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sábado, 8 de junho de 2019

GABRIEL DINIZ: FORRÓ, SALSA, POP ...


E SERTANEJO?
Cornélio Pires e seus caipiras, em Tietê
Cornélio Pires, estudioso do folclore e cantador, bem definiu o sertanejo: “canto romântico e triste que comove a senzala e a tapera”. O gênero terminou por avançar sobre os centros urbanos e periferias, levado pela mão de obra das construções, mutação que abandonou o sertanejo caipira em suas origens. Nas cidades, o ‘novo sertanejo’, logo abriu os olhos da indústria musical, que viu nos artistas produtos maleáveis para vender em massa: “vocês vão enriquecer, mas terão de agir conforme nossos produtores os vestirem e mandarem”. Segundo o teórico alemão Theodor Adorno (1903-1969), quando a indústria se apropria da arte popular torna-a ‘civilizada’ (diria: aculturada), e ‘perde a simplicidade do rústico’.
Imiscuíram-se nas plagas do ‘novo sertanejo’ músicos como Régis Duprat, arranjador de formação clássica com passagem pelo Tropicalismo (na capa do disco Tropicália Duprat aparece com um penico nas mãos). A dupla Léo Canhoto e Robertinho foi pioneira na fidelidade às diretrizes dos cartolas dos discos. Foi assim que criaram Meu Carango e se esqueceram da porteira, do mata-burros e do ranger do carro de boi para livre-cantar, numa espécie de breque, “sai da frente, sua lata velha”, “passa por cima”, respondeu o outro,  que recebeu de volta um “pois eu passo mesmo, lá vou eu”, e crashhhh, barulho de acidente!
A Jovem Guarda acabara por contaminar os sertanejos com Rua Augusta, Festa de Arromba e Eu Sou Terrível. Os que não se deixaram levar pela moda e continuaram apegados à raiz permanecem pobres, mas são felizes em seus ranchos. Já os modernosos vestiram cinto de fivelão, chapéu de caubói americano, bota de salto e calça justa, mas mantiveram o canto em terças paralelas típico dos caipiras. Mas Tristeza do Jeca (1918), de Angelino de Oliveira, inspirada no Urupês, de Monteiro Lobato, 90 anos depois de composta foi considerada a melhor música sertaneja de todos os tempos por um júri convidado pelo jornal A Folha de São Paulo.
Do mesmo jeito, o que se chama forró, nos dias de hoje, não é o Forrobodó (‘sarau chinfrim’) de Chiquinha Gonzaga, cunhado no maxixe do início do século 20. No Nordeste o forró é forrobodança, assumiu-se um embalo gostoso ao som de sanfona, triângulo e zabumba em ritmo de xote, xaxado e baião (nada, por favor, a ver com for all). O forró de hoje é o dos centros urbanos, bailes surgidos com a mão de obra vinda do Nordeste, e travestido tal qual aconteceu com o sertanejo vindo do inland brasileiro. Completa a receita o rock, via Jovem Guarda, assim como o country importado que travestiu o sertanejo urbano. Em comum, no sertanejo e forró modernos, apenas a encarnação urbana e o “kit fama”: corrente de ouro, carro importado e loira na cama.
Jenifer, que estourou nas paradas (mais de 370 milhões de acessos em uma plataforma da Internet), o novato Gabriel Diniz bebeu no ritmo de embolada de algumas letras do forró, sucessos de Jackson  do Pandeiro como O Canto da Ema (1956), de João do Vale, Ayres Viana e Alventino Cavalvanti: “...você bem sabe que a ema quando canta traz no meio do seu canto um bocado de azar”. Diniz: “mas ela veio me xingando enchendo o saco perguntando quem é essa perua aí?”. Ora, Gabriel cedo mudou-se com a família para a Paraíba, lá tendo vivido boa parte de sua infância e juventude. Não por coincidência, terra do mestre Jackson do Pandeiro, do Canto da Ema, notória influência sobre o novato.
'Jenifer' e Gabriel
O ritmo de Jenifer é mesclado com o da salsa, incluindo os típicos riffs de metais, o balanço latino de bongôs e o suingue de cúmbias, merengues, mambos e camisas de estampas tropicais. ‘Novo sertanejo’? Talvez apenas alguma simpatia. A letra de Diniz é puxada por um nome feminino até comum nos dias de hoje, e nela o autor diz que teria conhecido a moça no Tinder, um aplicativo de relacionamentos para celular que faz, via computador, os cálculos e matches das melhores escolhas de pares para cada membro inscrito. De resto, a letra é simples e foge das dores de que se tornou refém a maior parte do sertanejo atual, as de corno e de cotovelo.
(Freepik)
Definitivamente, de ‘novo sertanejo’ em Diniz só enxergo o público jovem, que gosta do gênero, e alguma sombra, ao fundo, bem atrás do nordestino e caribenho. Já o pop do cantor é consequência natural pós-Bossa e pós-Tropicalismo. Essa influência nordestina, mesmo que um tanto pasteurizada, é evidente em outras músicas de Diniz, como Amor de Copo e Brincar de Amar, com direito a sanfona.
Que ele era um talento a se lapidar, não se pode negar: uma boa extensão vocal e agudos sem os cacoetes do yodel (do alemão Jodel, Alpes Suíços, troca de registros natural e falsete importada pelo faroeste americano: “ioleí-hi, ioleí-hi”). Quando mal feito, lembra um rapazola em fase de mudança de voz). Uma letra divertida, bem assentada no ambiente urbano, ao ritmo do blend saboroso de nordestinos e caribenhos.
O sucesso rápido derrubou o jovem Gabriel Diniz, aos 28 anos, neste fatídico 27 de maio: duplas famosas viajam em jatinhos, ora, o cantor não quis fazer por menos. Cantou Janis Joplin: “...você não vai me comprar um Mercedes-Benz? / Todos os meus amigos dirigem Porsches, preciso me equiparar”. E fez o que pôde, pagou R$ 4 mil para caber em um pequeno e velho monomotor a hélice construído há 45 anos para quatro pessoas. Saiu da Bahia para Alagoas, sobrevoando Sergipe. Exatamente onde ficou após uma queda brusca. Sem lenço, documento, sequer caixa preta. Uma pena mesmo.
[Para quem nunca ouviu, um link para 'Jenifer':]


