, tendo a música letra ou não. Repare no choro das crianças, das mulheres – e dos homens, quando têm coragem de mostrar seus sentimentos. É assim que, metrificada e flutuando sobre uma melodia, a voz adquire maior expressão. Ouça as “Paixões” (segundo João ou Mateus) de Bach, inspiradas na agonia de Cristo. Alban Berg compôs seu magistral “Concerto para violino – à memória de um anjo” -, dedicado a Manon Gropius, filha de Alma Mahler e Walter Gropius, belíssima jovem falecida aos dezoito anos. O concerto de Berg é uma peça envolvente e triste, mas talvez não tanto quanto a “Pavana para uma princesa defunta” (1889), de Ravel, o mesmo do famoso “Bolero”; densa e plangente é a “Marcha Fúnebre” da 3ª Sinfonia de Beethoven (“Eroica”). E há as peças especiais, como os ‘requiems’ de Mozart, Fauré, Berlioz, Brahms e Britten.
Ironicamente, Beethoven compôs o coral “Ode à alegria”, musicado sobre poema de Schiller, que eterniza sua obra-prima, a “Nona Sinfonia”, no quarto movimento. Um homem conhecido pelo sofrimento e pela autodestruição, portador de diversas doenças, exalta a grandeza do ser humano, construindo para ele o mais sublime elogio à felicidade, que traz um famoso solo de barítono conclamando: “O Freunde, nicht diese Töne!” – “Oh, amigos, não nesses tons! / Ao contrário, vamos levantar nossas vozes / com tons mais agradáveis / e sons mais alegres / alegria! Alegria! / (...) Alegria, a linda centelha do Divino” (trad. livre). Beethoven, então, já estava totalmente surdo e doente, vindo a sobreviver mais três anos. Antevendo a agonia, no final restou-lhe exaltar a felicidade. Amen.
(Publicado em ‘O Progresso’ de 1 de outubro de 2011).

CRÔNICAS EM LIVRO

CRÔNICAS SAIRÃO EM LIVRO
Crônicas como a reproduzida acima deverão sair em livro

Até o final deste ano, as crônicas publicadas no jornal ‘O Progresso’ ao longo de 86 semanas alternadas – sobre diversos assuntos, quase todos ligados à música – serão republicadas em forma de livro. Como é intenção lançar algo mais barato, deverão sair 3 volumes - um de cada vez, claro.

Os textos serão revisados e, sempre que possível, ilustrados a cada capítulo. É uma forma de deixar registrado o pouco que foi possível aprender nos caminhos da música e da vida.

Haverá lançamentos em Tatuí e São Paulo.

CONCURSO DE PIANO: RECORDE

VII CONCURSO PARA PIANO ‘SPARTACO ROSSI’
AUMENTA EM 350% NÚMERO DE INSCRIÇÕES
Concurso Spartaco Rossi tem número recorde de inscritos

A 7ª edição do concurso organizado pelo Conservatório de Tatuí bateu todos os recordes de inscrições. Em 2010 foram 31, média dos anos anteriores. Mesmo com a greve dos Correios, já chegaram documentos de 140 candidatos de 55 cidades de 8 estados: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraíba, Paraná e Bahia. Ainda devem chegar mais inscrições, desde que postadas na data limite. As semifinais acontecerão nos dias 16 e 17 de outubro e a final dia 18, no Teatro Procópio Ferreira. Os números são indicadores de que a qualidade da final será bastante alta. Parabéns a esses obstinados professores, em especial à Cris Blóes, organizadora.

PÚBLICO EM CORO PROTESTA EM ROMA

COMO A MÚSICA PODE SER BELA NO PROTESTO
Público italiano repudia Berlusconi
usando o canto como arma. Regência: Riccardo Muti

No vídeo abaixo, o público italiano se levanta e canta o famoso coro “Va pensiero”, de Verdi. (Toscanini regeu esse coro de mais de 800 pessoas no funeral do compositor). O vídeo abaixo é emocionante: após discurso de protesto do grande maestro Riccardo Muti contra Berlusconi, o público canta em coro – e, no final, parece não restar um que não esteja chorando. Ouça e veja você também.

‘Va', pensiero, sull'ali dorate,
va', ti posa sui clivi, sui colli,
ove olezzano tepide e molli
l'aure dolci del suolo natal!

Vá, pensamento, sobre asas douradas;
vá, pouse nas encostas e colinas,
onde perfumam mornas e macias
as brisas suaves e doces do solo natal!
(...)
Assim como Sòlima para com o destino
traduza em sons de nosso rude lamento,
inspira-te no Senhor pela harmonia
para que nosso sofrimento se torne virtude!