sábado, 1 de junho de 2019

DAS MINAS GERAIS


“Sou do ouro, eu sou vocês / sou do mundo, sou Minas Gerais” (Para Lennon e Mc Cartney, de Brant, Márcio e Lô Borges) ecoou na voz do Milton Nascimento, em um dos pontos altos de sua carreira. Nascido em Três Pontas, sul de Minas, hoje com 57 mil habitantes, Milton ouviu da Elis Regina que o canto dele soava como a voz de Deus, de tão profunda. Um pouco mais para oeste daquela cidade, quase limite com a divisa de São Paulo, assenta-se Monte Santo de Minas, de onde à noite pode-se ver as luzinhas da paulista Mococa. Da zona cafeeira (do café ‘tipo A’, dizem), Monte Santo é uma aconchegante cidadezinha que em 2020 completa 200 anos. Terra do meu pai, o escritor Autran Dourado, diversos prêmios, entre eles Camões, Goethe e Grã-Cruz do Mérito Cultural, berço também de sua contemporânea Ruth Luz, musicista e autora dos hinos da cidade natal, e depois de Caconde e de Tatuí, de cujo Conservatório foi renomada professora. Monte Santo, terra também do ator Milton Gonçalves. Nomes bastante representativos para uma população atual de 21 mil.
Mestre Villani-Côrtes, cordial amigo
Entre outros cantores de Minas estão Ataulfo Alves, Altemar Dutra, Ana Carolina, Clara Nunes, João Bosco, Maria Alcina e Moacyr Franco. Instrumentistas, regentes, arranjadores e compositores não ficam a dever: meu amigo e baterista dos tempos de conjunto em Boston, o grande Pascoal Meirelles, Wagner Tiso, Geraldo Pereira, Carlos Prates, nosso querido amigo Villani-Côrtes, o imortal Lobo de Mesquita, puxando vai longe.
Pelé, um rei na corte tricordiana
Subindo no mapa, mais a leste, batem Três Corações, hoje com 78 mil habitantes. Entre seus ilustres cidadãos, uma lenda mundial chamada Pelé, o  escritor Godofredo Rangel (primeiro mentor do meu pai), o cineasta Braz Chediak e Carlos Luz, que,  por estar à frente da Câmara dos Deputados, em 1955 chegou à Presidência da República após um infarto de Café Filho, vice. Este havia assumido a vaga de Getúlio após o suicídio no Palácio do Catete, ocorrido no ano anterior. Luz ficou apenas 5 dias no cargo, logo derrubado pelo Marechal Henrique Lott, que conduziu a posse de Juscelino Kubitschek em 1956.
Juscelino viu a luz em Diamantina, “onde nasceu JK / que a princesa Leopoldina / arresolveu se casá” (Sergio Porto, 1968). A população atual da cidade é de 47 mil habitantes, e fica pouco ao norte de Belo Horizonte, capital (onde, sem maiores lustres, eu nasci). Somando Carlos Luz e JK, Minas produziu o maior número de presidentes da República: nove, ao todo, destacando-se também Afonso Pena, Artur Bernardes e Tancredo Neves.
Uma joia de beleza e cores, Ouro  Preto
Nas chamadas cidades históricas reside o coração do barroco e da música colonial brasileira: Sabará, a pouco mais de 15 minutos da capital, fundada em 1675 como Villa Allegre e Sorridente de Nossa Senhora do Ó de Sabarabuçu, e Villa Rica de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto, de 1652, ou simplesmente Ouro Preto, terra de enorme riqueza nos lendários tempos do garimpo do ouro e da arte, da música colonial, das esculturas do maior artista plástico de nosso barroco, juntamente com o pintor Mestre Ataíde, da vizinha Mariana: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
Os profetas