(trad. Livre)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

DILMA, JOHN DONNE E HEMINGWAY

DILMA, JOHN DONNE E HEMINGWAY
“Nenhum homem é uma ilha” e a economia brasileira

“Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si próprio; cada um é parte do continente, parte do todo (...) nunca procure saber por quem os sinos dobram, pois eles dobram por ti” (trad. livre).

Em “Por quem os sinos dobram”, o escritor norte-americano Ernst Hemingway (1899/1961), que viveu em Cuba após o final da primeira grande guerra, cita o poeta inglês John Dohne (1572/1631), do século 18 (retrato em óleo), referindo-se ao isolamento do homem.

Isso tudo para dizer que Dilma, finalmente, descobriu – ou melhor, revelou o que sabia, e que estava sendo politicamente adocicado por seus financistas – que o Brasil está, sim, enfrentando uma crise. A ‘Folha’ de 23 de setembro traz matéria com chamada de capa em que a Presidente afirma que o Brasil está, sim, preparado para a crise. Mesmo com a desvalorização do real frente ao dólar – moeda, por si, já fraca -, a escalada dos juros (a ‘baixa’ de 0,5% na taxa Selic serve para algumas coisas, entre elas o fator psicológico), a fraquíssima exportação, a queda das bolsas, a sobretaxa do IPI para carros importados, a perspectiva de queda no PIB e alta da inflação... e por aí vai. Já os EUA são escancarados quando advertem para uma crise antes mesmo dela tomar corpo: talvez escaldados pelas inúmeras por que passou, especialmente a de 1929, que quase quebrou o país.

A melhor forma de combater uma doença é conhecê-la. O homem tem medo daquilo que ele não conhece. Dilma mostra agora o que sempre se soube: que nenhum país é uma ilha.

SONETO DE VINICIUS

CANTINHO DA POESIA
Impagável apresentação do “Soneto da Separação”
de Vinicius de Morais – por Elis e Tom

A cantora número 1 e o compositor número 1 cantam o belíssimo poema do grande poeta, letrista, diplomata, músico, escritor e ‘bon-vivant’ Vinicius de Morais (cujo nome meu pai fazia seguir por “professor de ciências naturais”, brincando).

Poucos no Brasil foram poetas como Vinicius; poucos foram letristas como ele. A profundidade aliada à simplicidade é a marca do gênio, e Vinicius respirava poesia cantando o mundo, as praias, o amor, a angústia, e, claro, as mulheres. Os sonetos de Vinicius são obras-primas: como fazer poesia contemporânea sobre uma forma antiga (o soneto). Acho que seguia seu colega, chamado ‘poeta maior’, Carlos Drummond de Andrade: “Cansei de ser moderno. Agora quero ser eterno”. Disse um mundo em uma linha. Serve para todos nós, que lidamos com arte e, volta e meia somos tentados pelas experiências vãs de descobrir algo novo. Deleite-se:

BATTISTI

FRANK BATTISTI VEM AÍ
O ‘Zubin Mehta’ das Bandas Sinfônicas vem a Tatuí

Marque na agenda: dia 20 de outubro, às 20h30, o lendário Frank Battisti, mestre dos mestres, vem reger a Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí, uma data para não ser esquecida. Técnica, bom gosto, musicalidade, carisma, conhecimento, experiência, tudo o que é preciso e mais um pouco. Serve para regentes e músicos de todas as modalidades (coro, sinfônica, banda, etc.). E um concerto para ser visto por todos.

Para completar, será a ‘Semana Battisti’: masterclasses, oficinas, palestras, ensaios abertos...

O FINO DA FOSSA

O FINO DA FOSSA

 
Betânia e Raul: "Pra dizer adeus", de Edu Lobo

Não é só música sertaneja (dessas novas, jeito de Jovem Guarda com chapéu de caubói americano) que canta dor de cotovelo, solidão, traição. O tema vem de longe, e não fica só na MPB, está em toda parte. Passando pela campeã Maysa, por Dolores Duran e outros, chegamos a uma pérola, na minha opinião, com Edu Lobo, em “Pra dizer adeus”: “Adeus, vou pra não voltar / e onde quer que eu vá / sei que vou sozinho / (...) ah, pena eu não saber / como te contar / que o amor foi tanto / e no entanto eu queria dizer: vem / eu só sei dizer vem / nem que seja só / pra dizer adeus” (pra fazer chorar qualquer mocinha). Há muito anos, havia um programa na televisão, dirigido por Walter Lacet, em que ele treinava as mocinhas da plateia (lembro-me bem do Ivan Lins, na época do GUM, Grupo Universitário de Música) para encostarem seus rostinhos apoiados no queixo, bem perto do piano, se possível chorando. (O virtuose húngaro Franz Liszt, uns 100 anos antes, já havia inventado o truque, e chegava a pagar alguns trocados para moçoilas chorarem copiosamente ao vê-lo tocar). (A ser publicado na íntegra em ‘O Progresso’ de sábado, dia 1 de outubro).

SARA SERPA

SARA SERPA NO CONSERVATÓRIO DE TATUÍ
Jovem cantora portuguesa de jazz é
indicada ao Grammy 2011

Sara se apresenta no Teatro Procópio Ferreira segunda-feira, dia 26 de setembro, às 20h30, à frente do Jazz Combo do Conservatório de Tatuí. Sara é da novíssima geração do jazz – ou melhor, da chamada “Third Stream” (“Terceira corrente”), criada na New England Conservatory pelo lendário Gunther Schuller. O chefe do Departamento é Ran Blake, e tenta imprimir a maior importância possível ao ouvido do músico, evitando partituras em aula. “Third Stream” é jazz, é clássico, é etnomúsica, é bossa-nova e o que mais você quiser. Sara estudou na New England e no Berklee College.

Ah, e como se não bastasse, é linda. Vale conferir.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

QUEM SÃO OS DONOS DOS COFRES?

ASSALTO AOS COFRES
‘Apenas 5 clientes vão à polícia após
assalto a cofres do Itaú’

Matéria (título acima) de Rogério Pagnan, da ‘Folha’ e Josmar Jozino, do ‘Agora’, mostra lado curioso do grande assalto. Dos 170 cofres da agência Paulista do Banco Itaú, 142 eram alugados para clientes especiais. Desses, apenas 5 clientes surgiram para comprovar a propriedade dos bens – entre eles um colecionador com 14 relógios Rolex, da faixa de R$ 30.000,00 para cima, todos registrados e declarados. Os restantes 137 permanecem no anonimato, sem querer reclamar.

Curioso é que as especulações giram em torno de segurança (medo de serem reconhecidos, etc.), quando, na verdade, ninguém que tenha – vamos supor – milhões em diamantes declarados à Receita deixaria de pedir na Justiça o reembolso.

Na verdade, o que transparece é que, sendo um meio de guarda de bens – dólares, Euros, documentos e jóias – sob sigilo, os clientes esquecidos não podem aparecer para reclamar. Portanto, em prática comum aos grandes bancos, usam dos cofres para guardar grandes somas – e sonegar.

Os 96,4% que preferem perder seus bens a aparecer demonstram que os problemas andam não só em Brasília, mas de forma endêmica por todo o país, entre boa parte dos mais ricos.

Os ladrões conseguiram permanecer no Banco durante 10 horas, durante a noite do dia 27 para 28 de agosto. Coisa daquela série de filmes italianos do passado – “Os 7 homens de ouro” – notabilizada por assaltos espetaculares.

Quinta-feira, 15 de setembro: um pedreiro foi preso, após comprar um Montana com moeda estrangeira. Com ele foram encontradas 12 jóias, 400 pedras preciosas e mais de 10.000 libras esterlinas. O mal (ou bem, para nós) de todos os ladrões é ir ‘com muita sede ao pote’, e não conseguir frear o impulso ‘gastão’. Vale tanto para os ladrões de galinha quanto para os de grande vulto.

CARLOS GOMES

ORDEM DO MÉRITO CULTURAL ‘CARLOS GOMES’
Láurea foi recebida ontem, dia 19 de setembro de 2011

Não poderia deixar de dividir a notícia: na segunda, dia 19, recebi, no Terraço Itália, em São Paulo, a medalha de mérito ‘Carlos Gomes’, instituída por Lei Municipal de Campinas (L 4.119/72) e pelo Governo do Estado de São Paulo (L 648/74). A cerimônia aconteceu do tradicional Terraço Itália, a partir das 20h30, com jantar para os convidados e as loas de sempre. Na ocasião, fui agraciado também com o grau de Comendador da SBACE (Sociedade Brasileira de Arte, Ciência e Educação) e o diploma de mérito Carlos Gomes. Sinto-me bastante honrado, pois nunca esperava compartilhar a galeria de brasileiros ilustres como Eleazar de Carvalho, Diogo Pacheco, Samuel Kerr e Aylton Escobar, músicos cuja estatura, sinceramente, me fazem sombra. Feliz por ser indicado pela comissão e um pouco preocupado: ninguém homenageia jovenzinhos...