De Aleijadinho são também obras de São João del Rei, ‘Cidade dos Sinos’, e Congonhas, ‘dos Profetas’, feliz sede do conjunto de esculturas em pedra sabão da Igreja de Bom Jesus de Matosinhos, tombado pela UNESCO em 1985 como patrimônio cultural da humanidade. Ouro Preto, de 1711, tem atualmente 54 mil habitantes e um enorme volume flutuante de turistas. Da região do ciclo do ouro, onde viveram os idealistas revolucionários da abortada Inconfidência Mineira, a cidade é Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1980.
O protesto bem-humorado do Henfil
Além de Aleijadinho e Ataíde, artistas plásticos mineiros não faltam até hoje: Bruno Mitre, de BH, Carlos Bracher, Juiz de Fora, e um grande nome contemporâneo, Maria Helena Andrés, de Entre Rios, prima da minha mãe. Yara Tupinambá é de Montes Claros (de quem tenho uma linda gravura que faz parte de um díptico com o poema Sabará, de Carlos Drummond de Andrade, por ele autografado: “A dois passos da cidade importante / a cidadezinha está calada, entrevada / (Atrás daquele morro com vergonha do trem)”. Um gênio da caricatura, Henfil, é de Ribeirão das Neves, e além de grande artista, que com sua pena e seus pincéis  foi um prócer da luta contra a ditadura, trabalhando ao lado de seu colega  de O Pasquim, Ziraldo, nascido em Caratinga.
Simplesmente Drummond (Revista Bula)
Carlos Drummond, ‘nosso poeta maior’ (título que rejeitava), nasceu em uma cidade a que dedicou um lindo poema que termina com estes versos: “Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói!” Entre escritores e poetas, além dele, meu pai e o já citado Godofredo Rangel, também são mineiros Guimarães Rosa, de Cordisburgo, Murilo Rubião, de Carmo, Henriqueta Lisboa, de Lambari, e Cláudio Manuel da Costa, de Mariana, amigo do Aleijadinho e simpatizante fiel dos inconfidentes. 
Otto, acervo o Globo
Minas também nos trouxe Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Otto Lara Resende, da frase cáustica que lhe foi atribuída por Nelson Rodrigues, “O mineiro só é solidário no câncer”. Fernando, Paulo, Otto e Hélio Pellegrino (os dois últimos quase nossos vizinhos, no Rio) eram assíduos nos colóquios com meu pai. Affonso Romano de Santana, de BH, autografou e mandou-me seu magnífico livro de arte intitulado Barroco, Alma do Brasil, além do amigo mais frequente nos aniversários de meus pais e outras festas, Silviano Santiago, escritor e ensaísta nascido em Formiga, cidade a que minha tia Maria Ângela (mineira, claro) se referia com o cacófato “em formiga abunda a pita”. A pita é uma planta cheirosa que, parece, realmente grassava naquelas glebas.
Sófocles (497 a.C. - 406 a.C.)
Mineiridade é espírito universal, com pitada trágica de Sófocles e Eurípides herdada via alguma descendência misteriosa. É assobiar de boca fechada como o Otto Lara, contar causos, ‘sentar de cocra’, enrolar ‘pito de páia’, tirar cavaco de madeira (como Os Carapinas do Nada, título de um livro do meu pai). Universal, tímido, simples e brasileiríssimo. Se o sonho um tanto ingênuo da Inconfidência tivesse tido força e conseguido lograr êxito, O Brasil já teria 230 anos de Independência, próximo dos americanos e franceses: uma República madura, e não a que temos hoje, com um século de atraso: castigada, trôpega e vacilante.

"Liberdade, ainda que tarde, ouve-se em redor da mesa./ E a bandeira já está viva, e sobe, na noite imensa. / E os seus tristes inventores já são réus — pois se atreveram

a falar em Liberdade (que ninguém sabe o que seja)"