A homenagem não foi apenas para uma vida dedicada à música e ao ensino: ela se estende também aos que, aqui em Tatuí, e em sua maioria em anonimato, têm colaborado para levar mais fundo as raízes da construção de um futuro cada vez mais pujante para o Conservatório, que, sempre renovando, sobreviverá a nós todos.

ESTADO X GUITARRISTA PRODÍGIO

GUITARRISTA PRODÍGIO NOS EUA
É IMPEDIDO DE TRABALHAR
Tallan (“T-man”) Latz, menino de 8 anos que
passou a trabalhar como profissional,
é impedido de tocar pelo Estado de Milwaukee

“T-man” é um garoto como outro qualquer. A não ser pelo fato de que, ao invés de querer um ‘game’ de aniversário, aos cinco, preferiu uma guitarra, para tantar ser como seus ídolos: Jimi Hendrix e Steve Vai. Dedicado ao ‘blues’, “T” aos oito já estava escalado para inúmeros clubes e casas noturnas, para onde ia acompanhado de seu pai, para angariar dinheiro, já pensando em cursar uma universidade.

A lei de Milwaukee contra o trabalho de menores é implacável, e Steve foi obrigado a se despedir dos shows noturnos. Passou a tocar apenas em festinhas, evitando clubes onde pessoas consomem bebidas alcoólicas – o cerne da questão. O pai diz: “mas meu filho não bebe”, mas as autoridades são implacáveis.

O problema, no entanto, é que a encrenca não parou por aí: o menino passou a receber ameaças de morte – seguramente, pelos que perderam espaço para o talento dele. O pai cogitou em ir para outro estado, com leis mais liberais, mas temeu ser enquadrado em lei federal.

Há mais de 300 anos, já aos 6, uma criança de Salzburg, na Áustria, fazia sucesso por onde passasse, seja ao violino ou cravo. E sem problemas. Chamava-se Wolfgang Amadeus Mozart. “T” não é Mozart, nem Milwaukee é Salzburg, mas, vamos e venhamos, é difícil não entender essa frustração. (Veja matéria do telejornal ‘12 News’ disponibilizada pelo Youtube. No filme abaixo, "Voodoo Child", de Jimi Henrix, quando Latz tinha apenas 7 anos)

VIVA O CURURU!

II “ESQUENTA CURURU”
Segunda rodada do ‘amistoso’ acontece no dia 2 de outubro, dia 9 de outubro, às 9h, no Teatro
Procópio Ferreira, do Conservatório de Tatuí

‘Jogando’ por Sorocaba, Dito Carrara e Andinho; por Tietê, Manesinho Moreira, e por Cerquilho, Gilmar Inácio. Na ‘retranca’, os violeiros Jaime (Cerquilho) e Toninho Moreira (Tietê). Prestigie! (Veja ‘palhinha’ de Manezinho e Tonico Moreira cantando versos de Zico Moreira (falecido em 2002), tido como um dos maiores cururueiros de todos os tempos:


GÊNIOS, ORA, GÊNIOS

O GÊNIO DOS GÊNIOS

Pela facilidade com que vivem o dia a dia, com que compreendem seres e coisas, pelas descobertas, soluções e criações ‘de estalo’, talvez por tudo isso os gênios vivam um humor diferenciado. Pois sabe-se que era assim com certo brincalhão de nome Michelangelo Buonarroti, que achou sua estátua de Moisés tão perfeita que, conta a história, ao terminar de esculpi-la teria nela batido com uma marreta, aos gritos eufóricos de “parla!”(fala!), tamanha a perfeição da obra. Mozart fazia troças com sua genialidade, e compunha com suas obras-primas com absurda rapidez enquanto se divertia fazendo toda sorte de besteiras (como apertar as panturrilhas das moças para assustá-las), ou escrevendo cartas a Constanze Weber, sua amada esposa, com declarações malucas: “do teu Stu, Knaller Paller, Schnip-Schnap-Schnur, Schnepepperl-Snai”. E Beethoven, mesmo com seu azedume costumeiro, não perdia a chance de dizer asneiras, como “parece um bando de carneiros mortos”, referindo-se aos arbustos bem podados dos jardins de Viena.
Já Einstein, o pai da teoria da relatividade, lidava com coisas abstratas e ‘banais’ como a energia resultante da massa vezes a velocidade da luz ao quadrado, foi eternizado em uma clássica foto em que aparece com a língua inteiramente de fora, uma horrível careta. E há quem garanta que a linda (porém famosa por seus reduzidos dotes intelectuais) Marilyn Monroe teria proposto ao gênio alemão ‘produzirem’ juntos um filho, pois a criança desfrutaria da inteligência dele e da beleza dela. Coitada, ouviu como resposta um rápido e rasteiro “melhor não, já que pode nascer com a minha beleza e a sua  inteligência”
Eleazar de Carvalho, nosso maestro maior, esbanjava vivacidade, palavra que usava volta e meia. Contava seriamente sobre a cigana que, quando ele completou 50 anos de idade, previu-lhe mais 25 de vida. Na festa de aniversário de seus 75 anos, aquele enorme apartamento na Alameda Jaú repleto, o ‘Velho’ (que era como, à escondidas, os músicos carinhosamente se referiam a ele), pediu a palavra e disse que a cigana acabara de lhe mandar um fax – “as ciganas de hoje usam fax”, zombeteou -, dando-lhe outros 25 anos. Risadas. (Se estivesse vivo, Eleazar completaria 100 anos em 2012, mas Aquele que traça o destino não deu trela para a vidente). Ele era uma fonte inesgotável de anedotas inventadas na hora, o que contrastava muito com sua severa personalidade profissional.
Já Camargo Guarnieri, tietense ilustre, tinha sempre resposta pronta para tudo. “Eu não escrevi isso”, repetia, sempre que não gostava do modo de execução de alguma obra sua. Ou, já passado dos oitenta anos, perguntado sobre o segredo de sua lucidez, respondeu: “mulheres, vinho e mulheres” – o maestro não podia ver um rabo de saia.
Presenciei um outro caso pitoresco, do qual, apesar de muito criança na época, ainda guardo lembrança vaga do momento. Meu pai tinha uma Kombi, único automóvel que no passado lhe permitia transportar nossa família de seis pessoas. Estávamos no carro parados antes da faixa de pedestres, na Avenida Copacabana, no Rio de Janeiro, em algum dia de 1961, quando vinha atravessando o ilustre filósofo francês Jean-Paul Sartre, braço dado com sua esposa, Simone de Beauvoir, também pensadora e vanguarda do feminismo. Sartre veio para o lançamento de seu livro “Furacão sobre Cuba”, acerca da Revolução de Fidel, que ocorrera quase dois anos antes, e que, ainda não declarada comunista, era assunto no mundo inteiro. Meu pai exclamou: “prestem atenção, vou assustar um gênio!”, e arrancou de leve com o carro, fazendo que ia atropelar o célebre casal. Sartre deu um pulo para trás e gritou “merde, brésilien, vous êtes completement fous. Va te faire foutre!”, obviamente repetido e traduzido por meu pai uns bons anos depois (deixo o significado em português do comentário sartriano à imaginação do leitor). Ele logo abriu suas gargalhadas, percebendo a brincadeira. Dizem que conversar com ele era irritante, pois parecia invadir o interior das pessoas de forma meio debochada.
Por isso, se estiver na frente de um gênio, não se aborreça se ele parecer estar rindo com a sua cara. É que eles são assim mesmo, decifram o mundo com tanta simplicidade, criam tudo e resolvem tantos teoremas em frações de tempo que tudo ao seu redor parece mesmo muito engraçado. Ah, e muito cuidado ao fingir que vai atropelá-los, por favor. Eles são muito raros.








segunda-feira, 12 de setembro de 2011

DUAS ÓPERAS E UM PIANO

BELAS ÓPERAS E UMA INAUGURAÇÃO DE PESO
Pergolesi, Offenbach e Cristina Ortiz

“La serva padrona”, em uma récita, “Orfeu no inferno”, com duas, e o recital de Cristina Ortiz fizeram de setembro um mês especial em Tatuí.

As duas óperas tiveram casas cheias. A maior parte dos presentes nunca tinha assistido a uma ópera, e no domingo, já pela manhã, os ingressos se esgotaram.

O que hoje é arte de luxo, caríssima, no passado foi popular. O charme da ópera consiste nas inúmeras possibilidades de montagem, cenários, figurinos, cada versão absolutamente pessoal. E, ainda mais com o ‘datashow’, que projeta letreiros em português, a ópera é compreensível até para crianças.

Orfeu no Inferno no Teatro São Pedro, em São Paulo (can-can)

O Teatro Municipal de São Paulo teve, em 1941, sob a batuta de Armando Belardi, 16 títulos diferentes de ópera, e 3 ou 4 récitas cada. Hoje, não se pensa em uma ópera por menos de R$ 700 mil (O “Don Giovanni”, de Mozart, em 1995, custou 1,5 mi ao Teatro Municipal de São Paulo. Isso mesmo). E são apenas 4 ou 5 por ano nas grandes capitais. Os preços dos cachês de solistas, cenógrafos e regentes foi para o espaço. Porém, dada a equipe de artes cênicas, funcionários, professores e alunos, o Conservatório de Tatuí apresentou três récitas a custo praticamente zero. Bom para os que assistiram e para os que aprenderam fazendo, no caso dos alunos.