(Cecília Meireles: Romanceiro da Inconfidência, Romance XXIV)



sábado, 25 de maio de 2019

TRADUZIR: UM DISCRETO CONVITE À TRAIÇÃO


Dei de presente para minha filha Marta, que mora em Londres, um exemplar da tradução para o inglês de Ópera dos Mortos, do meu pai. Há três edições pelo mesmo tradutor, John M. Parker, sendo uma após o Prêmio Goethe de 1982 e duas anteriores: Peter Owen (1980), Taplinger (1981) e Hamlyn (1983). Não compreendi o porquê da não tradução literal, Opera of the Dead. Parece não haver outro livro ou filme que impeça, mas o tradutor optou por The Voices of the Dead (As Vozes dos Mortos), que caberia melhor em um thriller de terror.
Uma das capas é sóbria, só traz o título. A que escolhi é uma vaga remissão ao casarão de Rosalina, personagem central do romance. A terceira mostra uma ilustração antiga que lembra o Pão de Açúcar carioca, abraçando uma baía (um Debret ou Rugendas, não fosse o barco a vapor cruzando ao fundo). Mas tudo se passa em uma fictícia cidadezinha do interior mineiro, tal como a Monte Santo em que o pai viveu! Obra do capista ou do editor?
O texto da tradução tem vários equívocos, a exemplo desta frase no original em português: “...a gente viu como foi. Como por que aqueles relógios começaram a parar”, traduzida assim: ...we saw the other times how it happened, how and why those clocks began to stop”, desse jeito, quebrando o sentido e o frasear característico do autor. Diz assim a tradução “...nós vimos das outras vezes como aconteceu, como e por que aqueles relógios começaram a parar”. Esse ‘como’, sem o ponto antes e na tradução, indica ‘de que maneira’, uma conjunção, e, no original, é ‘a exemplo de’, advérbio. 
Os títulos dos capítulos também dão suas escorregadelas: Rosalina’s Song, para Cantiga de Rosalina. Cantiga remete a um cântico monofônico (de uma voz apenas) que vem desde a Idade Média, e aqui intimista à mineira: cantarolando. Assim como a escrita do meu pai, a cantiga é introspectiva e não uma canção no sentido genérico de song, voz com acompanhamento, ou um Lied  romântico alemão. Mas não vou fixar-me apenas nesta tradução (e menos ainda fazer um elogio à traição, pensando no adágio italiano tradutore, traditore).
Meu pai, em trabalho de 1987 escrito a quatro mãos com minha mãe (professora de francês), traduziu La Légende de Saint Julien l’Hospitalier, de Gustave Flaubert (1821-1880). Em Notas à Margem de uma Tradução, ele cita o próprio autor, via Maxime Du Camps: “... o escritor é livre, conforme as exigências de seu estilo, de aceitar ou rejeitar as prescrições gramaticais que regem a língua e que as únicas leis às quais é preciso se submeter são as leis da harmonia”. Essas pequenas subversões, quando a bem da fluidez do texto, são benéficas. A escrita deve se submeter à harmonia, pensando em Flaubert, e não às impositivas regras gramaticais. Quando cabível, porém, a tradução exata é muito melhor, como nos outros casos que relatarei aqui.
O norte-americano Benjamin Moser escreveu, sobre Clarice Lispector, em 2009, Why this World (Por que Este Mundo). Uma pergunta sem interrogação, sem esperar resposta. Traduziu-o para o português em 2011 e, tal como aconteceu com Ópera dos Mortos, pecando já no título: Clarice, uma Biografia. Serviria para um jogador de futebol, cantor popular, algo assim. Mas não é Clarice. A capa do original, em inglês – a biografada com o rosto coberto pelas mãos, sob o título Why this World -, nessa tradução banaliza a personalidade complexa da escritora, mais chegada a Nietzsche, Schopenhauer e Kafka.
The Cloud of Unknowing, de um monge beneditino anônimo do séc. 13, eu traduziria para A Nuvem do Desconhecimento, de maneira fiel ao título. São textos e exercícios espirituais, um livro que me foi dado por um primo, frade dominicano. Li pausadamente no original, ensaiando exercitar-me como os monges beneditinos da época, em busca da contemplação, prática não muito diferente da de outros monges, como os do Tibet. Ou aquela que Cristo mencionou, segundo Lucas (10:38-40), “Maria escolheu a parte certa, que dela nunca será tirada”: a contemplação divina. Mas o título A Nuvem do Desconhecimento, em português, virou A Nuvem do Não Saber! (‘Desconhecimento’ e ‘não saber’ são coisas diferentes. ‘Unknown’ é exatamente desconhecido, diferente de ‘não sabido’, ‘not known’, mais afeito ao nosso jargão policial: ‘o suspeito está em Lins’ – Lugar Incerto e Não Sabido). Mera sutileza? Em português pode ser que sim.
Um amargo depoimento de William Styron (de A Escolha de Sofia), trata da depressão, passa pelo estágio da internação psiquiátrica e o ímpeto do suicídio. Mas Darkness Visible (Escuridão Visível) chegou a nós como Perto das Trevas, de sentido bastante diferente.
Muita gente compra livro pelo título, e em geral leva gato por lebre (raríssimas vezes lebre por gato). A capa, nos dias de hoje, tem importância enorme na venda, embora em algumas grandes publicações elas sejam sóbrias e não-ilustradas. A liberdade gramatical e das regras de que falou Flaubert se aplica ao escritor e, de carona, ao tradutor, quando o interpreta e revela a ideia original, sendo-lhe fiel. Contudo, não há que se fugir como regra do bom e velho literal, que às vezes pode ser a melhor fidelidade.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