Já a inauguração do piano Steinway “D”, com a estrelíssima Cristina Ortiz, marcou história. Alfredo Egydio Setúbal, neto do ilustre escritor tatuiano e doador do instrumento, enviou  mensagem agradecendo o programa de recital a ele enviado por e-mail, lamentando estar no exterior, mas mostrando estar muito feliz com a doação. Bem que podia ser imitado, não?

'GOLPE DO BAÚ BOLIVIANO'

BRASIL: UM GOLPE DO TAMANHO DA BOLÍVIA
Matéria da ‘Folha’ de 4 de setembro compara o tamanho do rombo nos cofres públicos do Brasil
ao PIB do país da América do Sul

Segundo a matéria, o desvio de dinheiro nos cofres públicos chegou a 40 bi nos últimos sete anos, o equivalente ao PIB da Bolívia. Considera ainda que o números estão subestimados, uma vez que se trata de recursos públicos federais, e não se consideraram desvios de estados e municípios. A estimativa foi feira pelo economista Marcos Fernandes da Silva (FGV), e corresponderia a mais de 200 anos da receita divulgada do Município de Tatuí.

Levando-se em conta que muito do que é desviado não aparece, tem-se vaga dimensão do rombo.

Apesar de mais calmo o recente clima conturbado em Brasília, a ‘faxina’ da Dilma tem de continuar, seja com este nome ou outro. Não apenas punindo o que se sabe e o que surge de novo – na maioria das vezes descobertas da imprensa -, mas também em ação preventiva. Se o microempresário, apenas com o RG de candidato a uma vaga em seu comércio, consegue levantar via Internet a ficha policial, de protestos, cível, fiscal e outros, por que não tratar do Governo com o mesmo capricho? É uma prevenção que pode ser feita por um estagiário...

SALVANDO A ECONOMIA...

“A QUESTÃO É SE, FRENTE À ATUAL CRISE NACIONAL, NÓS PODEMOS PARAR COM O CIRCO POLÍTICO E FAZER ALGO PARA AJUDAR A ECONOMIA”

Não, a frase é de Barak Obama, e não de Dilma, se você pensou nela. Obama tem razão, o que não quer dizer nos darmos as mãos de um lado e fecharmos os olhos de outro. Pode servir para qualquer Presidente em momento que requer atenção, sem deixar de lado a atenção para o cenário político - que tem seus fortes impactos na economia nacional.

FILME NOVO?

      OU FILME JÁ VISTO?
‘Dilma se opõe a petistas sobre mídia’.
Com o título acima, o ‘Estado’ (6 de setembro, pág. A6) chama a atenção para o chamado ‘controle da mídia’, proposto no 4º congresso do PT. Segundo o jornal, a Presidente teme perder apoio da classe média e setores mais bem informados da população.

Qualquer tentativa de ‘regulamentação’ dos órgãos de comunicação tende a ser vista como perigosa: a sombra do caudilho Chávez parece estar sempre presente. E há quem saia defendendo que uma coisa é partido, e outra governo, esquecendo-se de que nas eleições tudo é ‘a mesma coisa’.
A posição de Dilma é salutar e cautelosa. Porém, essas leves ‘peitadas’ lembram o início do governo Erundina em São Paulo, que provocaram uma cisão em sua base que levou à perda do controle da máquina.
Lembro-me de que, para ‘passar’ leis na Câmara de São Paulo - a exemplo de uma por nós gestada, para o Teatro Municipal -, a Prefeita chegou a ‘entregar’ projetos nas mãos de alguns vereadores pouco expressivos (e em busca de holofotes) da oposição, para que vingassem.
Terminou assim aquela que foi considerada pelas áreas de Educação e Cultura a melhor gestão da capital paulista por décadas.
Karl Marx ainda é querido por tantos ainda afeitos com rigor às suas idéias - apesar de ser da lavra do pensador alemão a frase ‘a única coisa que não mudará na minha filosofia é que ela mudará sempre’, o que nos faz supor que a esquerda mais conservadora não leu este pensamento. Marx dizia que ‘A história se repete, mas da segunda vez como farsa’. Ora, não há fatos inéditos na história, e sim personagens. Portanto tudo é história ou tudo é farsa.
Deixemos de lado os devaneios e fiquemos observando o que as decisões pessoais de Dilma podem trazer de positivo, e como ela enfrentará o chamado ‘fogo amigo’. O apoio deve ser sempre para quando ela estiver certa, como nesse caso da ‘regulamentação’.

GÊNIOS, GÊNIOS

O HUMOR DOS GÊNIOS

Talvez pela facilidade com que vivem o dia a dia, com que compreendem o mundo, pelas descobertas e soluções ‘prontas’, os gênios tenham um humor diferenciado. Pois sabe-se que foi assim com Michelangelo, que achou sua estátua de Moisés tão perfeita que, conta a história, teria nela batido com uma marreta, aos gritos de “parla!” (fala!). Tal qual Mozart, que compunha com perfeição e rapidez suas obras, e se divertia com toda sorte de besteiras, como as que escrevia em cartas a Constanze Weber, sua amada esposa: coisas como “do teu stu, Knaller Paller, Schnip, Schnap, Schnur, Schnepepperl-Snai”. E, mesmo com seu azedume costumeiro, Beethoven não perdia a chance de dizer asneiras, como ‘parece um bando de carneiros mortos’, referindo-se aos arbustos bem podados dos jardins de Viena.
Einstein, o pai da teoria da relatividade, lidava com coisas abstratas e ‘simples’ como a energia resultante da massa vezes a velocidade da luz ao quadrado, ficou eternizado por uma foto em que aparece com a língua inteiramente de fora, uma horrível careta. Dizem que a linda (porém reconhecidamente estúpida) Marilyn Monroe teria proposto ao gênio alemão ‘produzirem’ um filho, pois a criança nasceria com a inteligência dele e a beleza dela. Mas ouviu como resposta um rápido “melhor não, porque vai que nasce com a minha beleza e a sua inteligência?" (A ser publicado na íntegra em 'O Progresso' do sábado, 17/12)

sábado, 3 de setembro de 2011

O ESTRANGULADOR DE BOSTON

Nome: Albert De Salvo. Veredito: Culpado.
Mas pode ter sido engano
(Em ‘O Progresso’ de sábado, 3 de setembro)

Ao me mudar para os EUA, fui inicialmente morar em Brighton, uma daquelas pacatas vilazinhas do entorno de Boston. Como precisava economizar, e queria me ver longe daquele ‘gueto’ brasileiro – pretendia dominar a língua inglesa -, parti para a região central da cidade, mais precisamente para a Rua Gainsborough (foto acima), a mesma da universidade (New England) na qual estudava. Essa rua dá para os fundos do afamado Boston Symphony Hall (palco de uma das mais importantes orquestras do mundo) e faz esquina com a Huntington Avenue (foto abaixo), lateral da mesma sala de concertos.
Desde o início, ouvia de colegas piadas que eu não entendia, como “cuidado com o estrangulador”, “mataram mais uma hoje?” Quando pedi explicação para aquele ‘bullying’, contaram-me algo em que não podia acreditar: no prédio 77, geminado ao meu (de no 79), 17 anos antes, residira e cometera seu primeiro assassinato o famoso ‘estrangulador de Boston’.
Junho de 1962. Aquela rua bem ao estilo inglês, prédios idênticos de tijolo aparente e janelas ‘baywindow’, era ideal para estudantes e trabalhadores modestos, além de pessoas sozinhas, pois os apartamentos de quarto e cozinha mal comportavam duas pessoas. No dia 14, às 19h49, os oficiais Benson e Joyce, cumprindo determinação da Central de Polícia, adentram o apartamento de Anna Slesers, 55, no primeiro andar do prédio de número 77. Slesers fora encontrada morta, enforcada com o cinto de seu roupão de banho pendurado na janela. O policial Juris, sentado, lamentava o ‘suicídio’, quando seu colega Mellon exclamou: “Está louco? Você chama isso de suicídio?”. Chegaram a fazer uma aposta. Mellon levou: Slesers havia sido brutalmente assassinada. Sem motivo aparente, sem estupro, sem pistas.
Duas semanas depois, no dia 30 de junho, desta vez na Commonwealth Ave (no 1640), que passa na frente do mesmo Symphony Hall, é encontrada nas mesmas condições a Sra. Nina Nichols, 68. No mesmo dia, também, Helen Blake, 65, em Lynn. Sem motivo aparente, sem estupro, sem pistas. A cidade, antes pacata e ordeira, recolheu-se, entorpecida pelo pânico. Senhoras levavam gás pimenta e pequenos objetos perfurantes nas bolsas, denunciavam-se assassinos potenciais aqui e ali. Diferentemente do famoso ‘Jack, o estripador’ de Londres (1888), que violentava, assassinava e mutilava prostitutas - deixando pistas para com sua inteligência desafiar a Polícia -, o de Boston tinha um perfil diferente: a quinta vítima da série, Sophie Clark, tinha apenas 20 anos, e as duas seguintes 23, quebrando o ‘padrão’, típico do comportamento de assassinos seriais. A última das 13 vítimas foi Mary Brown, 69, 8 meses depois. Isso desfez a tese de que se tratava de um ‘estrangulador de idosas’.
Um certo Albert De Salvo tinha passagens policiais como maníaco: fora  fichado como “Homem-medida” (gostava de usar uma fita para tirar medidas de corpos femininos, como um costureiro). Tinha também fetiche por dedos dos pés de mulheres, e levava uma lanterna portátil para ‘espiar’ sandálias nos cinemas da cidade.
Preso como principal suspeito, De Salvo logo confessou todos os assassinatos. Seu advogado, Mr. Bailey, requereu internação psiquiátrica no Hospital Estadual de Bridgewater, mas o próprio réu mudou de ideia, preferindo enfrentar o Júri, e passou a negar a autoria dos crimes. Foi preso, fugiu, foi recapturado e trancado em Walpole, presídio de segurança máxima, onde acabou assassinado em 1971.
Em 2001, com novas técnicas de identificação por DNA, o corpo de Mary Sullivan, a 11ª vítima, foi exumado, e todos os vestígios encontrados remetiam a dois homens, mas nenhum deles era De Salvo. Outras investigações se seguiram, mas com certeza absoluta sabia-se apenas que De Salvo fora um psicopata. Casey Shermann concluiu: “se De Salvo não matou Mary Sullivan, embora tenha confessado o crime com terríveis detalhes, ele não matou nenhuma dessas mulheres”.
(Em tempo: o ‘Estadão’ de 1º de setembro publicou uma pequena nota informando que, em Londres, com técnicas e softwares avançados, foi traçado o retrato falado de ‘Jack, o estripador’, a partir de descrições e depoimentos arquivados. Só que os crimes ocorreram em 1888, ou seja, há 123 anos! É, a Scotland Yard não que deixar esse  caso insepulto para a história).