FALSIDADE


Baiana, da poeta Cecília Meireles
O sambista Geraldo Pereira foi assassinado na boêmia Lapa carioca com um soco no fígado desferido pelo lendário Madame Satã, um travesti de shows da noite e de pouca e azeda conversa, bom de briga. Pereira foi o criador do chamado samba do telecoteco, letras cheias de sílabas às vezes difíceis de serem encaixadas no ritmo sincopado. Influência nordestina, coisa de embolada, embora tenha nascido em Minas. Mais comedido na prosódia é o samba Falsa Baiana (1944), brincadeira sobre a mulher de um amigo, para lá de desajeitada na fantasia de balangandãs, brincos de argola e turbante, em plena segunda de carnaval: “A falsa baiana quando entra no samba / ninguém se incomoda / ninguém bate palma / 

ninguém abre a roda / ninguém grita oba oba / salve a Bahia, senhor do Bonfim / (...) mas a gente sabe quando uma baiana samba direitinho / e mexe e remexe, revira os óinho / dizendo eu sou filha de São Salvador”. A falsa baiana do amigo inspirou esses versos que fizeram sucesso até décadas após, na crista a Gal Costa. Caetano aproveitou a deixa de Pereira e saiu-se com A Verdadeira Baiana: “sabe ser salsa / valsa e samba quando quer...”

Bolero (Hipsonfire)
O falso, para Aldir Blanc, letrista de João Bosco, é o charme discreto do ‘brega-kitsch’ da moça que, tirada para dançar, fez o coração traiçoeiro do rapaz bater “mais que o bongô”, ela sussurrando-lhe ao pé do ouvido os passos da dança, “são dois pra lá, dois pra cá”. Um lindo bolerão, daqueles de maracas e tudo, gravado magistralmente em LP de Elis Regina, em 1974: “No dedo um falso brilhante / brincos iguais ao colar / e a ponta de um torturante / bandeide no calcanhar”. Com direito a observar o beberico ‘social’ da moça, que escondia o gosto amargo de   whisky no falso doce do guaraná. Décadas depois veio o roqueado Falso Samba, do grupo Cainã, que canta a moça de falseio sedutor: “já disse o seu nome e você nem percebeu / que a sua falsidade afeta tolos como eu”. Faz o trocadilho, “a sua falsa idade / pra mim já deu”, e se despede, “bye, bye”.
Os doutos homens da lei que me corrijam, mas o falso testemunho, no Brasil, é chamado perjúrio, coisa para lá de comum. O cidadão que se cala – ‘só falo em juízo’ – em um inquérito policial tem esse direito (faz eco à famosa 5ª emenda americana, o direito de permanecer calado até julgamento). Mas se o meliante falou, depois talvez de algum ‘telefone’ na frente de uma câmera de TV. Instruído, logo vai negar tudo perante a autoridade judiciária, dizendo que bateu com a língua nos dentes sob coação. Mais diretos, alguns países da tradição greco-romana, como Itália e França, proíbem suspeitos de serem ouvidos sob juramento. Assim não cometem perjúrio, independentemente do que venham a dizer durante o processo.
Entre nós também é criminalizada a falsidade ideológica, descrita no Art. 299 do Código Penal. Trata-se de quando o cidadão omite, “em documento público ou particular, declaração que dele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante”. E existe a ‘falsa carteirada’, o malandro que se apresenta como autoridade para tirar proveito, ou simplesmente faz-se passar por outra pessoa para obter vantagem. Se para isso empregar um documento falso, ai, ai, a casa cai mesmo.
Diferentemente do Brasil, nos países cujo direito é dito anglo-saxão, a exemplo dos EUA e Reino Unido, perjúrio seria a falsa declaração sob juramento, seja verbalmente ou por escrito. Não é crime de perjúrio mentir sobre a própria idade ou de terceiro, salvo se o ato influenciar um resultado legal, como antecipar uma aposentadoria, entre outros.
Eu mesmo senti na pele o rigor desse tipo de juramento. Quando recebi meu visto permanente nos EUA  passei pela experiência (era o chamado green card, hoje cinza mas ainda dito verde). Mão sobre a Bíblia, a outra erguida e espalmada, fui interrogado por uma oficial. Uma série de perguntas sobre se já tive qualquer ligação com o tráfico ou a guerrilha, várias coisas do tipo. Não sem antes ser avisado do rigor da pena caso mentisse sob juramento.
Já em locais e países de mais longa tradição, como Queensbury, o 2° maior estado da Austrália, federação criada 1901 mas ainda parte do Commonwealth ao Reino Unido, a lei é mais radical: o crime de perjúrio pode levar à pena máxima, reclusão perpétua.
É cada vez mais comum alguém ou a imprensa apontar dados falsos inseridos no currículo de um cidadão, títulos que o ilustre nunca teve, mestrados e doutorados que nunca fez, e, em alguns casos, até certificados nebulosos, como aqueles obtidos na Internet em sites que vendem todos os tipos de fake certificates de escolas e universidades, existentes ou não. Aí a coisa complica. O cidadão pouco conhecido no meio torna-se expert em assunto que mal conhece, mas a ‘falsa baiana’ acadêmica volta e meia acaba sendo descoberta, e se fizer o autor cair no ridículo já está muito bom, já que pode levá-lo à desgraça e execração em sua comunidade, virar notícia e meme de redes sociais, fazendo o autor da falseta carregar a tatuagem de vigarista o resto de sua vida.
[Disse Shakespeare, em All’s Well that Ends Well (Tudo vai bem quando termina bem): “Ele afirma não manter juramentos, para quebra-los é mais forte do que Hércules. (...) Tem tudo o que um homem honesto não deve ter, e nada do que um homem honesto deveria ter”. (Trad. Livre do A.)]

sábado, 18 de maio de 2019

A CULTURA, A CIVILIZAÇÃO, ELAS QUE SE DANEM OU NÃO

Gil (Varela Noticias)

Com essa provocação musical logo nos primeiros versos, Gilberto Gil compôs Cultura e Civilização com fina ironia: “somente me interessam / contanto que me deixem / meu licor de jenipapo / o papo / das nites de São João”. Orgulhoso de sua terra, a Bahia, das coisas mundanas e simples, traz a reflexão conceitual típica de suas músicas. Em frente, torna ainda mais clara sua ótica: “somente me interessam (...) / contanto que me deixem / ficar com a minha vida na mão”. O poeta afirma necessitar de pouco, seu jenipapo, seu coentro, viver a vida lhe bastam.
Pensemos a Cultura tomando, por um lado, a definição clara e simples da ASA (Associação Sociológica Americana): “linguagens, costumes, crenças, regras, arte, conhecimento, identidades coletivas e memórias desenvolvidas por membros de todos os grupos sociais que fazem seus ambientes em sociedade terem um significado. Narrativas sociais, ideologias, práticas, gostos, valores e normas” (Trad.do A.) Por outro, o teórico, esteta e filósofo marxista húngaro Gyorgy Lukács (1885-1971), em sua ponta – saudável ver duas abordagens -, agregava Cultura a valores essenciais para sua filosofia, a par da luta de classes e, consequentemente, rumo ao socialismo revolucionário. Seja qual for a abordagem do assunto, no caso um técnico e outro impregnado de ideologia, percebe-se a real dimensão da Cultura entre nós.
Woodstock: 50 anos
Convido o leitor a uma breve digressão. A Cultura é de tamanha importância que podemos entendê-la como algo imenso, que engloba a Educação, entre outros pilares de uma sociedade. Razão para discordar do mote ora em voga “Cultura é Educação”, para, ao contrário, compreender Educação como fazendo parte do conceito mais amplo de Cultura. Percebemos isso em poucos períodos, talvez com Pedro II, os projetos de Villa-Lobos e um pouco com JK. Fora tentativas espontâneas isoladas, como a eclosão da revolução cultural do Ocidente, a partir de 1968, um caldo universalista que durou quase duas décadas, apesar da violenta censura no Brasil e outros países da América Latina na época - caldo universal este fervilhante em criação, crítica e renovação, que transformou os rumos e costumes de uma juventude mundialmente decepcionada com o seu presente.
O binômio Cultura e Civilização traz certa sinonímia entre uma e outra palavra, entrelaçam-se de modo a nunca terem seus pontos desfeitos, estão enraizadas de modo tão profundo que nem o mais potente dos tratores que devastam florestas pode arrancá-las. O leitor deve ter se perguntado sobre a música do Gil como introdução a este artigo. Bom, não sei se o tema lembrou-me da poesia ou se foi a letra que me trouxe a ideia, possivelmente  uma e outra tenham emergido do meu subconsciente devido ao estímulo de fatos noticiados recentemente, o que não raro acontece.
UFRJ: colapso (Hora do Povo)
Especialistas observam essas questões via óticas as mais diversas, como as sociológicas, antropológicas, estéticas, históricas, artísticas, psicanalíticas ou pedagógicas. Todas na alça de mira do obscurantismo que corre solto. E é exatamente disso que falo: quando a Cultura é relegada a um plano inferior e praticamente esquecida, arrasta para baixo o fio da história, a linha evolutiva da Civilização e, em particular no Brasil, soterra na vala comum uma de suas musas prediletas, a Educação. De forma direta, cortes na Cultura e na Educação têm sido a tendência nos países onde elas se tornam débeis por indesejáveis, e, de forma mais acentuada, no Brasil, em todas as esferas e instâncias. Se a pesquisa de qualidade da Capes foi inviabilizada, algumas universidades podem ser a bola da vez, a exemplo do corte profundo na modelar UFRJ, que viu seu orçamento cair, em valores atualizados, de 582 milhões, em 2014, para 361 milhões, em 2019 – quase 38% de perda!
Hospital Universitário  da USP  (Correio Popular)
Além da missão precípua das universidades públicas atingidas, perde também a insubstituível pesquisa criadora de novas vacinas, novas drogas e métodos de cura, descobertas na aplicação de novos materiais, energia, meio ambiente e preservação das riquezas naturais, além de nossa própria história em si. Do lado prático, afetam igualmente ou sustam atendimentos hospitalares, de urgência, psicológicos, odontológicos, veterinários, bibliotecas, museus, e, claro, as artes e a produção de Cultura, em geral. Pior ainda, puxam consigo as escolas de primeiro e segundo graus, tornando inevitável o surgimento de gerações condenadas à fraqueza de conhecimento, forçada a se compromissar com o analfabetismo político. Dane-se a polis, o país.
Bertold Brecht
Cito, e é mais do que oportuno, o dramaturgo Bertold Brecht (1898-1956), em seu lapidar O Analfabeto Político: “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. (...) Da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, o político vigarista, pilantra, corrupto”.
Educação e a Cultura sufocadas e sem perspectivas lobotomizam cérebros pensantes. O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, que viveu no Brasil por três anos, observou, a partir das culturas indígenas, o sentido de progresso e Civilização modernos (Tristes Trópicos, 1955). Pelo andar da carruagem, prezado Gil, ficaremos no coentro, no jenipapo, levando a vida e dizendo ‘a Cultura, a Civilização, elas que se danem’! Ou nãoʔ
O milagroso e adorado jenipapo