LEI DO CONSERVATÓRIO: NA CCJR

DEPUTADO SAMUEL MOREIRA
PL 654/11 visa a restabelecer a vigência da Lei 997/1951, que criou o Conservatório de Tatuí

O Projeto de Lei 645/2011, proposto pelo Deputado Estadual Samuel Moreira (PSDB), visa a restabelecer a vigência da histórica Lei 997/1951, de Narciso Pieroni, que criou o Conservatório de Tatuí. A Lei de criação foi revogada em 2006 juntamente com um grande número de outras normas legais por propositura do então Deputado Cândido Vaccarezza (PT), conforme já foi publicado aqui.

Andamento atual: após apresentado, o Projeto de Moreira passou em pauta por 5 sessões regimentais, conforme as normas da Casa, e ingressou na CCJR (Comissão de Constituição de Justiça e Redação). Lá, em 30/08 foi designado relator o Deputado Fernando Capez (PSDB), conhecido Promotor de Justiça e atualmente Deputado Estadual e membro da Comissão.

Após relatado favoravelmente – do que temos certeza, pois o Projeto de Lei está muito bem embasado e respaldado em decisão semelhante -, o assunto deverá ir ao Plenário. Segue o status atual:

"POEMA ENJOADINHO": VINICIUS/AUTRAN

PAULO AUTRAN RECITA VINICIUS
O genial “Poema enjoadinho”, na voz do ator
(que completaria 89 anos no próximo dia
7 de setembro, o dia da Pátria)

“Filhos... Filhos? Melhor não tê-los. Mas, se não os temos, como sabê-los?”. Esta obra-prima de verso, de simplicidade e criatividade sem par, um elogio à dúvida, é o ‘mote’ do poema. Melhor do que ler é ouvi-lo na voz do ator (parece que ele fala para todos os que, como ele, não têm ou tiveram filhos):
POR FALAR EM PAULO AUTRAN E VINICIUS
Quem se lembra do ator e do “Poetinha”,
em “Soneto da Fidelidade”?

Por falar em aniversário de nascimento do ator, dia 7 de setembro, por que não ouvir também, recitado por ele, o “Soneto da Fidelidade” – aquele que fala do amor “que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito, enquanto dure”?

O “Poetinha” ganhou esse apelido por falar sempre usando diminutivos: “chopinho”, “amiguinha”, “uisquinho”... Vinicius foi um raríssimo caso de poeta genial e letrista genial (as duas artes são absolutamente distintas e, em geral inconciliáveis). Além de filósofo da vida, músico, diplomata, amante, pacifista, etc. etc. etc.