sábado, 11 de maio de 2019

"ACERTEI NO MILHAR!"


(Ou A Teoria da Probabilidade e a Reforma da Previdência)

Geraldo Pereira e Wilson Batista
Samba de Wilson Batista e Geraldo Pereira (1940), narra o sonho de um acertador do prêmio maior do ‘bicho’, e tudo o que poderia comprar como milionário. Eu, raro jogar qualquer coisa, nem rifa de quermesse ganhei, mas a Mega Sena acumulou 170 milhões... Não desejei essa quantia absurda, talvez só uma pequena fatia nesses bolões feitos por computador. Apostei pela Internet em um site confiável  recomendado. Perdi. Também é um 'jogo de azar'.
Loteria Esportiva: "teste" nº 254
Desde a primeira loteria esportiva avisam: teste número ‘n’. Claro, o jogo no Brasil é ilegal. Seria, mas aposta-se de tudo, além das loterias e mega senas: time, eleição, e, até ouvi dizer, quem do grupo vai morrer primeiro (o infeliz perde a vida e o dinheiro). Cassinos ocultam-se em bairros nobres como o Morumbi paulistano. Joga-se bingo, pôquer e bridge a dinheiro em muitos clubes, nas elegantes casas de bingo, e porrinha nas ruas. Nas praças e ruas, há os prestidigitadores de moedas com forminhas de empada sobre caixotes arrancando dinheiro de curiosos.
A  alucinante Las Vegas
Pela Internet, joga-se em cassinos como os de Las Vegas, é só ter ‘estofo’ lá fora e um belo cartão de crédito. Já na Austrália, 80% da população adulta é jogadora, número preocupante. Uma operadora de certa linha aérea australiana contou-me de voos fretados por brasileiros riquíssimos para apostar em cassinos daquele país. Nos EUA, é enorme a jogatina, de caça-níqueis a bacará, um jogo de cartas controlado por um crupiê esperto e ligeiro. Sem falar na roleta, atração maior até para quem nunca jogou na vida. Basta apostar, pagar, e, quase sempre, perder tudo.
"Em outras palavras, quando você joga um dado  o número que provavelmente virá  depende daquele que você acaba de jogar. Não será completamente ao acaso" (trad. livre do A.)
Há grupos como o MIT Blackjack (‘vinte e um’) Team, do Massachusetts Institute of Technology. Alguns especialistas têm a matemática como parceira, como  dois professores de uma universidade americana que começaram a fazer dinheiro nas roletas, baseando-se na teoria da probabilidade, que vem sendo amadurecida desde Blaise Pascal (séc. 17). Na roleta há diversos tipos de apostas, e as preferidas pelos matemáticos são as mais simples, chance de 50% na primeira jogada: preto ou vermelho, maior ou menor, par ou ímpar.
Se ao apostar em uma dessas opções na primeira vez der azar, a chance de perder novamente já é um pouco menor. Na terceira vez, é ainda mais fácil vingar a mesma escolha. Quatro derrotas seguidas indicam que é hora de jogar pesado. Mas se perder uma quinta vez, multiplica-se a aposta para, quase fatalmente, cacifarem altas somas, ante o desespero dos cassinos. Claro, há teorias com variações diversas sobre o assunto. Segundo estudiosos, elas seriam a Bayesana, mais 'científica' (penso que meio positivista), e a clássica - é claro, rivais.
Há muito anos, resolvi testar a coisa. Perto de casa, em São Paulo, conheci o Mané, ‘corretor zoológico’ (ironia para ‘apontador de jogo’). Simpático, sempre de terno e uma bíblia na mão, emprestou-me seu caderno de resultados. Resolvi jogar nos grupos, que vão de 1 a 25 e levam nomes de animais: do 1, avestruz (grupo 1, 2, 3 e 4), ao 25, vaca (97, 98, 99 e 00). Copiadas as páginas do caderno, escolhi o macaco, que não ganhava há 17 dias. Jogava sempre no mesmo horário, mesma central, e aposta gorda; se falhasse, dobrava a mesma aposta e ainda adicionaria um ‘plus’ pela perda anterior. Falhando, repetiria uma, duas, três vezes, e logo dava.
O cantinho do apontador,  bem à vista
O ‘xerife’ geral da região pediu ao Mané que lhe telefonasse sempre, logo após eu jogar, para que ele pudesse repetir a minha aposta, ‘descarregando’ o prêmio. Na ganância, acrescentei um segundo bicho azarão, depois um terceiro, e com três passei a ganhar com muita frequência. O ‘banqueiro’, para dificultar, resolveu não aceitar mais meus cheques e passei a apostar em dinheiro. Apesar do lucro enorme, aquilo já se tornava um vício, e para não perder o dinheiro empatado passei a não escolher novo bicho a cada acerto até zerar tudo, no lucro.
Há jogo do bicho em todo o país, provavelmente em todas as cidades. Bares, lojas de fachada, ou abertamente nas calçadas, como no Rio, de resultados pendurados, o “deu no poste”. É hipocrisia pura fingir que não existe o que todo mundo vê, sabe-se até onde se faz aposta.  Por isso mesmo, há um projeto para liberação do jogo tramitando no Senado desde 2014.
O Barão de Drummond
O Jogo do Bicho foi criado em 1892 pelo Barão de Drummond, hoje nome de praça na Vila Isabel carioca. Seu zoológico estava deficitário, daí ele ter inventado uma roleta com as figuras dos 25 bichos, para ajudar no sustento da ‘prole’. A prática desse jogo sempre foi muito popular, pois o sujeito que faz sua ‘fezinha’, em geral humilde, aposta o trocado que puder, e ainda escolhe os números de sua preferência. (Costumam apostar em sonhos, há até livros sobre as relações entre devaneios e os bichos!) Em 1946, o presidente Dutra proibiu todos os jogos de azar no país. Diziam que a esposa dele era jogadora compulsiva, apostava e perdia muito. Mais uma vez, o país dobrou-se diante dos problemas familiares de um governante. 
O imponente Teatro do Cassino da Urca
Cassinos da Urca, Copacabana Palace, Quitandinha de Petrópolis e tantos outros foram lacrados, forçando uma bruta queda no ingresso de recursos no comércio e no Tesouro. Foram 55 mil desempregados (seriam 270 mil, com a população de hoje), entre eles mais de 2.000 artistas (hoje 10 mil, o país em 1946 tinha só 41 milhões de habitantes!). Pixinguinha, Carmen Miranda, orquestras como a do Severino Araújo, legiões deles se projetaram nos cassinos.
Prisão da "casta" do jogo do bicho no Rio, em 1993:
Juíza Denise Frossard. 
Não jogo, talvez uma Mega Sena bissexta, no bicho nunca. Mas que imensidão de impostos seriam recolhidos com a legalização do que existe de fato (e hoje engorda os cofres dos chefões do crime)! Bicho, jogos e cassinos salvariam o povo da ‘derrama’ cada vez maior de impostos e ‘contribuições’, fora um número fabuloso de empregos diretos e indiretos! Nos EUA, em 2012, o jogo (sem contar a arrecadação também bilionária das loterias) proporciona emprego direto a 120.000 pessoas, sem contar empregos e benefícios indiretos, como turismo e serviços. Chegou a pagar ao Tesouro, naquele ano, US$ 574 bilhões (atualizados), ou R$ 2 trilhões, 267 bilhões em impostos. Em um ano, mais do que o dobro do que se pretende obter aqui com a reforma da Previdência em dez anos!

Arrecadação do jogo nos EUA (fora as milionárias loterias): US$ 564 bilhões, ou R$ 2.216.520.000: